Hibernação não seria tão útil durante longas viagens espaciais, diz estudo

Hibernação não seria tão útil durante longas viagens espaciais, diz estudo

Por Daniele Cavalcante | Editado por Rafael Rigues | 03 de Maio de 2022 às 18h30
SpaceWorks Enterprises

Futuros exploradores não poderão contar muito com a hibernação para realizar missões espaciais que levariam décadas. É que métodos para induzir os astronautas a hibernar como ursos já foram cogitados para ajudá-los a sobreviver mais tempo em naves espaciais, mas um novo estudo derrubou essa tese. Ao menos, por enquanto.

No futuro, a humanidade provavelmente desejará explorar mundos muito além de Marte, mas há alguns obstáculos. O mais óbvio deles é o tempo que se leva para alcançar esses destinos. A solução mais interessante seria tornar nossas espaçonaves mais velozes, mas há outras alternativas.

Uma das soluções mais “mirabolantes”, muito recorrente na ficção científica, é colocar os astronautas em uma espécie de “modo de economia de energia”. Nos filmes e livros de sci-fi a tecnologia consegue deixar corpos humanos em “animação suspensa” e acordá-los apenas quando necessário. A realidade, no entanto, não é tão generosa assim.

A NASA já contratou estudos sobre hibernação humana, por meio da SpaceWorks (Imagem: Reprodução/SpaceWorks Enterprises)

Mesmo assim, alguns consideram a hibernação como recurso eficaz para reduzir o gasto de energia do corpo durante uma viagem espacial. A inspiração não vem apenas de ursos, famosos por hibernar durante o inverno, mas de várias espécies, como marmotas, esquilos, morcegos, e muitas outras.

A hibernação é uma habilidade que leva esses animais a um período de hipotermia controlada. Com isso, a temperatura corporal se mantém abaixo do normal, reduzindo o ritmo cardíaco e respiratório e, portanto, o gasto energético. Mas não é tão simples quanto parece: apenas animais pequenos conseguem, de fato, economizar energia desse modo.

De acordo com o novo estudo, ursos são muito grandes para manter suas atividades metabólicas abaixo do normal. Isso significa que eles, na verdade, não passam por uma hibernação “autêntica”, mas sim um período de sono prolongado conhecido como sono invernal.

Analisando vários estudos existentes sobre animais em hibernação, os autores da pesquisa compararam o consumo diário de energia de animais ativos com a energia média gasta durante a hibernação. Depois, eles calcularam a economia de energia de diferentes animais, desde animais menores, como o morcego, até animais maiores, como ursos pardos.

A SpaceWorks buscou desenvolver um habitat onde os astronautas poderiam hibernar durante a viagem a Marte (Imagem: Reprodução/SpaceWorks Enterprises)

Um pequeno marsupial conhecido como colocolo, por exemplo, economiza 76% de sua energia durante a hibernação em comparação com seu estado normal. Por outro lado, um urso pardo de 180kg tem uma economia negativa de energia de 124%. Essa notícia não é muito animadora para a exploração espacial do futuro.

Claro que seres humanos não hibernam — essa é uma característica evolutiva de adaptação natural ao ambiente adverso. Mas algumas propostas anteriores de induzir a artificialmente a hibernação em astronautas poderia ajudá-los a economizar energia. O novo estudo, no entanto, aponta que essa economia não teria muitas vantagens sobre o sono regular.

O artigo foi publicado no Proceedings of the Royal Society B.

Fonte: Proceedings of the Royal Society B; via: Inverse

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