Híbrido de humano e alienígena é possível? Veja o que a ciência tem a dizer!

Por Daniele Cavalcante | 09 de Setembro de 2020 às 14h50
Computerizer/Pixabay

Muito já se ouviu sobre a possibilidade de explorarmos o universo e colonizar outros planetas, talvez encontrando formas de vidas alienígenas no processo. Visionários como Carl Sagan, por exemplo, imaginaram um futuro glorioso para a humanidade cosmos afora. A ficção científica acompanha essas ideia, e nos traze mais ideias ainda, sendo que parte desse futuro imaginado pode envolver uma nova espécie de híbridos entre seres humanos e extraterrestres.

Mas será que isso seria biologicamente possível? Bem, é altamente improvável, mas se trabalhamos com hipóteses, não chegaria a ser impossível. Para entender melhor, precisamos primeiro garimpar os conceitos de espécie, e depois nos perguntarmos se eles ainda serão válidos quando encontrarmos outras formas de vida fora do nosso planeta.

Um dos fenômenos mais curiosos na ficção científica e em nossa própria imaginação é sempre visualizarmos possíveis formas de vida inteligente alienígena como figuras humanoides. É como se, para nós, mesmo que inconscientemente, apenas seres parecidos conosco pudessem ser inteligentes, capazes de se comunicar com nossa espécie. Por consequência, não é difícil imaginar que dessas duas espécies, de mundos diferentes, possa nascer um híbrido.

Pensando assim, faz sentido. Nós geralmente classificamos os indivíduos por espécie com base em sua aparência — por exemplo, sabemos as diferenças visuais entre um cachorro e um cavalo. Então, se vamos nos comunicar com outras vidas alienígenas, é compreensível que esperemos algo minimamente parecido conosco. Mas em muitos casos, o método visual de distinguir espécie será bastante falho. É que muitos organismos semelhantes entre si podem pertencer a espécies diferentes — e vice-versa.

Conceito de espécie

Spock, de Star Trek, é um híbrido humano/vulcano (Imagem: Reprodução/NBC)

Existem vários conceitos para se definir um grupo de seres vivos como parte de uma mesma espécie. Um dos mais usados é o conceito biológico de espécie, que separa os grupos em conjuntos nos quais seus indivíduos têm potencial para cruzar entre si e produzir descendentes saudáveis e férteis. Nessa definição, podemos até ver animais de espécies diferentes cruzando entre si, mas produzir descendentes, ou gerando filhotes incapazes de se reproduzir — como é o caso da mula, que resulta do cruzamento da égua com o burro.

Do ponto de vista evolutivo, esses limites impostos pela natureza são fundamentais para a manutenção das espécies e a separação de genes, com cada espécie dando sequência às suas respectivas árvores evolutivas, todas aptas a sobreviverem na natureza, cada qual a seu modo.

Essa impossibilidade de reproduzir uma prole saudável e fértil se chama isolamento reprodutivo, e ele acontece por causa de alguns fatores que impedem o fluxo gênico entre as espécies. Esses fatores podem ser classificados como barreiras pré-zigóticas, quando impedem que o acasalamento ou a fecundação ocorram, e pós-zigóticas, quando impedem que o zigoto formado desenvolva-se e torne-se um adulto fértil. Dentre os fatores, podemos mencionar, por exemplo, o isolamento morfológico, o isolamento gamético, e o colapso do híbrido — que é quando a prole é frágil e infértil.

O isolamento geográfico também pode ser considerado um fator decisivo na separação das espécies. É que, se duas árvores evolutivas jamais se encontrarem por estarem distantes demais geograficamente, elas vão gerar proles cada vez mais separadas biologicamente, mesmo que sejam muito semelhantes na aparência. As barreiras que isolam as subpopulações podem ser um rio que corta uma planície ou um braço de mar que separa ilhas e continentes.

Hackeando a natureza

Deanna Troi, de Star Trek: The Next Generation, é uma híbrida humana/betazoide (Imagem: Reprodução/Paramount Pictures)

Bem, os fãs de ficção científica (e aqueles que gostam de imaginar um futuro cheio de híbridos povoando planetas pelo universo) podem ficar tranquilos. A tecnologia pode mudar as regras, se decidirmos que isso seria uma boa ideia. Através da edição do código genético humano, poderíamos dar um jeito.

Mas, claro, isso não acontecerá tão cedo. Editar o código genético humano ainda é um tópico polêmico, com problemas éticos que são debatidos no meio científico. Isso não significa que as tecnologias para possibilitar o processo estejam no papel. Por exemplo, a técnica CRISPR já permite mexer com o nosso DNA, retirando características, editando ou inserindo características que não existiam antes. A técnica foi usada na China recentemente para gerar um bebê imune ao HIV, ato que levou o cientista He Jiankui à prisão.

Pela definição clássica, humanos e qualquer forma de vida alienígena são espécies diferentes e, portanto, a reprodução natural seria improvável. Até mesmo a barreira geográfica é grande o suficiente para colocar terráqueos e aliens em ambientes totalmente distintos, nos quais cada espécie terá características muito diferentes.

Mas na ciência, podemos trabalhar com hipóteses, e uma delas é a edição do genoma para que a reprodução seja possível. Se formos fisicamente “compatíveis” com nossos futuros amigos interestelares, talvez nosso material genético possa ser alterado para estabelecer o nascimento de uma nova espécie. Quem sabe o futuro das próprias “espécies mães” dependa do sucesso dessa prole?

O problema é que, mesmo com a edição genética, os híbridos podem ser inférteis. Nesse caso, teríamos fracassado em burlar a natureza para gerar descendentes inter-espécies. Entretanto, até sermos capazes de viajar para outros mundos e sistemas estelares, talvez nosso conhecimento já tenha evoluído o suficiente para criar alternativas que nem sequer somos capazes de imaginar nos dias de hoje.

Fonte: The Next Web

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