Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (13/03 a 19/03/2021)

Por Daniele Cavalcante | 20 de Março de 2021 às 11h00
NASA/ESA/MAST/Alexandra Nachman/Alan Pham/Mia Stålnacke

A compilação das imagens astronômicas desta semana está um pouco diferente. É que além das fotos, há também alguns áudios bem interessantes, como sons de meteoros e de lasers em Marte. É isso mesmo! À medida que a NASA continua os testes dos instrumentos do Perseverance, algumas novidades são compartilhadas com o público, e entre elas estão os primeiros áudios de Marte gravados pelo rover. Assim, a agência espacial estadunidense publicou uma imagem de alta resolução do Planeta Vermelho junto do som de um laser vaporizando uma rocha.

O outro áudio é o de meteoros atravessando a atmosfera terrestre. Na verdade, trata-se de um método bem interessante que permite gravar sons desses objetos em um aparelho bem comum: o rádio. Além disso, há imagens de nebulosas e uma paisagem desolada de Vênus. Confira abaixo todas as imagens astronômicas da semana!

Sábado (13/03) — Som de lasers em Marte

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/LANL/CNES/CNRS)

Essa imagem astronômica vem acompanhada de um áudio! Trata-se da primeira gravação acústica de disparos de laser em Marte, feita pelo rover Perseverance. No dia 2 de março, a SuperCam, que fica no topo do mastro do rover, disparou um laser em uma rocha chamada Ma'az (que significa “Marte” em Navajo). Foram 30 disparos a uma distância de aproximadamente 3,1 metros. Enquanto pedaços da rocha eram vaporizados, o microfone da SuperCam gravou os sons que parecem bem suaves, considerando o que estava acontecendo com a Ma'az naquele momento.

Enquanto a rocha era fulminada pelos disparos de laser, uma nuvem se formou, e por isso as câmeras do equipamento e seus espectrômetros foram capazes de analisar a composição da Ma'az. Ondas de choque criadas na fina atmosfera marciana à medida que os pedaços de rocha eram atingidas produzem sons que também oferecem pistas sobre a estrutura física do alvo.

A gravação também demonstra que o microfone fornece um sinal de alta qualidade para as análises científicas, o que deixou a equipe da missão muito satisfeita e entusiasmada com as possibilidades de pesquisas que poderão ser feitas com os dados obtidos. Confira abaixo o áudio dos lasers em Marte.

Domingo (14/03) — Aurora multicolorida

(Imagem: Reprodução/Mia Stålnacke)

Essa aurora parece diferente das outras porque veio com outras cores além do verde característico. Essas faixas com 50 km de altura apareceram em meados de março de 2015, graças a uma ejeção de massa coronal altamente energética enviada pelo Sol em direção à Terra, em uma das tempestades geomagnéticas mais intensas dos últimos anos. O resultado visual foi uma série de auroras amplamente espalhadas, avistadas em muitos países próximos aos polos magnéticos do planeta.

Especificamente, esta aurora multicolorida apareceu em Kiruna, Suécia. A faixa tem em posição anormal e reta, com uma cor verde na parte baixa da atmosfera da Terra e o vermelho muitos quilômetros acima. Não se sabe ao certo onde a aurora roxa tem origem, mas pode ser que esteja relacionada a uma aurora azul, também incomum, em uma altitude ainda mais baixa do que a verde. Neste momento, o Sol está na fase de atividade mínima, mas em meados desta década ele atingirá o máximo solar, trazendo auroras com maior frequência às noites terrestres.

Segunda-feira (15/03) — O som dos meteoros

Certo, você acabou de ouvir os sons de lasers em Marte, mas por acaso já ouviu um meteoro? Os meteoros costumam estar muito longe se fazer audível (ainda bem!), mas isso não significa que a travessia da rocha espacial pela nossa atmosfera seja silenciosa. Na verdade, há alguns sons que você pode ouvir, mesmo a uma relativa distância. É que a trilha de ionização deixada pelo meteoro pode emitir um sinal de rádio, e os especialistas podem "sintonizar" na "estação meteórica", em um aparelho de rádio comum.

No vídeo acima, os sinais de rádio foram captados através de um receptor sensível. Simultaneamente aos áudios gravados, vemos os riscos brilhantes capturados por uma câmera que monitora o céu noturno. Os sons se parecem tanto com invasões alienígenas dos filmes de ficção científica ou jogos de videogames que, realmente, é ótimo que não possamos ouvi-los durante uma chuva de meteoros!

