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Júpiter ajudou a formar a Lua no início do Sistema Solar

Por| Editado por Luciana Zaramela | 26 de Abril de 2024 às 09h16

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ESA/Silicon Worlds/Daniele Gasparri
ESA/Silicon Worlds/Daniele Gasparri

O deslocamento de Júpiter no início do Sistema Solar pode ter desempenhado papel fundamental na formação da Lua. Segundo um novo estudo, o gigante gasoso teria “empurrado” o protoplaneta Theia em direção à Terra, causando o grande impacto que deu origem ao satélite natural.

Quando os planetas começaram a se formar no Sistema Solar, suas órbitas eram bem diferentes das atuais. Segundo os modelos atuais, os mundos ao redor do Sol nasceram de um disco de poeira e gás, que tinha mais material nas regiões próximas à estrela do que nas bordas externas.

Considerando essa densidade perto do Sol, os planetas mais massivos (como Júpiter e Saturno) teriam se formado muito mais próximos da estrela. Isso significa que, após seu “nascimento”, os gigantes gasosos migraram para órbitas mais externas até se estabilizarem onde estão hoje.

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Essa migração ocorreu porque, entre 60 e 100 milhões de anos após a formação do Sistema Solar, os corpos recém-formados chocavam-se com muita frequência e se deslocavam para equilibrar suas órbitas. No processo, Júpiter, 2,5 vezes mais massivo do que todos os outros planetas juntos, agia com um grande “empurrão” gravitacional.

Por ser tão massivo, Júpiter influencia até hoje a órbita dos demais. Naqueles tempos, seu deslocamento para uma órbita mais externa teria sido o suficiente para arrastar consigo asteroides e cometas, ou até mesmo protoplanetas.

Um protoplaneta hipotético bastante conhecido pelos cientistas é Theia, um objeto do tamanho de Marte que não concluiu sua formação — porque se chocou com a Terra. Essa colisão, segundo as hipóteses mais aceitas, arrancou material de nosso planeta, e desse material se formou a Lua.

De acordo com o "Modelo de Nice", teoria que explica a instabilidade orbital, a migração teria ocorrido entre 500 e 800 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. No entanto, os cientistas agora suspeitam que ela ocorreu menos do que 100 milhões de anos após nosso sistema nascer.

Ainda há algumas divergências, com alguns pesquisadores propondo que o evento ocorreu após apenas quatro milhões de anos, enquanto outros argumentam que teria sido cerca de 60 milhões de anos após o nascimento do Sistema Solar.

Então, os autores do novo estudo estudaram os meteoritos do tipo condrito enstatita EL, que parecem ter se formado na mesma região do disco protoplanetário em que a Terra nasceu. Esses meteoritos teriam sido dispersos pelo cinturão de asteroides há cerca de 3 bilhões de anos devido a uma instabilidade relacionada à migração de Júpiter.

Usando simulações da migração de Júpiter, a equipe concluiu que o planeta poderia ter dispersado o progenitor da família de asteroides Athor cerca de 60 milhões de anos após o surgimento do Sistema Solar. Combinando isso com dados sobre os asteroides troianos de Júpiter, os cientistas determinaram que a grande instabilidade ocorreu entre 60 e 100 milhões de anos após o início do Sistema Solar.

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Mas o que a Lua tem a ver com isso? Bem, é que esse período coincide perfeitamente com a época em que a Terra e Theia se chocaram para formar o satélite natural de nosso planeta. Portanto, concluem os autores, há boas chances de que Júpiter tenha sido um dos grandes responsáveis pela formação da Lua.

O artigo da pesquisa foi publicado na Science e apresentado na Assembleia Geral da União Europeia de Geociências, em Viena.

Fonte: Science