Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (06/03 a 12/03/2021)

Por Daniele Cavalcante | 13 de Março de 2021 às 11h00
NASA/ESA/Hubble/HLA/Luis Romero/Y. Akar/N. Lefaudeux

Mais um sábado, mais uma compilação de imagens astronômicas que a NASA publica todos os dias em seu site Astronomy Picture of the Day (ou simplesmente APOD). Adivinha o que temos dessa vez? Isso mesmo, mais imagens de Marte. O Planeta Vermelho é um dos astros — sem trocadilhos — do momento, em grande parte devido ao pouso bem-sucedido do Perseverance por lá.

Entretanto, como nas semanas anteriores, nem só de Marte vive o APOD. Há incríveis cenários terrestres em contraste com o céu noturno recheado de objetos cósmicos para lá de interessantes, nebulosas, galáxias, e até mesmo o retorno de uma das maiores sensações astronômicas de 2020: o cometa C/2020 F3 NEOWISE.

Sem mais delongas, vamos às imagens!

Sábado (06/03) — Rastros do Perseverance

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/Mars 2020)

Embora o Perseverance já esteja enviando suas primeiras análises em alta qualidade do solo marciano, o rover ainda passa por testes de engenharia e software para garantir que tudo está funcionando direitinho. Estes rastros são parte de um desses testes. No dia 4 de março, a NASA colocou o Percy para andar quatro metros, fazer uma curva de 150 graus e recuar 2,5 metros. Esse procedimento levou cerca de 33 minutos e a caminhada somou 6,5 metros. Tudo correu conforme o esperado.

Agora, após essa pequena caminhada, o rover está em uma localização ligeiramente diferente de seu local de pouso, que foi batizado como Octavia E. Butler, em homenagem a uma escritora de ficção científica. Butler escreveu um romance chamado Parábola do Semeador (1993), no qual disse que “Marte é uma rocha — frio, vazio, quase sem ar, morto. Mesmo assim, de certa maneira, é de certa forma o paraíso”. Embora as imagens do Perseverance mostrem esse cenário que parece deprimente, de um certo ponto de vista, as expectativas são de que um maior conhecimento sobre o Planeta Vermelho traga novos avanços para a ciência humana.

Domingo (07/03) — Pilares da Criação

(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/Hubble/HLA/Luis Romero)

A Nebulosa da Águia se tornou um dos objetos mais icônicos do universo e um dos alvos favoritos dos telescópios ao redor do mundo, tudo graças à imagem capturada pelo Telescópio Espacial Hubble em 1995 — uma das mais famosas fotos do observatório espacial. Nesta imagem, um pouco diferente daquela de 1995, a nebulosa está cercada por um espaço que parece mais estrelado. Esta região está localizada a cerca de 6.500 a 7.000 anos-luz da Terra e, na verdade, é apenas uma parte da nebulosa, que é algo ainda maior, com 55 a 70 anos-luz de diâmetro. Apelidada de “Pilares da Criação”, a nebulosa se estende por cerca de 4 a 5 anos-luz.

As formas que lembram uma tromba de elefante na imagem são regiões formadoras de estrelas compostas por estruturas monolíticas incríveis de poeira e gás interestelar. A Nebulosa da Águia foi descoberta em 1745 pelo astrônomo suíço Jean-Philippe Loys de Chéseaux. Ela tem uma magnitude aparente de 6, o que significa que ela pode ser vista da Terra a olho nu, se você estiver em um local com céu bastante escuro, como em áreas rurais livres de poluição luminosa. Mas, para ver os pilares, é preciso ter um bom telescópio.

Segunda-feira (08/03) — Cometa C/2020 F3 NEOWISE

(Imagem: Reprodução/Nicolas Lefaudeux)

Às vezes, os cometas que se tornam visíveis aqui na Terra apresentam mais de uma cauda. No caso do NEOWISE, que passou por nós exibindo-se de modo espetacular no hemisfério norte e algumas regiões do hemisfério sul, há uma cauda vermelha peculiar. Ela apareceu ali por causa do sódio, ou melhor, um gás rico em átomos de sódio que pode ter sido liberado pelo núcleo do cometa NEOWISE à medida que ele se aproximava do Sol. Eletricamente carregado por raios ultravioleta de nossa estrela, o gás foi expulso pelo vento solar, formando uma terceira cauda no cometa.