Terça-fera (16/03) — Nebulosa da Borboleta (Sadr)

(Imagem: Reprodução/Alan Pham)

Na constelação de Cisne, perto da nebulosa do Pelicano, fica uma nebulosa próxima a uma estrela conhecida como Sadr. Na verdade, a região que leva o mesmo nome é povoada por outras nebulosas, mas nesta imagem estamos olhando para a nebulosa Borboleta, chamada oficialmente de IC 1318 (não confundir com a nebulosa Borboleta catalogada como NGC 6302, que fica na constelação de Escorpião e é uma nebulosa planetária, enquanto a IC 1318 é do tipo de emissão)

As linhas intrincadas em meio ao gás iluminado por estrelas e na poeira escura são causados ​​por complexas interações entre ventos interestelares, pressões de radiação, campos magnéticos e gravidade. Seguindo a paleta de cores do telescópio Hubblem, podemos dizer quais elementos estão presentes: átimos ionizados de enxofre, hidrogênio e oxigênio representados pelas cores vermelho, verde e azul, respectivamente. Essa parte da nebulosa mede cerca de 100 anos-luz de comprimento e fica aproximadamente a 4.000 anos-luz de distância.

Quarta-feira (17/03) — Venus

(Imagem: Reprodução/Soviet Planetary Exploration Program/Venera 14/Donald Mitchell/Michael Carroll)

Se as imagens de Marte parecem insólitas, Vênus se revelou desolado e árido quando a missão soviética Venera 14 pousou por lá, em 1982. O módulo de pouso robótico atravessou a espessa atmosfera venusiana com a ajuda de paraquedas e conseguiu capturar imagens como esta. No canto inferior esquerdo está o penetrômetro, usado para fazer medições científicas, mas a Venera não resistiu às condições do planeta mais que uma hora.

Em Vênus, a temperatura fica em torno de 450 graus Celsius e a pressão atmosférica é 75 vezes maior que a de nosso planeta, por isso as missões por lá não foram tão frutíferas quanto as naves enviadas a Marte. Apesar disso, as imagens capturadas do planeta assolado pelas condições climáticas são valiosas, e ainda úteis para a ciência.

Quinta-feira (18/03) — Caos em Perseus

(Imagem: Reprodução/Kerry-Ann Lecky Hepburn/Stuart Heggie)

Esta é a nuvem molecular de Perseus, localizada a cerca de 850 anos-luz de distância, e as manchas escuras ao seu redor são poeira estelar. Como o nome sugere, a nuvem brilhante, catalogada como NGC 1333, fica na constelação de Perseus, mas há outras nebulosas visíveis, como a vdB 13, no canto superior direito, e a amarelada vdB 12, próxima ao topo do quadro.

Ali, na nuvem molecular, estrelas estão em formação, embora a maioria esteja oculta pela poeira, mas sabemos que elas estão lá porque os astrônomos podem vê-las em determinados comprimentos de onda. Também é possível ver indícios de emissão vermelha de objetos Herbig-Haro — pequenas áreas de nebulosidade associados a estrelas recém-formadas, resultado de gás ejetado pelas estrelas jovens colidindo com outras nuvens de gás próximas. Trata-se de um ambiente caótico, mas é assim que sistemas estelares, como o nosso Sistema Solar, se formam.

Sexta-feira (19/03) — Brilho no coração da Lagoa

(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/Hubble/MAST/Alexandra Nachman)

Nesta paisagem, composta tanto por infravermelho, está a Nebulosa da Lagoa. Se observássemos essa região em luz visível, veríamos uma imagem nítida do gás brilhante e nuvens de poeira escura, obscurecendo parte dos objetos interessantes. Mas a imagem infravermelha é capaz de revelar o que há por trás das nuvens espessas, revelando o coração dessa região de formação estelar e estrelas recém-nascidas espalhadas por ali. A nebulosa da Lagoa é catalogada como M8 e fica a cerca de 4.000 anos-luz de distância, na constelação de Sagitário.

No centro da nebulosa, há um objeto extremamente brilhante, o grande e jovem Herschel 36. Parece uma estrela, mas é um sistema múltiplo de estrelas massivas, somando mais de 30 massas solares. O objeto tem menos de 1 milhão de anos e a estrela mais massiva por ali terá uma vida bem curta, de apenas 5 milhões de anos.

Fonte: APOD

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