Conheça a história da cadela Laika, que viajou ao espaço a bordo da Sputnik II

Por Redação | 27 de Agosto de 2020 às 15h40
Domínio Público

Em 3 de novembro de 1957, a cadela Laika era enviada ao espaço a bordo da Sputnik II, morrendo entre cinco e sete horas depois do lançamento, muito antes do esperado pela equipe russa. A causa mortis da tripulante canina só foi revelada depois de décadas, em 2002, como sendo fruto do estresse causado pelo superaquecimento da cabine ao entrar em órbita.

Até então, as autoridades locais contavam que Laika havia morrido sem sofrer traumas e cerca de uma semana após o lançamento, mas, hoje, sabemos que a história verdadeira não foi bem essa.

Laika: boa garota em sua caminha espacial (Imagem: domínio publico)

Laika foi uma cadela sem raça definida, provavelmente mistura de husky siberiano com algum tipo de terrier da região. Ela tinha apenas três anos e pesava pouco mais de seis quilos quando foi capturada para servir ao programa espacial russo. Antes disso, ela vivia pelas ruas de Moscou. 

Uma confluência de motivos fez com que Laika fosse considerada a tripulante certa para o Sputnik II: o seu porte era adequado ao tamanho da cabine, ela não contava com a saúde frágil de cães com pedigree e tinha um temperamento dócil e calmo, além de seu pelo liso e curto ser capaz de segurar melhor os sensores necessários à operação.

Monumento em homenagem à cadela Laika em Moscou (Imagem: Reprodução/Flickr/James Vaughan)

O que muita gente não sabe é que Laika não foi o primeiro mamífero enviado para fora do planeta. Em 4 de junho de 1949, Albert II, um macaco, chegou a atingir 134 km de altitude antes de morrer por conta de impactos na aeronave que o carregava. Albert I, o macaco antecessor a ele, morreu durante o lançamento do foguete V-2. Outros dois macaquinhos, Albert III e IV, também foram mártires espaciais, morrendo durante lançamentos de seus foguetes devido a falhas nos paraquedas.

Os gateiros podem contar vantagem, entretanto. Félicette, a primeira gata a dar um rolê espacial, teve eletrodos implantados na pele do seu corpo, que transmitiam suas condições de saúde à equipe francesa que a enviou, em 18 de outubro de 1963, à altitude de 160 km. Ela voltou à superfície da Terra em segurança.

Félicette, a gatinha espacial francesa que sobreviveu à jornada (Imagem: domínio público)

Mas, voltando à história de Laika... Hoje, a notícia faz marejar os olhos de muitos por conta da cadelinha que morreu em angústia no espaço sideral, mas a verdade é que o lançamento significou um avanço tecnológico sem precedentes naquela época, durante a Corrida Espacial entre União Soviética e Estados Unidos, em plena Guerra Fria.

Mesmo que tenha sobrevivido por apenas algumas horas, a contribuição involuntária desta cadela foi gigantesca para a ciência espacial de sua época — com isso, os soviéticos conseguiram provar que um organismo vivo seria capaz de tolerar o ambiente espacial, fora da gravidade terrestre. Isso pavimentou o caminho para que os primeiros seres humanos fossem, mais tarde, lançados por meio de foguetes rumo ao espaço. A missão Sputnik II deu 2.570 voltas ao redor da Terra, sendo queimada durante a reentrada na atmosfera.

*Matéria originalmente publicada em 03/11/2017; atualizada e republicada em 27/08/2020

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