Essa imagem foi capturada em meados de julho na Bretanha, França, e as cores são reais. As outras duas caudas são formadas por partículas poeira (cor branca) e ionização (azul). O cometa C/2020 F3 (NEOWISE) já se afastou do Sol, perdendo assim suas caudas, e agora se aproxima da órbita de Júpiter em uma longa viagem rumo à parte externa do Sistema Solar. Seu retorno será apenas daqui a 7.000 anos.

Terça-feira (09/03) — Um incrível panorama de Marte

Panoramas do Planeta Vermelho já não são uma novidade para os rovers da NASA presentes em Marte, mas este é uma daquelas imagens impressionantes que merecem uma certa atenção. Embora pareça pequena na visualização acima, a resolução dos dados enviados pelo Perseverance é alta o suficiente para ampliar a foto algumas vezes e observar detalhes distantes.

Além disso, a imagem panorâmica está em 360 graus, e você pode navegar por ela à vontade, ampliando e "caminhando" para os lados. Para essa navegação, é preciso clicar no ícone de expansão (as quatro setinhas) na imagem acima para visualizá-la em tela cheia. Depois é só aproveitar a vista privilegiada de Marte pelos "olhos" do Percy.

Quarta-feira (20/03) — NGC 1499

(Imagem: Reprodução/Yannick Akar)

O nome oficial desta nebulosa no catálogo de objetos astronômicos é NGC 1499, mas ela recebe o apelido de Nebulosa Califórnia porque seu formato lembra o estado californiano dos Estados Unidos. Trata-se de uma nebulosa de emissão localizado na constelação de Perseus e fica a uma distância de cerca de 1.000 anos-luz da Terra. Além disso, ela tem 100 anos-luz de comprimento, ou seja, se viajássemos à velocidade da luz levaríamos 100 anos para percorrê-la de ponta a ponta.

Na imagem, o brilho mais proeminente da Nebulosa Califórnia é a luz vermelha, que revela os átomos de hidrogênio que se recombinam com elétrons arrancados (ionizados) pela luz das estrelas. A estrela que provavelmente fornece a maior parte da luz energética que ioniza grande parte do gás é a Xi Persei, o farol azul logo à direita da nebulosa.

Quinta-feira (11/03) — Luz zodiacal marciana

(Imagem: Reprodução/Joshua Rhoades)

Como de costume, a NASA selecionou também durante a semana uma fotografia de uma paisagem terrestre em contraste com o céu repleto de objetos interessantes. Nesse caso, uma fraca faixa de luz ainda alcança o horizonte após o pôr-do-Sol nesta paisagem do céu de Illinois. Essa luz, entretanto, é o brilho conhecido como luz zodiacal. Ela costuma aparecer no oeste, logo ao cair da noite, e é melhor visualizada em lugares onde a poluição luminosa das cidades não atrapalhe. A luz zodiacal, causada pela dispersão da luz solar nas partículas de poeira que são encontradas em todo o Sistema Solar, é responsável por 60% da luz natural em uma noite sem Lua.

Mas o elemento mais interessante da imagem são os objetos cósmicos: Marte é o ponto amarelado brilhante no topo da imagem, logo acima do aglomerado de estrelas das Plêiades. Os dois objetos estiveram em conjunção bem próxima no dia 3 de março. Aliás, a luz zodiacal e Marte podem ter uma conexão mais profunda, de acordo com a NASA. É que uma análise recente de poeira interplanetária sugere que o Planeta Vermelho é a provável fonte da poeira que produz luz zodiacal.

Sexta-feira (12/03) — Messier 81

(Imagem: Reprodução/Wissam Ayoub)

Esta é a Messier 81, uma galáxia bem parecida com a Via Láctea. Também conhecida como NGC 3031 ou galáxia de Bode, trata-se de uma galáxia espiral localizada a cerca de doze milhões de anos-luz de distância da Terra, na direção da constelação de Ursa Maior. Seu tamanho é de aproximadamente trinta e seis mil anos-luz de diâmetro e pode ser que as faixas de poeira cósmica que passam pelo disco galáctico (à esquerda do centro) sejam o resultado de uma interação com a galáxia M82, que está próxima, mas ficou de fora deste cenário.

Fonte: APOD

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