Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (15/01 a 21/01/2022)

Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (15/01 a 21/01/2022)

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 22 de Janeiro de 2022 às 11h00
M. Carter/NAOJ/NASA/ESA/NSF/J. Ruuth/Telescope Live

Nesta semana, as imagens astronômicas escolhidas pela NASA estão bastante variadas. Você confere uma nuvem cumolonimbus, conhecida por sua relação com fortes tempestades, fotografada com cores espetaculares vindas do pôr do Sol. Outro registro, produzido a partir de 18 exposições, mostra diversas constelações e galáxias no céu noturno. Será que você consegue encontrá-las?

Claro que as imagens de nebulosas e outros objetos fascinantes não poderiam ficar de fora do compilado, e você também os encontrará por aqui. Desta vez, há um registro que mostra a galáxia de Andrômeda em detalhes, e até jatos estelares gêmeos expelidos por uma estrela jovem.

Confira a seleção do Astronomy Picture of the Day (APOD) desta semana:

Sábado (15) — Uma visita à lua Europa

Europa, satélite natural de Júpiter, é um pouco menor que a nossa Lua (Imagem: ReproduçãoNASA, JPL-Caltech, SETI Institute, Cynthia Phillips, Marty Valenti)

Em 1989, a NASA lançou a missão Galileo com destino a Júpiter e suas luas. A sonda chegou ao sistema do gigante gasoso em 1995, que foi seu lar por mais de 14 anos. Neste período, a Galileo conseguiu belíssimos registros de Europa, uma das luas de Júpiter. Vemos um deles aqui, com processamento digital para deixar as cores da lua mais próximas do que veríamos a olho nu.

Europa é um pouco menor que nossa Lua e leva 85 horas para viajar ao redor de Júpiter, seguindo sempre em uma trajetória elíptica. Apesar de este satélite natural ter superfície congelada, as fraturas longas e curvas que a atravessam sugerem a ocorrência de água em estado líquido escondida, que pode ser o resultado das interações gravitacionais entre Europa e o planeta.

É que, ao orbitar Júpiter, Europa sofre os efeitos das marés, em que a gravidade do gigante gasoso a “estica” e “contrai”; esse movimento gera energia suficiente para manter os oceanos da lua em estado líquido. Além dos efeitos que causa na água, talvez este processo possa também fornecer energia para o desenvolvimento de vida, o que torna esta lua um dos melhores lugares para a busca de seres vivos fora do nosso planeta.

Domingo (16) — Tempestade e o pôr do Sol

Nuvem cumolonimbus coloridas durante o pôr do Sol (Imagem: Reprodução/Alan Dyer (The Amazing Sky)

Este espetáculo de cores e formatos foi causado por uma nuvem tempestuosa se afastando do local em que o fotógrafo estava, enquanto o Sol começava a se pôr. A nuvem em questão é do tipo cumulonimbus, formada pelo vapor de água carregado por correntes de ar se movendo para cima. Estas nuvens surgem em altitudes que variam de 200 a 4 mil metros, têm estrutura densa e são capazes de causar raios, tornados e chuvas de granizo.

A cumulonimbus não estava sozinha neste dia. Se você observar a parte dianteira dela, encontrará algumas formas arredondadas, típicas das nuvens mammatus. Elas têm este nome por lembrarem o formato de seios, e também têm relação com tempestades intensas — tanto que, quando aparecem nas nuvens cumulonimbus, sinalizam que uma tempestade particularmente forte acontecerá em breve.

Esta foto foi feita na província de Alberta, no Canadá, em 2013. As nuvens estavam se movendo para a direção leste e, enquanto isso, o Sol já se punha no oeste, conferindo os belos tons de laranja e rosa às nuvens, em contraste com o azul do céu. Já no lado direito da imagem, vemos a Lua nascendo.

Segunda-feira (17) — Poeira escura no espaço

Complexo de nebulsoas escuras na constelação do Camaleão (Imagem: Reprodução/Jarmo Ruuth, Telescope Live, Heaven's Mirror Observatory)

Às vezes, a poeira escura presente no espaço interestelar (o nome dado ao espaço entre as estrelas de alguma galáxia) consegue criar formas graciosas e elegantes. Por exemplo, a imagem acima, da constelação do Camaleão, mostra uma nebulosa escura, mas que tem algumas regiões iluminadas. As nebulosas escuras são conhecidas por terem alta concentração de poeira, que dispersa e absorve a luz visível.

Normalmente, estas estruturas são tão escuras que se destacam por bloquearem a luz visível vinda das estrelas e galáxias ao fundo. No caso desta nebulosa, a poeira dela brilha graças a emissões de luz vermelha e quase infravermelha, que conferem um brilho marrom. Já do lado direito da foto, está a estrela Beta Chamaeleontis, a terceira mais brilhante da constelação, que nos chama a atenção com seu brilho azulado refletido por nuvens de poeira por perto.

Acima da estrela, há outra forma luminosa de destaque; trata-se da galáxia IC 3104, uma galáxia irregular que pode facilmente ser vista por observadores no hemisfério sul durante grande parte do ano. O complexo de nebulosas escuras foi registrado a partir de dados do telescópio Heaven’s Mirror Observatory, na Austrália.

