EUA e Japão planejam constelação de satélites para rastrear mísseis

Por Daniele Cavalcante | 26 de Agosto de 2020 às 12h18
U.S. Air Force

Embora o clima tenso entre Estados Unidos e Coreia do Norte tenha amenizado, o país de Kim Jong-un ainda parece ser uma ameaça - pelo menos para os japoneses, que desconfiam de um desenvolvimento de armas, incluindo o aperfeiçoamento na capacidade dos norte-coreanos em miniaturizar ogivas nucleares. Agora, os EUA e o Japão pretendem construir, juntos, uma rede de pequenos satélites capazes de detectar novos mísseis.

O objetivo desses satélites seria complementar um sistema de defesa antimísseis já existente, que atualmente inclui os interceptores de mísseis Patriot Advanced Capability-3 (PAC-3), da Lockheed Martin, fornecido para o Japão, EUA e Coreia do Sul. É que existem novas armas em desenvolvimento, como mísseis hipersônicos em andamento da China e Rússia, difíceis de interceptar com sistemas convencionais, graças à capacidade de mudar de curso de modo imprevisível e rápido.

Assim, a Agência de Desenvolvimento Espacial dos EUA divulgou um rascunho de solicitação de propostas, buscando um empreiteiro para construir oito satélites com sensores infravermelhos para rastrear essas novas armas hipersônicas, de acordo com a C4ISRNET, uma publicação de tecnologia militar online dos EUA, em uma notícia de maio. Em seguida, o Japão veio com um novo relatório sobre as redes de satélites que será construída com os estadunidenses, provavelmente como resultado dessa solicitação anunciada em maio.

Por enquanto, ainda não há muito mais do que desconfianças. Tóquio desconfia do desenvolvimento de armas da Coreia do Norte, e o Ministério da Defesa do Japão disse em julho e o país socialista estaria miniaturizando ogivas. Pouco antes, em março a Coreia do Norte testou três projéteis diferentes e de curto alcance, que caíram no Mar do Japão, de acordo com militares sul-coreanos.

Um satélite para coletar dados terrestres do espaço e da superfície da Terra, sob o Programa de Satélites Meteorológicos de Defesa dos EUA (Imagem: Reprodução/Força Aérea dos EUA)

O clima se estende aos países vizinhos da República Popular Democrática da Coreia, China e Rússia, que também estão investindo mais dinheiro em armas. Para 2020, os gastos chineses em defesa aumentaram 6,6% em relação a 2019, e 2.000 de seus mísseis de alcance intermediário, capazes de atingir o território japonês, parecem estar em implantação, de acordo com o relatório japonês. A China também pode dobrar o número de ogivas nucleares em seu arsenal em uma década, diz o documento.

No total, o projeto deve custar mais de US$ 9 bilhões, de acordo com um plano dos EUA, e estaria operacional em meados da década de 2020. Os satélites detectores de mísseis hipersônicos deverão ficar na órbita baixa, em altitudes entre 300 km e 1.000 km. Washington pretende lançar mais de 1.000 pequenos satélites de observação, sendo que 200 estarão equipados com sensores infravermelhos de detecção de calor. Provavelmente, o papel do Japão inclui colaborar com o desenvolvimento de sensores e na miniaturização dos satélites.

Também haverá unidades equipadas com telescópios ópticos e sistemas de posicionamento. Eles seriam capazes de captar movimentos de navios de guerra, aviões de guerra e tropas terrestres. Os EUA devem lançar 30 satélites experimentais em 2022. Enquanto isso, a Rússia e a China buscam tecnologias "assassinas de satélites" de outras nações e estão expandindo seu arsenal de mísseis anti-satélite. Entretanto, uma grande constelação de pequenos satélites, que será o caso do sistema dos EUA e Japão, será mais difícil de se abater.

Fonte: Nikkei

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