Exoplanetas na zona habitável de suas estrelas podem ter sido "esterilizados"

Por Danielle Cassita | 10 de Dezembro de 2020 às 07h30
Lorenzo Santinelli

Um novo estudo feito pelo pesquisador Andrew Zic, da Universidade de Sidney, na Austrália, analisou como as emissões de rádio podem ajudar os cientistas a entenderem a relação entre o “clima espacial” em exoplanetas de sistemas estelares próximos de nós — porém, os relatórios que trazem algumas novidades do clima de Proxima Centauri, nossa vizinha estelar mais próxima, não são tão animadores quando o assunto é a busca pela vida como conhecemos.

Proxima Centauri é uma estrela localizada a apenas 4,2 anos-luz de nós, e conta com dois planetas rochosos descobertos recentemente. Um deles está na zona habitável da estrela, ou seja, na região em que a água, se existir, pode se manter no estado líquido. “Mas, considerando que essa é uma anã-vermelha fria, a zona habitável fica bem perto da estrela, ainda mais perto do que Mercúrio está do Sol", explica Zic. Assim, o estudo mostrou que os planetas próximos da estrela podem sofrer erosão atmosférica forte, de modo que eles ficariam expostos e vulneráveis a raios-X e radiação ultravioleta.

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Liderados pelo pesquisador, os astrônomos da equipe mostraram, pela primeira vez, que há relação entre emissões ópticas e explosões de rádio em uma estrela que não é o Sol, em um passo importante para o uso dos sinais de rádio para estudos e relatórios do clima de estrelas distantes. Nossa estrela também emite regularmente nuvens quentes e cheias de partículas ionizadas nas emissões de massa coronárias, mas a zona habitável do Sol fica mais longe da superfície da estrela, porque o Sol é bem mais quente, de modo que estamos relativamente longe desses eventos — e, além de tudo, a Terra conta com um poderoso campo magnético nos protegendo.

Representação de Proxima Centauri ejetando materiais em direção a um planeta próximo (Imagem: Reprodução/Mark Myers/OzGrav)

Já as explosões de rádio de estrelas anãs do tipo M podem ocorrer por motivos diferentes daqueles que vemos no Sol, em que costumam estar relacionadas às ejeções de massa coronárias, expulsões de plasma extremamente energéticas em que a radiação deixa a atmosfera da estrela. "Provavelmente, essas são más notícias para a questão do clima espacial: parece que as anãs vermelhas, as estrelas mais comuns da galáxia, não são bons lugares para encontrarmos a vida como conhecemos", explicou Zic.

Isso porque foram identificados mais de 4 mil planetas nos últimos anos, o que aumentou bastante os ânimos na busca por condições de vida semelhantes às que temos na Terra. O problema é que estrelas parecidas com o Sol, que poderiam abrigar estes planetas, compõem apenas 7% dos objetos estelares da nossa galáxia, enquanto as anãs vermelhas representam 70% deles — e são justamente estes objetos que o estudo sugere serem banhados por ejeções de plasma e emissões estelares. Os exoplanetas até poderiam ter campos magnéticos como o nosso para protegê-los, mas essa é uma característica que ainda não foi observada e dificilmente seria identificada com as tecnologias atuais.

As observações de Proxima Centauri foram feitas com o telescópio Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP), da agência australiana de ciências CSIRO, aliado a outros instrumentos. Segundo Tara Murphy, professor da de Sidney e orientador do doutorado de Zic, os resultados obtidos são impressionantes: "a enorme qualidade dos dados nos permitiu ver a emissão estelar de Proxima Centauri ao longo de toda a sua evolução em detalhes incríveis", disse. Futuramente, quando o ASKAP estiver operando totalmente no modo de estudos, será possível observar muito outros eventos em estrelas próximas para os pesquisadores entenderem melhor o clima espacial nelas.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.

Fonte: University of Sydney

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