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Cientistas descobrem idade de Didymos e Dimorphos, alvos de missão da NASA

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NASA/Johns Hopkins APL/Steve Gribben
NASA/Johns Hopkins APL/Steve Gribben

Os dados obtidos pela missão DART, da NASA, vêm ajudando os cientistas a descobrir mais sobre os asteroides Didymos e Dimorphos, as rochas espaciais escolhidas para a missão. Em cinco estudos divulgados pela NASA nesta terça (30), cientistas exploraram a geologia, origem e evolução dos objetos. 

Didymos mede cerca de 780 m de diâmetro, e Dimorphos, sua lua, mede 160 m. Eles não oferecem riscos para a Terra, mas como estão relativamente próximos do nosso planeta, foram selecionados para a DART (sigla de “Double Asteroid Redirection Test”), a primeira missão de defesa planetária da NASA. A ideia era testar uma técnica que, um dia, pode servir para desviar algum asteroide perigoso a caminho da Terra, se houver algum. 

Foi em 2023 que a DART se chocou com Dimorphos para tentar alterar sua órbita — e conseguiu, com louvor. Mas, antes da colisão, a DART aproveitou a oportunidade para tirar fotos dos asteroides, enquanto o satélite italiano LICIACube capturava outras imagens. 

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Cientistas liderados por Olivier Barnouin, da Universidade Johns Hopkins, analisaram os dados para estudar a superfície de Didymos. “As imagens e os dados que a DART coletou no sistema Didymos proporcionaram uma oportunidade única para uma visão geológica de perto de um sistema binário de asteroides próximos da Terra”, comentou ele.

Eles descobriram que o asteroide tem relevo irregular, com grandes rochas e algumas crateras nas maiores elevações; nas menores, sua textura e torna mais suave. Já Dimorphos é coberto por rochas de tamanho variado, mas com menos crateras. Para Barnouin e seus colegas, isso significa que Dimorphos deve ter se formado do material ejetado de Didymos, que acabou se agrupando em uma nova rocha espacial por meio da gravidade.

Idade de Didymos e Dimorphos

Através do número de crateras em ambos, eles determinaram que Didymos deve ter 12,5 milhões de anos, enquanto Dimorphos teria 0,3 milhões de anos. Portanto, o asteroide maior deve ser de 40 a 130 vezes mais antigo que sua pequena lua.

Enquanto isso, cientistas liderados por Maurizio Pajola, do Observatório Astronômico de Padova (INAF), analisaram o tamanho das rochas e sua distribuição por Dimorphos, e concluíram que elas se formaram em diferentes momentos. Isso sugere que as rochas que cobrem Dimorphos foram “herdadas” de Didymos, reforçando a ideia de que as luas nos sistemas de asteroides binários vieram dos objetos maiores ali.

Em paralelo, pesquisadores liderados por Naomi Murdoch, da Universidade de Toulose, analisaram os rastros na superfície de Didymos deixados por rochas. Eles concluíram que a superfície da rocha espacial é feita de material tão pouco agrupado que poderia suportar um peso muito menor que a areia seca na Terra.

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Ainda, cientistas liderados por Alice Lucchetti, também do INAF, descobriram que as rochas na superfície de Dimorphos foram fraturadas por quase 100 mil anos por meio da chamada fadiga térmica. Trata-se de um processo causado por mudanças de temperatura, que levam a microfaturas na rocha.

Finalmente, a equipe conduzida por Colas Robin, da Université de Toulouse, comparou 34 grandes rochas na superfície de Dimorphos àquelas encontradas em asteroides com estrutura de “pilha de entulhos”, como o Bennu. Eles encontraram algumas semelhanças, o que sugere que talvez estes objetos tenham algum mecanismo de formação e evolução em comum. 

Os artigos com os resultados foram publicados na revista Nature.

Fonte: NASA, Nature (1, 2, 3, 4)