Cientistas que editaram genes de bebês humanos são condenados à prisão na China

Por Felipe Ribeiro | 30 de Dezembro de 2019 às 11h00
Anthony Wallace/AFP

O cientista chinês He Jiankui e dois de seus colegas de trabalho foram condenados à prisão após um julgamento "secreto" na China. Jiankui, que terá de cumprir três anos de cárcere, teve parte de sua formação na Universidade de Stanford e chocou o mundo ao revelar que havia criado os primeiros bebês editados geneticamente por meio da ferramenta CRISPR/Cas 9 (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats ou Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas, na tradução livre).

Segundo informou o Engadget China, que colheu informações junto à Agência de Notícias Xinhua, estatal da China, a equipe foi condenada por "prática médica ilegal" por realizar edição de genes de embriões humanos "para fins reprodutivos". Além da condenação, Jiankui terá de pagar uma multa de US$ 430 mil e será banido da medicina reprodutiva para o resto de sua vida.

Seus colegas de trabalho, Zhang Renli e Qin Jinzhou, também receberão penas de prisão de dois anos e 18 meses, respectivamente, além de multas e proibições. Havia um total de dez autores no artigo científico divulgado pela equipe, mas não está claro se outros serão penalizados também.

He Juankui, além de condenado à prisão, não poderá mais exercer sua profissão/ Imagem: Engadget

Segundo o julgamento, Jiankui e seus colegas conspiraram em 2016 para editar o gene CCR5 de maneira que pudesse tornar os humanos resistentes ao Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). A equipe ajudou na reprodução de "vários casais de pessoas infectadas pelo HIV", afirma a Agência Xinhua. Depois de editar os embriões, eles foram implantados em duas mulheres, que finalmente deram à luz três bebês editados por genes. O julgamento marca a primeira vez que as autoridades chinesas reconhecem a presença de um terceiro bebê editado por genes.

O tribunal observou que a técnica de edição de genes não havia sido "verificada quanto à segurança e eficácia" e que os cientistas forjaram documentos para convencer pacientes e médicos a ajudarem nos procedimentos. A equipe teria dito aos pacientes que eles faziam parte de um teste de vacina contra a AIDS, não modificações genéticas. Pouco depois de Jiankui ter revelado os ensaios do CRISPR, os especialistas o condenaram como "inescrupuloso" e "imoral e antiético". Logo depois, as autoridades chinesas abriram uma investigação que culminou em sua prisão.

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