Com foco em Marte, plano da NASA para pousar na Lua pode sofrer grandes mudanças

Com foco em Marte, plano da NASA para pousar na Lua pode sofrer grandes mudanças

Por Daniele Cavalcante | 28 de Janeiro de 2020 às 20h00
NASA

A NASA tem enfrentado algumas dificuldades há alguns meses em conseguir apoio na Câmara para obter o financiamento necessário para retornar à Lua em 2024. Em 2019, o subcomitê responsável pela aprovação do orçamento para a política científica dos Estados Unidos disse que era melhor usar o cronograma original da NASA, que previa o novo pouso na Lua apenas em 2028. Agora, um novo projeto de lei também tenta mudar a estratégia da agência espacial.

Embora o Programa Artemis tenha como objetivo levar humanos de volta à superfície lunar, ele também serve como “trampolim” para chegar até Marte - por isso o plano tem sido chamado de “Moon to Mars”. A Lua, bem como a estação espacial lunar Gateway, seriam pontos de partida para futuras missões rumo ao solo marciano. Mas a nova proposta quer reduzir a ênfase no pouso na Lua e até mesmo os planos para essa estação.

Apresentado em janeiro de 2020 pelo democrata Kendra Horn, presidente do Comitê de Ciências da Câmara, o projeto de lei H.R. 5666 estabelece que "o programa Moon to Mars terá o objetivo provisório de enviar uma missão tripulada para a superfície lunar até 2028 e o objetivo de enviar uma missão tripulada para orbitar Marte até 2033".

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Conceito de módulo lunar do Programa Artemis (Imagem: Nasa)

Neste novo planejamento, a estação Gateway não precisaria mais ficar na órbita da Lua e seria conhecida como “Gateway to Mars”. Desse modo, ela não seria mais necessária aos pousos lunares. Outra mudança drástica é que a NASA deveria ter total posse do módulo de pouso lunar, que anteriormente seria fornecido por empresas comerciais. A agência espacial já havia apresentado um programa para as desenvolvedoras do módulo de pouso, e empresas como a Boeing já estavam projetando sua própria nave para fornecer à NASA.

Tudo isso é para garantir que os EUA sejam os primeiros a levar uma tripulação humana para Marte. "Os americanos devem ser os primeiros a pisar no Planeta Vermelho, e o H.R. 5666 nos aproxima desse objetivo, com um direcionamento de ação constante e sustentável", disse o deputado Horn, que tem apoiantes democratas e republicanos.

Caso o projeto seja aprovado pela Câmara e prevaleça sobre o projeto do Senado, a NASA deverá reduzir e muito as atividades que planejou para executar na superfície lunar após o pouso com a Missão Artemis. Assim, a agência fica liberada para se dedicar à missão humana em Marte. Além disso, a tão sonhada base lunar deixaria de estar sob a Missão Moon to Mars e, portanto, exigiria um financiamento separado. Os planos de investigar coisas como o gelo lunar também seriam deixados de fora da missão principal.

Ainda resta esperar pela aprovação do projeto. Até lá, a NASA deve tentar conseguir apoio na Câmara, caso queira manter os planos de pousar na Lua em 2024.

Fonte: Slashgear

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