Maior parte da energia do vento solar vai para o norte da Terra; entenda

Por Daniele Cavalcante | 13 de Janeiro de 2021 às 08h20
NASA

O campo magnético da Terra está constantemente defendendo nosso planeta da radiação cósmica e das partículas carregadas peles perigosos ventos solares. Durante esse processo, essa bolha invisível de proteção distribui a energia eletromagnética pela parte superior da nossa atmosfera, acima dos polos norte e sul. Os cientistas sempre presumiram que essa distribuição era por igual, mas um novo estudo mostra que não é bem assim.

As partículas que são constantemente ejetadas pelo Sol são capazes de prejudicar todo o nosso estilo de vida atual, colocando em risco equipamentos eletrônicos e satélites de comunicação. O campo magnético terrestre, formado pelo núcleo externo do nosso planeta, consegue lidar com a maior parte desses ataques, direcionando a energia para as regiões polares. Prova disso são as auroras, que aparecem tanto no norte do planeta, quanto no sul — elas são geradas pela interação das partículas solares com o campo magnético da Terra.

Aurora boreal, fenômeno que ocorre graças à interação entre as partículas cósmicas e o campo magnético da Terra. Quando a aurora ocorre no sul do planeta, recebe o nome de aurora austral (Imagem: Reprodução/Dora Miller)

Acontece que, ao contrário do que se cogitava até agora, a quantidade de energia eletromagnética que atinge os dois hemisférios é desigual. De acordo com um artigo publicado na Nature Communications, a energia costuma se concentrar em maior quantidade no norte do planeta. Essa descoberta sugere que, além de proteger a Terra da radiação solar, o campo magnético também controla como essa energia é distribuída e canalizada para a atmosfera superior.

Ivan Pakhotin, autor principal do artigo, explicou que isso ocorre por um motivo muito simples. É que o polo magnético do sul está mais longe do eixo de rotação da Terra do que o polo norte. Como consequência, a energia que primeiro chega na região alinhada ao eixo de rotação "prefere" o caminho mais curto, ou seja, segue para o norte. Os pesquisadores ainda não sabem exatamente quais são as consequências dessa assimetria e da distribuição desigual da energia eletromagnética, mas eles cogitam que isso possa resultar em diferenças no clima espacial ao redor do planeta.

Além disso, a assimetria pode resultar em diferenças entre as auroras do norte (auroras boreais) e as do sul (auroras austrais). “Nossas descobertas também sugerem que a dinâmica da química na alta atmosfera pode variar entre os dois hemisférios, especialmente durante tempos de forte atividade geomagnética”, disse Pakhotin.

Estudar as interações entre o vento solar e o campo magnético da Terra é importante para nos prepararmos para eventuais tempestades solares mais fortes, contra as quais as defesas naturais de nosso planeta serão insuficientes para proteger nossos equipamentos eletrônicos. O novo estudo foi realizado com os dados da missão Swarm da ESA (Agência Espacial Europeia), que conta com três satélites projetados para coletar informações sobre como nosso campo magnético.

Fonte: ESA

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