Erupção vulcânica em Tonga foi tão intensa que seus efeitos chegaram ao espaço

Erupção vulcânica em Tonga foi tão intensa que seus efeitos chegaram ao espaço

Por Wyllian Torres | Editado por Rafael Rigues | 10 de Maio de 2022 às 19h10
Reprodução/NOAA

Em 15 janeiro desse ano, a erupção de um vulcão submarino em Tonga, no Pacífico Sul, produziu uma série de efeitos como ondas de choque atmosféricas e um tsunami em escala global. Agora, um estudo liderado pela Universidade da California descobriu que a atividade vulcânica também alcançou o espaço — especificamente, a ionosfera, a camada atmosférica mais externa da Terra.

A partir dos dados do Ionospheric Connection Explorer (ICON) da NASA e dos satélites Swarm, da Agência Espacial Europeia (ESA), os pesquisadores notaram que nas primeiras horas após a explosão do vulcão submarino, ventos com velocidade de furacão e correntes elétricas incomuns surgiram na ionosfera.

Erupção do vulcão submarino em Tonga registrada a partir do espaço (Imagem: Reprodução/NASA)

O físico Brian Harding, principal autor do estudo, disse que o vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha'apai criou um dos maiores distúrbios no espaço já observados na era moderna. “Isso está nos permitindo testar a conexão mal compreendida entre a atmosfera inferior e o espaço”, acrescentou.

A missão ICON foi lançada em 2019 com o objetivo de estudar como o clima da Terra interage com o chamado clima espacial, onde, por exemplo, os ventos solares afetam o planeta. Em janeiro deste ano, enquanto sobrevoava a América do Sul, a sonda observou na ionosfera os efeitos do vulcão localizado no sul do Pacífico.

Os efeitos da erupção no espaço

A erupção vulcânica lançou ao céu uma grande nuvem de cinzas, vapor d’água e poeira. A atividade produziu uma perturbação na pressão atmosférica, gerando fortes ventos. À medida que essas correntes de ar se deslocavam para as camadas atmosféricas mais altas e finas, elas ficaram mais velozes.

Principais efeitos da erupção em Tonga, da superfície terrestre ao mais alto da atmosfera (Imagem: Reprodução/Goddard Space Flight Center/NASA/Mary Pat Hrybyk-Keith)

A ICON descobriu que quando esses ventos alcançaram a ionosfera, eles tinham uma velocidade aproximada de 724 km/h — os mais fortes já registrados pela missão a uma altitude abaixo de 193 km. Essas correntes de vento afetaram as correntes elétricas da ionosfera.

Nessa camada, uma corrente elétrica flui para o leste — conhecido como eletrojato equatorial —, impulsionada pelos ventos na parte mais baixa da atmosfera. Após a erupção, esse eletrojato equatorial atingiu uma potência cinco vezes maior do que o normal e mudou repentinamente a direção para oeste.

A física Joanne Wu, coautora do trabalho, explicou que algo assim só foi observado em tempestades geomagnéticas, quando as partículas e radiação do Sol afetam o clima espacial. As alterações no eletrojato equatorial afetam diretamente os sinais de rádio e GPS que circulam pela ionosfera.

Ao compreender como eventos afetam a atmosfera em seu ponto mais alto, os cientistas estarão mais preparados para lidar com os possíveis efeitos nas tecnologias baseadas lá. Por isso, a NASA prepara a missão Geospace Dynamics Constellation (GDC). Ela contará com uma frota de pequenos satélites e sensores climáticos baseados em solo para acompanhar as correntes elétricas e ventos atmosféricos da ionosfera.

O estudo foi publicado na revista Geophysical Research Letters.

Fonte: Geophysical Research Letters, NASA

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