A Lua é mais antiga do que imaginávamos, aponta estudo

Por Daniele Cavalcante | 02 de Agosto de 2019 às 11h12
NASA

Um novo estudo, realizado a partir de análises químicas das amostras lunares trazidas há 50 anos pelo Programa Apollo, sugere que a Lua é bem mais antiga do que os cientistas acreditavam. Até então, afirmava-se que nosso satélite natural foi formado 150 milhões de anos após o nascimento do Sistema Solar, mas os novos resultados sugerem que isso aconteceu apenas 50 milhões de anos após o surgimento do nosso sistema. 

As pesquisas foram conduzidas por cientistas do Instituto de Geologia e Mineralogia da Universidade de Colônia, na Alemanha. O resultado, publicado na Nature Geoscience, pode ajudar a entender melhor a idade da própria Terra, já que o material da Lua mantém o estado original praticamente inalterado, enquanto o solo terrestre, alterado por inúmeros processos geológicos, não oferece muitos registros primitivos sobre sua formação.

Nascimento da Lua

A teoria mais aceita é que a Lua se formou após uma colisão entre o planeta Terra e um corpo do tamanho de Marte, chamado Theia. O suposto evento é chamado de “hipótese do grande impacto”, e acredita-se que aconteceu na última fase do processo de formação da Terra. A colisão derreteu Theia a Terra perdeu parte do seu núcleo, e toda essa rocha derretida e o magma orbitaram ao redor do nosso planeta até se aglutinar e formar a Lua.

Existe muito debate sobre quando isso teria acontecido, e muitos acreditam que foi há pouco menos de 5 milhões de anos. Com o novo estudo, podemos estar mais próximos de uma resposta definitiva. A evidência vem das relações entre dois elementos raros: o háfnio e o tungstênio. O foco está nas quantidades dos elementos químicos encontrados em rochas de diferentes idades.

Imagem: Citronade

"Ao comparar as quantidades relativas de diferentes elementos em rochas que se formaram em diferentes épocas, é possível entender como cada amostra está relacionada com o interior lunar e com a solidificação do oceano de magma", disse o Dr. Raul Fonseca, da Universidade de Colônia. Junto com coautor do estudo, Dr. Felipe Leitzke, ele realizou experimentos de laboratório para estudar os processos geológicos que ocorreram no interior da Lua.

De acordo com a teoria, depois que Theia atingiu a Terra, criou-se uma nuvem de magma, que depois esfriou e formou a Lua. Com o resfriamento do magma, formaram-se diferentes tipos de rochas, que contêm um registro que os cientistas estão tentando recuperar. "Essas rochas registraram informações sobre a formação da Lua e ainda podem ser encontradas hoje na superfície lunar", diz o Dr. Maxwell Thiemens, ex-pesquisador da Universidade de Colônia e principal autor do estudo.

Relógio natural

Os dois elementos observados na pesquisa funcionam como um relógio contido na própria rocha. O háfnio 182 decai com o tempo e se transforma no isótopo de tungstênio 182. Acontece que isso não durou para sempre, mas apenas durante os primeiros 70 milhões de anos do Sistema Solar. A equipe comparou as amostras da Apollo com seus experimentos de laboratório e descobriu então que a Lua já começou a se solidificar a partir de 50 milhões de anos após a formação do Sistema Solar, e não 150 milhões.

“Essa informação sobre a idade significa que qualquer impacto gigantesco teria que ocorrer antes daquela época, o que responde a uma questão ferozmente debatida entre a comunidade científica sobre quando a Lua se formou”, acrescenta o professor Dr. Carsten Münker, do Instituto de Geologia e Mineralogia da UoC. do estudo.

As medições altamente precisas da equipe são baseadas em espectrometria de massas com plasma acoplado indutivamente, algo que não era possível no tempo da Apollo, que trouxe as amostras lunares para a Terra. 

Fonte: Universe Today

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