Há 50 anos a China lançava seu primeiro satélite — e inspirava gerações futuras

Por Daniele Cavalcante | 28 de Abril de 2020 às 13h14

O Dia Espacial da China aconteceu em 24 de abril, a mesma data de lançamento do Dōngfānghóng-1, o primeiro satélite artificial do país (e, por coincidência, no mesmo dia do aniversário de lançamento do Telescópio Espacial Hubble). Neste ano, essa data foi ainda mais especial, pois marcou o 50º aniversário dessa missão.

Há 50 anos, a China entrou na corrida espacial, dando início ao seu próprio programa e ao desenvolvimento de um satélite de 137 kg que transmitiu a música Dōngfānghóng ("O Leste é Vermelho"), durante 26 dias enquanto esteve em órbita. Com o sucesso da missão, a China se tornou o quinto país a desenvolver e lançar um satélite por conta própria.

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Devido à epidemia de COVID-19, a China teve que celebrar a data online. Os institutos espaciais e as organizações de divulgação da ciência no país realizaram transmissões ao vivo e reuniões, onde os pesquisadores que fizeram parte da missão Dōngfānghóng-1 compartilharam suas histórias com o público. Uma dessas lives foi realizada pela SpaceD, uma empresa de Pequim que divulga ciência aeroespacial.

Construindo a missão do zero

O Dōngfānghóng-1 em uma exposição (Foto: Brücke-Osteuropa)

Em meados da década de 1960, a China já pretendia iniciar o desenvolvimento do seu próprio satélite. A União Soviética já havia feito história com o Sputinik, o primeiro objeto enviado pela humanidade à órbita do planeta. Lançado em 1957, ele tinha formato esférico e uma funcionalidade bastante simples: enviar à Terra um sinal de “beep”, que podia ser captado por pessoas de qualquer parte do mundo, até mesmo radioamadores. A China seguiu passos semelhantes.

Em 1968, foi fundada a Academia de Tecnologia Espacial da China (CAST), sendo Qian Xuesen, fundador da indústria espacial da China, seu primeiro presidente. A academia acelerou a missão Dōngfānghóng-1 com etapas específicas de planejamento e implementação. Pan Houren era vice-chefe da equipe geral de design do satélite.

Durante a transmissão online, Pan lembrou que o governo central alocou 200 milhões de yuans (cerca de 28 milhões de dólares) para a missão. "Naquela época, 200 milhões de yuans não eram realmente uma quantia fácil", relata. No entanto, os pesquisadores da China ainda enfrentavam inúmeras dificuldades, como pouco conhecimento sobre a tecnologia e falta de equipamento necessário. "Naquela época, a base industrial da China era fraca e as condições de pesquisa científica eram relativamente ruins”, completou Pan. Tudo foi construído a partir do zero.

O lançamento do satélite no foguete Long March 1

Mas a equipe foi bem sucedida e criou o Dōngfānghóng-1 em um formato esférico e o enviou à órbita predefinida em 24 de abril de 1970. Ele tinha um metro de diâmetro e era mais pesado que a soma dos quatro primeiros satélites lançados por outros países até então. No lugar do “beep” emitido pelo Sputinik, ele tocou a música folclórica chinesa que elogia o presidente Mao, e permitiu que todo o povo chinês a ouvisse pelo rádio.

Apesar das dificuldades, a missão não apenas foi um sucesso, como também inspirou gerações futuras na China. "Muitas pessoas que eu conheço ouviram 'Dongfanghong' do espaço no rádio durante a infância e decidiram se dedicar à exploração espacial. Tinha um poder invisível", disse Bai Ruixue, CEO da SpaceD. “Não é apenas uma origem importante na indústria espacial chinesa, mas também um marco na mente do povo chinês. Quando o país ainda não estava aberto e a vida era tão difícil, Dōngfānghóng-1 incentivou muitos chineses a olhar para as estrelas", completou.

Fonte: Space Daily

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