Erro humano causa falha em lançamento e satélites de pesquisa são perdidos

Por Danielle Cassita | 18 de Novembro de 2020 às 09h40
ESA/CNES/Arianespace

Na segunda-feira (16), a empresa francesa Arianespace realizou o lançamento da missão Vega VV17, que levava cargas úteis para a Agência Espacial Europeia (ESA) e para a agência espacial francesa (CNES). Entretanto, poucos minutos após o lançamento, o estágio superior do veículo de lançamento apresentou uma falha que resultou na perda da missão. Hoje, os executivos da empresa confirmaram que a falha ocorreu devido a erro humano.

As fases iniciais do lançamento pareceram correr bem. Contudo, observadores que estavam no local perceberam que o foguete pareceu seguir uma trajetória diferente da planejada durante a primeira ignição do estágio superior Avum. Pouco tempo depois, a Arianespace confirmou a falha do lançamento, e que estava realizando análises de telemetria para determinar a causa do problema.

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A falha da missão causou a perda de dois satélites europeus de pesquisa: o satélite SEOSAT-Ingenio, que seria o primeiro satélite da Espanha de observação da Terra, e o TARANIS (Tool for the Analysis of RAdiation from lightNIng and Sprites), produzido pela CNES para estudar fenômenos eletromagnéticos na atmosfera superior criados por tempestades de raios. 

O lançamento ocorreu na segunda-feira, mas a carga útil foi perdida devido à falha (Imagem: Reprodução/Arianespace)

Agora, os executivos da empresa confirmam que falha ocorreu quando surgiram problemas no estágio superior do foguete, que aconteceram em função da instalação incorreta de cabos no sistema de controle. Roland Lagier, diretor técnico da Arianespace, declarou a repórteres que os três primeiros estágios do foguete tiveram desempenho normal após o lançamento. Então, pouco depois da ignição no estágio superior, o veículo começou a tombar. “Essa perda de controle foi permanente, e induziu um comportamento de tombo significativo”, explicou. “Depois, a trajetória começou a se desviar rapidamente da nominal, o que levou à perda da missão”. 

Após análises de telemetria e dados da produção do veículo, a equipe concluiu que os cabos dos dois controles do vetor de propulsão estavam invertidos, ou seja, os comandos que deveriam ir a um atuador foram a outro e levaram à perda de controle. “Isso foi claramente um problema de produção e qualidade de uma série de erros humanos, não de projeto”, disse. Agora, a Arianespace vai iniciar uma comissão de investigação liderada pelo inspetor geral da ESA para confirmar a causa da falha e recomendar ações corretivas. 

Segundo Stéphane Israël, diretor executivo da Arianespace, a comissão vai começar as atividades nesta quarta (18), e enfatizou que essa falha não tem relação com o problema que ocorreu no Vega no ano passado: na ocasião, o lançamento levava um satélite de imagens para os Emirados Árabes Unidos e falhou devido a um problema estrutural no segundo estágio do foguete. Israël também ressaltou que a falha não vai afetar o lançamento das outras missões da Arianespace, que são três e deverão ocorrer no final do ano enquanto a investigação continua. "Quero apresentar meus mais profundos pedidos de desculpas aos nossos clientes”, disse Isräel. "Infelizmente, isso é parte da vida de lançamentos".

Essa falha é a segunda que acontece em três lançamentos do Vega após o sucesso de 14 lançamentos. Depois de longos atrasos ocorridos devido à pandemia do novo coronavírus, o foguete voou apenas em setembro deste ano com o lançamento da missão VV16, que levou 53 pequenos satélites.

Fonte: Spacenews (1, 2)

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