Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (26/06 a 02/07/2021)

Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (26/06 a 02/07/2021)

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 03 de Julho de 2021 às 11h00
NASA/Cassini/VIMS/W. Letian/ESA/Hubble Legacy/F. Serrano

Chegamos a mais um sábado, dia de conferir as imagens astronômicas que a NASA selecionou ao longo da semana para seu site Astronomy Picture of the Day (APOD). Antes de viajar rumo aos objetos distantes deste compilado, com fotos que mostram a nebulosa de Órion, uma aurora em Saturno e até o nascimento das primeiras estrelas do universo, aproveite para conferir alguns registros feitos na Terra, que trouxeram imagens impressionantes.

Em um deles, o fotógrafo conseguiu registrar a Estação Espacial Internacional e a nova Estação Espacial Chinesa enquanto passavam em frente ao Sol. Nosso astro também brilhou — com o perdão pelo trocadilho — em outra foto de um eclipse solar, que, talvez, seja um pouco diferente de outros que você já tenha visto. É que ali a nossa estrela aparece com uma textura rugosa, que lembra até a textura de uma tela de pintura. 

Vamos lá?

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Sábado (26) — Trânsito das estações espaciais 

(Imagem: Reprodução/Wang Letian - Eyes at Night)

Já pensou em fotografar as estações espaciais enquanto passam em frente ao Sol? Pois foi exatamente o que este fotógrafo fez aqui. Com um telescópio solar e um filtro alfa de hidrogênio em mãos, que recebe luz da linha espectral de hidrogênio alfa e, por isso, revela vários detalhes nítidos do disco solar, ele produziu imagens com detalhes interessantes da Estação Espacial Internacional (ISS) e da Estação Espacial Chinesa (CSS).

As duas fotos foram feitas em Pequim, na China, e cada uma delas mostra uma estação espacial diferente. A imagem superior traz a CSS passando um pouco abaixo da região AR2827 do Sol, conhecida por sua atividade. Já a ISS, na foto inferior, aparece quase ao centro da imagem enquanto cruza o disco solar, à esquerda da região AR2833 e abaixo de um filamento solar ativo. Ambas as fotos foram feitas com o mesmo equipamento e na mesma escala — a ISS estava a cerca de 492 km de distância da câmera, e a CSS a aproximadamente 400 km de distância. Para comparação, o Sol fica a cerca de 140 milhões de quilômetros da Terra. Nas fotos, as estações espaciais parecem estar próximas do Sol, mas isso é apenas impressão!

Domingo (27) — Aurora em Saturno  

(Imagem: Reprodução/NASA, Cassini, VIMS Team, U. Arizona, U. Leicester, JPL, ASI)

Lançada em 15 de outubro de 1997, foi somente em 2004 que a sonda Cassini alcançou a órbita de Saturno. A missão estudou o gigante gasoso durante vários anos, e as imagens que registrou continuam rendendo descobertas. Para entender como ocorrem as auroras de Saturno — e, consequentemente, compreender melhor as que acontecem por aqui — , uma equipe de cientistas analisou centenas de imagens do planeta, feitas pela sonda em 2008. A ideia era encontrar fotos que permitissem relacionar mudanças para que, depois, eles produzissem vídeos para entender o fenômeno.

Dito isso, ficamos então com esta imagem colorida do gigante gasoso, que mostra três diferentes bandas de luz infravermelha. Os anéis refletem uma luz azulada, enquanto o planeta brilha com menor intensidade energética. Perceba que, no hemisfério sul, há uma aurora com brilho esverdeado, que se estende por cerca de 1.000 km na região polar de Saturno.

Pois bem: eles descobriram que as auroras em Saturno podem ocorrer sem depender somente do ângulo de incidência da luz solar, mas também da rotação do planeta e, para completar, as mudanças das auroras parecem estar relacionadas a movimentos ondulatórios na magnetosfera, possivelmente causados pelas luas de Saturno.

Segunda-feira (28) — Eclipse solar "diferente"

(Imagem: Reprodução/Wang Letian - Eyes at Night)

No início de junho, houve um eclipse solar que proporcionou belas fotos da Lua passando entre a Terra e a nossa estrela. O fenômeno também resultou em uma imagem que mostra o Sol com uma textura diferente, quase parecida com a de uma tela de pintura. Na verdade, o que você vê acima é uma foto composta de duas exposições do eclipse em Xilin Gol, na China.

