Devido a sanções dos Estados Unidos, Rússia ameaça abandonar a ISS em 2025

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 09 de Junho de 2021 às 16h10
cookelma/Envato

Se os Estados Unidos não suspenderem sanções estabelecidas contra o setor espacial russo, pode ser que a Rússia deixe o programa da Estação Espacial Internacional (ISS) em 2025. Ao menos é o que afirmou Dmitry Rogozin, diretor da agência espacial russa Roscosmos, durante uma reunião realizada nesta semana. Anteriormente, a Rússia já havia sinalizado que considera sair do programa para desenvolver uma estação espacial própria, por sinal.

De acordo com Rogozin, se as sanções não forem suspensas em um futuro próximo, a saída da Rússia será um problema de responsabilidade dos parceiros norte-americanos: “ou trabalhamos juntos — e, neste caso, as sanções serão suspensas imediatamente — ou não trabalharemos juntos e lançaremos nossa própria estação”, disse ele. O país tem planos para lançar um novo módulo de acoplagem à ISS em breve, que pode servir também como uma porta para um complexo independente.

Segundo ele, as sanções estão impedindo que a Rússia lance alguns satélites, porque o país não consegue importar microchips necessários para seu programa espacial — mas, por outro lado, estes componentes estão em falta em todo o mundo devido à redução na produção durante a pandemia de COVID-19. As sanções foram impostas aos oficiais russos pelos Estados Unidos e outros países ocidentais devido a ações militares realizadas na Crimeia.

Embora tenha o acordo com a ISS pelos próximos anos, diversos elementos russos da ISS já dão sinais sérios de desgaste (Imagem: Reprodução/NASA/Roscosmos)

NASA afirma que Rogozin fez uma “ligação de apresentação” para Bill Nelson, administrador da agência espacial norte-americana, em que tiveram uma discussão produtiva sobre a cooperação contínua entre os dois países, e reforçou o compromisso da NASA para a manutenção da parceria. Entretanto, uma declaração feita pela Roscosmos na última sexta-feira (4) aponta que as sanções e falta de informações oficiais sobre o futuro do laboratório orbital vêm dificultando essa cooperação.

A ISS já se aproxima de sua desativação, de modo que as atividades devem continuar pelo menos até 2024; nisso, a Rússia já sinalizou que pode decidir, em breve, que não vale mais a pena levar seus cosmonautas ao laboratório orbital — mas, de qualquer forma, a decisão será tomada depois de 2024 com base na situação dos módulos da estação, que já passam dos 20 anos de uso. Diversos países parceiros estão negociando uma extensão do uso da ISS até 2028, mas a Rússia ressalta que será necessário se sentir mais segura para seguir por mais tempo no programa.

Em uma entrevista recente à CNN Business, Nelson afirmou que não seria bom que os russos deixem o programa: “colaboramos há décadas com os russos no espaço, e quero que essa cooperação continue”, disse. Os Estados Unidos e Rússia são os principais parceiros do programa da ISS desde o fim da União Soviética, na década de 1990, que foi quando o acordo da ISS foi alterado para incluir a participação russa. A estação é a maior plataforma de pesquisa científica e colaboração em órbita e conta com a participação dos Estados Unidos, Rússia, Canadá, Japão e diversos países da Europa por meio da Agência Espacial Europeia.

Fonte: Space.com, CNBC

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