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Constelações de satélites podem causar prejuízo incalculável à humanidade

Por| Editado por Patricia Gnipper | 21 de Março de 2023 às 16h56

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Imagem cedida ao Canaltech por Tiago Domezi
Imagem cedida ao Canaltech por Tiago Domezi

Uma série de artigos científicos reforçam o problema das constelações de satélites e os impactos que elas causam na astronomia. Os autores também fazem previsões preocupantes, como a estimativa de que o Observatório Vera Rubin será prejudicado por um céu 7,5% mais brilhante na próxima década.

A preocupação com os satélites lançados em massa não é recente. Em 2019, alguns observatórios já eram impactados por este problema, mais especificamente os satélites da Starlink, fundada pelo empresário Elon Musk.

Naquela época, Clarae Martínez-Vázquez, do Observatório Interamericano de Cerro Tololo, publicou uma imagem das observações das Nuvens de Magalhães, feitas com o telescópio Blanco 4m. Atravessando o céu, estava um conjunto de satélites Starlink.

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Desde então, muitas outras imagens semelhantes circularam pela internet, quase sempre denunciando observações parcialmente ou completamente estragadas pelos traços desenhados por satélites. À medida que as constelações artificiais crescem, a preocupação aumenta.

Um dos planos para um futuro próximo são da China, que pretende enviar à órbita baixa da Terra uma constelação de satélites para fornecer serviços de internet ao mundo inteiro. A ideia é competir com a Starlink com 13 mil satélites, e evitar um "monopólio" da empresa de Musk.

Publicados na Nature Astronomy, os artigos alertam que a poluição luminosa causada pelos satélites ameaça o futuro da astronomia. Em um deles, os pesquisadores mediram pela primeira vez o quanto o céu artificialmente mais luminoso pode afetar financeira e cientificamente o trabalho de um grande observatório.

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Como exemplo, os autores fizeram uma modelagem apontando que o Observatório Vera Rubin, um telescópio em construção no Chile e dono da maior câmera já construída para astronomia, herdará um céu noturno 7,5% mais brilhante na próxima década. Em outras palavras, reduzirá o número de estrelas observáveis em cerca de 7,5%.

Além do tempo desperdiçado — quase um ano a mais para pesquisas do observatório —, o prejuízo será de US$ 21,8 milhões, segundo John C. Barentine, da Dark Sky Consulting, uma empresa sediada no estado americano do Arizona. Ele também afirma que os eventos celestes que a humanidade nunca poderá observar serão prejuízo impossível de calcular.

Outro estudo mostrou que as medições atuais da poluição luminosa estão subestimando significativamente o problema, pois além dos prejuízos aos astrônomos e instituições como observatórios e agências espaciais, os satélites ameaçam também "nossa antiga relação com o céu noturno".

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“O espaço é nossa herança e ancestral compartilhado — nos conectando por meio da ciência, narrativa, arte, histórias de origem e tradições culturais — e agora está em risco”, disse a autora Aparna Venkatesan. Ela defende políticas regulatórias e estratégias de mitigação coordenadas globalmente, com urgência, “para proteger esse ambiente compartilhado e patrimônio imaterial”.

Por fim, um grupo de astrônomos da Espanha, Portugal e Itália publicou o terceiro artigo pedindo aos cientistas que parem com esse “ataque”. Eles disseram que “a perda do aspecto natural de um céu noturno intocado para todo o mundo [...] é uma ameaça global sem precedentes à natureza e ao patrimônio cultural".

Este artigo pede uma limitação drástica das megaconstelações, acrescentando que "não devemos rejeitar a possibilidade de bani-las". Para eles, "se não parar, essa loucura ficará cada vez pior" e seria "ingênuo esperar que a economia espacial em disparada se limite, se não for forçada a fazê-lo".

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Fonte: Nature Astronomy (1, 2, 3)