Cometa NEOWISE pode ser visto a olho nu no Brasil; saiba como observá-lo

Por Patrícia Gnipper | 21 de Julho de 2020 às 14h30
Declan Deval

*Com participação de Daniele Cavalcante

Descoberto no final de março deste ano, o cometa C/2020 F3 NEOWISE ainda tinha um brilho fraco, sendo impossível, naquela época, dar a certeza de que ele se tornaria visível a olho nu na Terra. Mas o tempo passou, seu brilho foi aumentando, e o cometa em questão acabou nos presenteando com sua aparição luminosa, inicialmente apenas por meio de telescópios e sondas espaciais e, logo depois, também a olho nu no hemisfério norte do planeta. Agora, ele deve ficar visível do Brasil — e nesta matéria você descobre como vê-lo a olho nu!

O cometa NEOWISE fotografado em Tucson, Arizona, EUA (Foto: Sean Parker)

"Deve", pois é um tanto arriscado afirmar que ele será mesmo visível a olho no de todo o Brasil. Tudo depende de diversos fatores, inclusive de o cometa sobreviver intacto à sua passagem por nossos arredores. Afinal, sempre há a chance de o objeto de despedaçar, como aconteceu com o Atlas recentemente — ainda que as chances de isso acontecer tenham sido maiores quando o NEOWISE estava em sua máxima aproximação com o Sol, algo que já aconteceu no dia 3 de julho. Além disso, o cometa vai perdendo seu brilho à medida que se afasta do Sol, e essa magnitude é um dos principais fatores que determinam sua visibilidade.

Ainda assim, as chances de vê-lo por aqui são boas, e conversamos com André Zamorano Vitorelli, astrofísico e pesquisador na USP (e colunista do Canaltech), para entender melhor essa história.

Quando e como poderemos ver o NEOWISE no Brasil

Vitorelli explica que "o cometa C/2020 F3 NEOWISE deve ser visível no Brasil durante o fim do mês de julho; mais precisamente, ele deve ficar visível no norte e nordeste do país a partir do dia 21, e em todo o país a partir do dia 26". Ele ressalta que a aparição do cometa para nós acontecerá sempre logo após o pôr do Sol, sendo necessário olhar o céu na direção noroeste. Para quem é de São Paulo, já será possível vê-lo a partir do dia 24.

A imagem acima, obtida com o software Stellarium, mostra a aparição do NEOWISE na cidade de Natal (RN) entre os dias 22 de julho a 4 de agosto às 18h30. Os valores entre parênteses mostram a magnitude aparente do cometa em cada dia analisado, sendo que, quanto menor o número, maior seu brilho (Imagem: André Vitorelli/Canaltech)

O astrofísico também explica que "por causa da magnitude de entre 5 e 6, o cometa só será visível a olho nu em lugares extremamente escuros, sem poluição luminosa". Ou seja: apesar de, sim, o NEOWISE em teoria ser visível no Brasil a partir do dia 23 deste mês, sua observação a olho nu depende diretamente do local onde estiver o observador. Quem se arriscar a vê-lo em centros urbanos, que são mais iluminados à noite, precisará ter em mãos um par de binóculos, ao menos, para conseguir observá-lo. Já "em agosto, o cometa não será mais visível a olho nu, mas deve continuar aparecendo em telescópios amadores", diz Vitorelli.

Aqui vemos no Stellarium como será a visualização do NEOWISE na cidade de São Paulo, onde ele aparece a partir do dia 24 de julho às 18h30 (Imagem: André Vitorelli/Canaltech)

A dica é tentar observar o cometa nos primeiros dias de sua aparição aqui no hemisfério sul, pois, a cada dia que passa, seu brilho fica cada vez mais fraco. Ele estará próximo ao horizonte na direção noroeste assim que começar a escurecer, então você deve estar em um lugar onde o horizonte esteja bem visível para vê-lo — e, novamente, deve fugir da poluição luminosa, buscando estar em locais mais afastados e, portanto, com o céu noturno mais escuro possível.

E saiba que esta é realmente uma chance única de ver o NEOWISE com seus próprios olhos: sua órbita ao redor do Sol leva 6.765 anos para se completar. Ou seja: sua última passagem pelos arredores da Terra aconteceu antes da invenção da escrita na Mesopotâmia. Como será que a humanidade estará quando ele passar novamente por aqui?

*Matéria originalmente publicada em 15/07/2020, atualizada e republicada em 21/07/2020

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