Eis a primeira foto em boa resolução do objeto transnetuniano Ultima Thule

Por Patrícia Gnipper | 24 de Janeiro de 2019 às 23h45
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No primeiro dia do ano, a sonda New Horizons, da NASA, sobrevoou o objeto 2014 MU69, mais conhecido como Ultima Thule. Desde então, a sonda, ainda que já tenha se distanciado do objeto transnetuniano em questão, continua enviando dados para a agência espacial, e a mais recente novidade é a primeira foto em boa resolução deste pequeno corpo espacial de cuja existência ninguém sabia até o ano de 2014.

Entre as primeiras descobertas que a New Horizons proporcionou de Ultima Thule, estão a confirmação da cor avermelhada em sua superfície, além de seu formato, que foi comparado ao de um boneco de neve, ou de uma ampulheta girando no espaço . Ainda, pudemos ter a certeza de que o objeto é, na verdade, a junção de dois objetos menores, que devem ter colidido a uma velocidade tão lenta que proporcionou um encaixe sem grandes estragos.

Eis a primeira imagem mais detalhada de Ultima Thule (Foto: NASA)

A foto foi clicada quando a sonda estava a 6.700 km da superfície de Ultima Thule, apenas sete minutos antes da máxima aproximação que foi possível. Ou seja: podemos esperar para as próximas semanas imagens ainda mais detalhadas e, claro, coloridas.

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De acordo com comunicado oficial da NASA, a iluminação oblíqua desta imagem revela novos detalhes topográficos ao longo do limite entre dia e noite na superfície do objeto, o que pode ser visto no topo da foto. Tais detalhes incluem poços de até 0,7 km de diâmetro, e há uma profunda depressão com cerca de 4 km de diâmetro no lóbulo menor. Ainda não está claro se esses poços são mesmo crateras de impacto, ou características resultantes de outros processos naturais. Um curioso "colarinho" brilhante demarca a união entre os dois lóbulos.

"Esta nova imagem está começando a revelar diferenças no caráter geológico dos dois lóbulos de Ultima Thule, e também está nos apresentando novos mistérios", conta Alan Stern, principal investigador da missão. Ele também garante que em fevereiro chegarão as imagens com mais resolução e em cores, que tanto estamos aguardando.

Como a New Horizons está a aproximadamente 6,34 bilhões de quilômetros da Terra, afastando-se do Sol a mais de 50.700 km/h, um sinal de rádio leva seis horas e nove minutos para chegar ao nosso planeta depois de ser emitido pela nave, e ainda há muitos dados que serão enviados nos próximos vinte meses.

Esta nova imagem é, por enquanto, a visão mais nítida deste antigo objeto do Cinturão de Kuiper, sendo o primeiro pequeno objeto transnetuniano explorado pela New Horizons, que estudou Plutão e suas luas em 2015. "Primeiro", pois é possível que a NASA consiga estender a missão da nave por mais alguns anos com o objetivo de estudar de pertinho outros pequenos mundos daquela região que preserva, intactos, pedaços de rochas remanescentes da formação do Sistema Solar.

A nave, lançada em 2006, teve sua trajetória alterada depois de finalizar a observação de Plutão em 2015, um ano depois da descoberta de Ultima Thule. A nave ainda tem combustível para durar e se manter operacional até a década de 2030 e existem muitos objetos interessantes no Cinturão de Kuiper aguardando serem estudados de perto — coisa que, no momento, só a New Horizons é capaz de fazer por já estar passeando pelas redondezas.

Fonte: NASA

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