Terça-feira (18) — Cruzeiro do Sul, Órion e mais

O fotógrafo capturou a constelação e nebulosa de Órion, a Grande e Pequena Nuvem de Magalhães, entre outros vários objetos (Imagem: Reprodução/Lucy Yunxi Hu)

Foram necessárias 18 exposições até o fotógrafo conseguir este belíssimo registro de vários objetos no céu noturno, sendo que alguns deles são bem familiares para nós. Por exemplo, no lado esquerdo, está a constelação de Órion, o Caçador; na parte central dela, estão as estrelas Alnitak, Alnilam e Mintak, que formam o “cinturão” e também são popularmente conhecidas como “Três Marias”.

Já no canto superior direito da foto estão a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães, as duas galáxias-satélite (classificação dada às galáxias gravitacionalmente presas à nossa) mais brilhantes da Via Láctea. Ambas orbitam a Via Láctea uma vez a cada 1,5 milhão de anos, e completam órbitas entre si a cada 900 milhões de anos.

Ainda no lado direito da foto, um pouco acima do horizonte, está a constelação Cruz — ou “Cruzeiro do Sul”, como é popularmente conhecida. Esta constelação é uma das mais fáceis de se identificar no céu noturno, porque suas quatro estrelas principais são bem brilhantes. Em sua direção ocidental, fica o aglomerado Caixa de Joias, um belíssimo aglomerado estelar aberto.

Quarta-feira (19) — Galáxia de Andrômeda

A Galáxia de Andrômeda, localizada a cerca de 2,5 milhões de anos-luz de nós (Imagem: Reprodução/Subaru (NAOJ), Hubble (NASA/ESA), Mayall (NSF)/R. Gendler & R. Croman)

Esta é a galáxia de Andrômeda, considerada o objeto mais distante de nós que, mesmo assim, pode ser visto a olho nu. Ela é uma galáxia do tipo espiral que fica a aproximadamente 2,5 milhões de anos-luz do nosso planeta, em direção à constelação de Andrômeda. Se estiver em um lugar escuro o suficiente e distante da poluição luminosa, você a encontra parecendo uma nuvem difusa no céu noturno.

Nesta imagem, o núcleo da galáxia aparece em amarelo, enquanto regiões de poeira mostram tons mais escuros; já as áreas em azul são formadas por aglomerados estelares, enquanto nebulosas aparecem em vermelho. As estimativas apontam que Andrômeda tem cerca de um trilhão de estrelas — para comparação, considere que este número é equivale ao dobro da quantidade das estrelas da Via Láctea.

No futuro, Andrômeda e a nossa galáxia deverão se encontrar. Ambas estão se atraindo mutuamente em função da gravidade que atua entre elas e, quando se fundirem, dificilmente as estrelas vão colidir entre si, já que há espaço demais entre elas para isso acontecer. Por outro lado, as interações gravitacionais devem afetar a localização das estrelas — e isso vale para o Sol e os planetas do Sistema Solar, que serão afetados como consequência.

Quinta-feira (20) — Uma grande nebulosa

Nebulosa NGC 7822, formada por estrelas jovens e pilares de gás e poeira (Imagem: Reprodução/Mark Carter)

Aqui, temos a nebulosa NGC 7822. Localizada a aproximadamente 3.000 anos-luz de nós, esta nebulosa fica bem na borda de uma enorme nuvem molecular em direção à constelação Cepheus, o Cefeu, e é acompanhada por várias estrelas jovens e pilares cósmicos formados por gás e poeira — a idade dos componentes mais “bebês” delas não passa de alguns milhões de anos.

Esta imagem inclui o mapeamento da emissão de oxigênio atômico, hidrogênio e enxofre, que aparecem em tons de azul, verde e vermelho, respectivamente. A emissão é alimentada pelas estrelas quentes no interior da nebulosa através da ação dos ventos estelares e radiação, que ajudam a “esculpir” e abrir caminhos em meio aos pilares de poeira mais densos.

O resultado deste processo é a formação de uma cavidade, que se espalha por alguns anos-luz a partir da nuvem que lhe deu origem. É possível que, dentro destes pilares, ainda haja estrelas em formação a partir do colapso gravitacional da matéria deles; por outro lado, conforme os pilares são desgastados, o material poderia alimentar as estrelas em formação acaba indo embora.

Sexta-feira (21) — Jatos estelares

Jatos estelares vindos das interações entre as estrelas e nuvens gasosas por perto (Imagem: Reprodução/International Gemini Observatory / NOIRLab / NSF / AURA/L. Ferrero (Universidad Nacional de Córdoba)

Uma estrela jovem, escondida no interior de uma nuvem escura, é a grande responsável por este jato estelar a aproximadamente 10 mil anos-luz de nós, localizado bem na fronteira entre as constelações de Sagitário e Ophiuchus. Chamada "MHO 2147", a emissão tem estrutura que lembra a forma da letra "S", e talvez seja causada pela atração gravitacional de outras estrelas por perto.

Os jatos estelares jovens são um produto comum da formação estelar. Eles vêm de interações entre o campo magnético destas estrelas na "infância", em constante rotação, junto dos discos de gás ao redor delas; depois, as interações expelem fluxos gêmeos de gás ionizado que segue em direções opostas, como é o caso do jato que você viu na imagem acima. Apesar de a maioria deles ter forma reta, alguns podem ser ondulados.

No caso do MHO 2147, a forma sinuosa se deve a mudanças ocorridas na direção do jato ao longo do tempo, que foram formando uma curva delicada em cada lado da estrela jovem no centro, escondida no interior de uma nuvem gasosa fria e densa. Observações sugerem que a estrela seja, talvez, um sistema estelar triplo separado por mais de 300 bilhões de quilômetros.

Fonte: APOD

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