A atual corrida espacial entre EUA, Europa, Rússia e China para se firmar na Lua

Por Patrícia Gnipper | 13 de Fevereiro de 2019 às 23h00
ESA

No século passado, Estados Unidos e Rússia protagonizaram a Corrida Espacial para ver quem conquistaria o espaço primeiro. A então União Soviética saiu à frente, enviando o primeiro satélite à órbita da Terra, o primeiro animal e o primeiro homem ao espaço, mas os EUA conseguiram levar humanos à Lua pela primeira vez, fincando sua bandeira por lá e sentindo esse gostinho da vitória. Agora, ambas as nações têm seus planos de, contando com a tecnologia atual, voltar ao nosso satélite natural e manter a presença humana lá de uma vez por todas.

Já é sabido que a NASA está trabalhando para voltar à Lua dentro de alguns anos, com o governo estadunidense apoiando este retorno mais do que qualquer outra missão em andamento, e Jim Bridenstine, administrador da agência espacial, disse em uma publicação de sua autoria na plataforma Ozy que, desta vez, a NASA enviará pessoas ao nosso satélite natural não apenas por alguns dias, mas sim para ficar.

"Dizer que estamos voltando à Lua não significa que faremos o mesmo que fizemos há 50 anos. Estamos indo à Lua com novas tecnologias e sistemas inovadores para explorar mais locais em toda a superfície do que imaginávamos. Desta vez, quando formos para a Lua, ficaremos", afirma.

Na próxima semana, parceiros da indústria privada e especialistas diversos participarão de uma reunião na sede da NASA para discutir novas plataformas lunares e, até agora, a agência já contratou nove empresas para enviar cargas à Lua, com a ideia de desenvolver uma plataforma que levará de novo astronautas para lá na próxima década.

A NASA também tem planos de criar uma estação espacial ao redor da Lua, que serviria de pit stop para futuros viajantes espaciais, além de, claro, funcionar como um laboratório de estudos.

ESA, Rússia e China e a base fixa lunar

A primeira fase da missão tripulada da Roscosmos (agência espacial da Rússia) com destino à Lua está prevista para acontecer em 2031, de acordo com a agência de notícias RIA Novosti, com o envio de uma primeira nave. No ano seguinte, a ideia é levar a tripulação para testar o veículo no local e conduzir testes para que, em 2033, os astronautas consigam usar aquele mesmo veículo para novas viagens espaciais. Com isso, o objetivo final é a criação de uma base lunar a partir do ano de 2034.

Já a China, que já está se destacando na exploração espacial com a missão Chang'e 4 (a primeira da história a pousar uma nave no lado afastado da Lua), não esconde de ninguém que também tem planos de criar uma base fixa lunar — e a Chang'e 4 faz parte desse objetivo final. As Chang'e 5 e 6 trarão à Terra amostras de rochas e solo daquele misterioso hemisfério lunar, enquanto a Chang'e 7 mapeará o polo sul da Lua — região de interesse para uma habitação humana por conter água congelada. Então, com a Chang'e 8, a agência espacial chonesa começará a testar tecnologias já visando a construção de sua base fixa, que seria compartilhada com outros países além da China.

E a ESA (agência espacial europeia que representa vários países da região), também vem vislumbrando uma construção lunar do tipo. A agência, na verdade, quer criar uma "aldeia lunar", onde viveria uma diversidade de pessoas, incluindo cientistas e artistas, além de organizações públicas e privadas como uma tentativa de democratizar o espaço lunar.

Sendo assim, é fato que os principais players da indústria espacial internacional (isto é, considerando apenas as agências estatais) estão com objetivos similares no domínio da Lua, ainda que seus projetos tenham diferenças entre si. Então, essa nova Corrida Espacial pode render dois cenários principais: um em que as nações competirão entre si (como aconteceu entre EUA e Rússia no passado), e outro em que os países trabalharão em conjunto, criando uma única base fixa na Lua para que todos a usufruam em parceria. Resta acompanhar o desenrolar dos planos de cada uma dessas agências espaciais para descobrir se a humanidade voltará à Lua de maneira hamoniosa, ou se ainda não superamos a época das rivalidades entre diferentes nações.

Fonte: The Independent, Ozy, Xinhua Net

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