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Duas superterras serão estudadas pelo telescópio James Webb em breve

Por| Editado por Rafael Rigues | 31 de Maio de 2022 às 10h30

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NASA GSFC/CIL/Adriana Manrique Gutierrez/Flickr
NASA GSFC/CIL/Adriana Manrique Gutierrez/Flickr

Os exoplanetas rochosos 55 Cancri e e LHS 3844 b são alguns dos objetos que serão investigados durante os primeiros estudos do telescópio espacial James Webb. Considerados superterras (classificação dos exoplanetas mais massivos que a Terra e menos que Netuno), eles ficam a cerca de 50 anos-luz da Terra, e estudá-los irá ajudar os pesquisadores a treinar os espectrógrafos do James Webb — além de, claro, auxiliar na compreensão da evolução dos mundos rochosos.

O telescópio James Webb foi lançado no ano passado e já está com seu espelho primário completamente alinhado; agora, os instrumentos científicos do observatório estão passando por calibrações. As primeiras observações devem ser reveladas na metade do ano, e logo em seguida, o Webb começará seu trabalho científico.

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Os primeiros objetos estudados pelo Webb são variados, e incluem desde a dupla de exoplanetas rochosos até cinturões de objetos gelados, como o Cinturão de Kuiper, e outros. Os planetas rochosos são mais difíceis de serem observados com a tecnologia atual do que os gasosos por diferentes motivos, como o menor brilho em relação à sua estrela e as dimensões relativamente pequenas.

Os exoplanetas em detalhes

Nenhum dos dois exoplanetas é habitável para a vida como conhecemos: por exemplo, 55 Cancri e tem quase o dobro do diâmetro da Terra e orbita sua estrela a 2,4 milhões de quilômetros, distância equivalente a quase 4% daquela que separa Mercúrio e o Sol. Por isso, este mundo leva apenas 18 horas para completar uma volta ao redor de sua estrela, parece ter um lado sempre voltado para ela e sua superfície pode ser coberta por lava.

Dados do telescópio Spitzer sugerem que a região mais quente do planeta está deslocada daquela que fica voltada para a estrela, o que faz com que a quantidade total de calor detectada no lado diurno varie; o esperado era que não houvesse variações no calor nesta região. É possível que este seja o resultado de uma atmosfera espessa capaz de deslocar calor, ou, quem sabe, uma chuva de lava causada pela remoção de calor da atmosfera. Ambas as hipóteses serão testadas.

Já o LHS 3844 b é um mundo com diâmetro equivalente a 1,3 vezes o da Terra, e viaja ao redor de sua estrela a cada 11 horas — por outro lado, tal estrela é menor e mais fria que aquela orbitada por 55 Cancri e. Portanto, é possível que a superfície deste mundo seja bem mais fria (mas, mesmo assim, ela passaria dos 500 ºC), e ajudará os cientistas a analisar rochas sólidas.

Os astrônomos que vão estudá-lo planejam coletar sinais por meio da espectroscopia, técnica em que a luz é dividida em diferentes comprimentos de onda para, assim, revelar informações sobre temperatura, elementos presentes e outras informações. A ideia é comparar os espectros de emissões térmicas do lado diurno do planeta com aqueles de rochas conhecidas na Terra para os pesquisadores tentarem deduzir a composição da superfície do planeta.

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Para Laura Kreidberg, líder da equipe que espera analisar sinais da superfície do exoplaneta LHS 3844 b por meio da espectroscopia, ambas as investigações vão proporcionar perspectivas novas e fantásticas de planetas parecidos com a Terra em geral, e podem ajudar os cientistas a entender como a Terra primordial pode ter sido, quando estava tão quente quanto estes exoplanetas são hoje.

Fonte: James Webb Space Telescope