Duas novas missões são escolhidas pela NASA para estudar a influência do Sol

Duas novas missões são escolhidas pela NASA para estudar a influência do Sol

Por Danielle Cassita | 07 de Dezembro de 2020 às 09h40
Solar Dynamics Observatory/NASA

A NASA selecionou duas missões de naves SmallSat que serão lançadas “de carona” com a sonda Interstellar Mapping and Acceleration Probe (IMAP) dentro de alguns anos. As missões escolhidas são a Global Lyman-alpha Imagers of the Dynamic Exosphere (GLIDE), que deverá estudar a exosfera, e a Solar Cruiser, que irá demonstrar o desempenho de uma vela solar para voos espaciais.

A ideia do lançamento da IMAP é levá-la para o ponto lagrangiano L1, um passo para a NASA aproveitar o excesso de capacidade dos lançamentos por meio da política RideShare e, então, aumentar o acesso dos SmallSats ao espaço. Assim, as missões GLIDE e Solar Cruise foram selecionadas como Missões de Oportunidade sob o programa Solar Terrestrial Probes (STP), da agência espacial, com o objetivo de entender melhor a natureza do espaço e as interações entre o ambiente terrestre e espacial. Enquanto missão de ciência, a GLIDE vai estudar as variações na exosfera da Terra por meio do rastreamento da luz ultravioleta emitida pelo hidrogênio. Essa região é a camada de atmosfera mais externa da Terra que tem contato com o espaço, e permite que os átomos “fujam” do nosso planeta.

Ilustração das partículas do vento solar (Imagem: Reprodução/NASA)

Se um telescópio fosse observá-la em toda a sua extensão, o instrumento teria que estar fora do alcance da exosfera, que se estende quase até a Lua. Então, a trajetória do lançamento da IMAP para o ponto lagrangiano no sistema Terra-Sol, que permite uma visão privilegiada e contínua da nossa estrela, irá fornecer esta perspectiva para a GLIDE, que foi criada especialmente para realizar observações contínuas da exosfera e suas variações em resposta às tempestades solares. Com orçamento de U$ 75 milhões, a missão vai trabalhar em observações em uma taxa alta enquanto estuda toda a exosfera, produzindo dados abrangentes e globais.

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E com orçamento de U$ 65 milhões, a missão Solar Cruiser foi selecionada como missão de demonstração de tecnologia para apresentar o uso dos fótons solares como propulsores no espaço — algo similar a como vem sendo feito com a Light Sail 2, da Sociedade Planetária. A missão consiste em uma vela solar de quase 1.700 metros quadrados, com um sistema que irá demonstrar como usar a radiação solar como um sistema de propulsão — na prática, isso poderia conferir acesso a novas órbitas e realizar observações do espaço profundo e em órbitas estacionárias com os SmallSats. A Solar Cruiser deverá demonstrar uma só órbita dessas, na qual uma nave consegue se manter na linha ao longo do sistema Terra-Sol em um ponto mais próximo da nossa estrela do que o ponto lagrangiano L1. Na prática, uma nave mais próxima do Sol poderá permitir que os cientistas consigam monitorar melhor as tempestades solares com destino ao nosso planeta.

Além disso, uma segunda Missão de Oportunidade do STP foi contemplada com fundos para a seleção final, o que irá depender do orçamento e oportunidades do RideShare. Trata-se da Spatial/Spectral Imaging of Heliospheric Lyman Alpha (SIHLA), que propõe usar técnicas inovadoras para mapear todo o céu e, assim, determinar a forma e mecanismos existentes entre a heliosfera (a área onde há influência magnética do Sol) e o meio interestelar. “O estudo da influência solar no espaço interplanetário e na área em torno da Terra fez grandes avanços na última década", disse Thomas Zurbuchen, administrador associado de ciência na NASA. "Estou confiante que a próxima década promete ainda mais descobertas e inovações tecnológicas históricas”, finaliza.

Fonte: NASA

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