A primeira foi feita com um telescópio regular, que fez uma captura superexposta do Sol — ou seja, uma foto com luz "estourada" —, junto da Lua subexposta e, portanto, mais escura. Já a segunda foto foi feita com um telescópio solar, que registrou a cromosfera do Sol, uma camada irregular que se estende por cerca de 10 mil km acima da fotosfera e com temperaturas podem chegar a 20.000 ºC. Com tanto calor, o hidrogênio emite luz com cor avermelhada, que resultou na textura que nossa estrela parece ter nessa imagem final.

Terça-feira (29) — Nebulosa de Órion

(Imagem: Reprodução/NASA, ESA, Hubble Legacy Archive/Francisco Javier Pobes Serrano)

Entre as várias contribuições impressionantes já proporcionadas pelo telescópio espacial Hubble, que já passa dos 30 anos de operação, estão belíssimas fotos do universo, como esta imagem da nebulosa de Orion. Também chamada de Messier 42 ou NGC 1976, a nebulosa fica na direção sul do "cinturão" da constelação de Órion, o Caçador. Aliás, compartilhamos com ela o mesmo braço da Via Láctea.

Esta nebulosa é cercada por gás brilhante, que envolve estrelas jovens nos limites de uma enorme nuvem molecular. Além de ser uma das regiões formadoras de estrelas mais próximas de nós, sendo que as estrelas mais energéticas dela dispersaram nuvens de gás e poeira que bloqueariam a nossa visão, essa nebulosa oferece uma excelente visão de "berçários estelares" e de como as estrelas recém-formadas podem evoluir.

Quarta-feira (30) — Nascem as primeiras estrelas 

Ainda falando sobre o nascimento das estrelas, o computador SPHINX produziu uma simulação da formação estelar logo no início do universo, e um pouco do resultado está no vídeo acima. No lado esquerdo, há o início do tempo contado a partir do Big Bang, em milhões de anos. Perceba que, após 100 milhões de anos da grande expansão que deu origem a tudo, a matéria estava espalhada de forma bastante uniforme e o universo era preenchido por uma grande escuridão. Aos poucos, a matéria foi se agrupando em "bolsões" ricos em hidrogênio gasoso, que começou a formar as primeiras estrelas — no vídeo, o gás aparece em roxo, e a luz, em branco.

As partes douradas indicam radiação tão energética que ioniza o hidrogênio, separando os átomos do gás em elétrons e prótons. Essas regiões também indicam as estrelas mais massivas, que chegam ao fim de suas vidas explodindo em supernovas espetaculares. A simulação continua até o universo chegar a 550 milhões de anos, e os resultados estão sendo comparados a observações do espaço profundo. Depois, serão analisados junto a descobertas que serão feitas pelo telescópio espacial James Webb, que tem lançamento estimado para o fim de 2021.

Quinta-feira (01) —  "Selfie" em Marte

(Imagem: Reprodução/ NASA, JPL-Caltech, MSSS)

Em fevereiro, o rover Perseverance fez um belo pouso em Marte. Preso à “barriga” do veículo, estava o helicóptero Ingenuity, uma demonstração de tecnologia que já fez oito voos de sucesso no Planeta Vermelho.

No dia 6 de abril — ou no sol 46 da missão —, a câmera WATSON, instalada no do braço robótico do rover, fez essa “selfie” dos dois. As câmeras na "cabeça" do rover parecem estar olhando para a câmera WATSON no braço robótico. No lado esquerdo da imagem, vemos o Ingenuity na superfície, a cerca de 4 m do rover.

Sexta-feira (02) — Fotosfera em detalhes  

(Imagem: Reprodução/Michael Teoh, Heng Ee Observatory, Penang, Malaysia)

O Sol é formado por diversas camadas. A mais externa delas é a coroa, que se estende por mais de 2.000 km acima da superfície solar. Já a fotosfera, a mais profunda, é aquela que pode ser observada diretamente — e é também a camada que vemos nesta foto. É na fotosfera que ficam as manchas solares, formações parecidas com ilhas escuras, que podem chegar ao tamanho de planetas ou até maiores do que eles.

As manchas costumam ocorrer nas regiões mais ativas da nossa estrela e, como são um pouquinho mais frias que seus arredores, têm cor mais escura — a superfície solar chega aos 6.000 K, enquanto as manchas têm temperatura de aproximadamente 4.000 K. As desta foto pertencem à região AR2835, que foi registrada em um campo de visão equivalente a dez vezes o diâmetro da Terra. Essas regiões ativas têm fortes campos magnéticos e costumam ser as responsáveis por manchas solares e ejeções de massas coronais, que afetam o clima espacial.

Fonte: APOD

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