Cientistas conseguem prever manchas solares — e elas aparecerão nesta semana

Por Daniele Cavalcante | 25 de Novembro de 2020 às 17h20
Goddard Space Flight Center

A capacidade de prever tempestades geomagnéticas está cada vez mais ao alcance da ciência, graças a um novo estudo publicado pelo National Solar Observatory (NSO). De acordo com a equipe de uma rede financiada pela National Science Foundation (NSF), as sondas que medem mudanças no interior do Sol através de ondas acústicas foram capazes de prever, com sucesso, um aglomerado de manchas solares que poderiam ser vistas nesta semana.

Erupções solares ocorrem após uma grande alteração nos campos magnéticos acima das manchas solares. Uma grande quantidade de energia nessas regiões acaba se acumulando nos campos magnéticos, até que uma explosão produz um pulso de radiação violento. Prever esses eventos é difícil porque os cientistas não podem enviar sensores para medir a carga desses campos magnéticos, por exemplo.

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Já as manchas solares têm sido estudadas há séculos. Os astrônomos contavam o número de manchas visíveis a cada ano, e acabaram descobrindo padrões no Sol, como o ciclo de 11 anos em que há números altos e baixos de manchas. Esse foi um dos passos mais importantes para entender o funcionamento das erupções solares e das tempestades geomagnéticas, mas ainda insuficiente para prevê-las.

Saber quando haverá uma tempestade solar é importante para proteger nossas tecnologias, já que esse tipo de evento é uma ameaça aos nossos satélites de comunicação, GPS e, em casos extremos, à vida de astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional, por exemplo. Portanto, o trabalho para aprender a prever erupções solares antes que uma tempestade de proporções catastróficas nos atinja tem sido árduo.

(Imagem: Reprodução/NSO/AURA/NSF)

O Global Oscillation Network Group (GONG), financiado pela NSF, conquistou uma importante vitória nessa luta contra o tempo. Ao saber que o Sol pode ser estudado através de ondas sonoras, a equipe por trás da iniciativa começou a usar essa técnica para prever manchas solares individuais. Através de seis telescópios solares que medem o movimento da superfície solar 24h por dia, eles conseguiram medir as ondas sonoras da estrela para analisar as mudanças dentro do Sol.

Essa técnica se aproveita do fato de que as ondas sonoras são afetadas por coisas como as manchas solares. Basta analisar os padrões dessas ondas quando uma mancha solar aparece, e você pode aprender a prever essas alterações quando o evento ainda não está nos afetando. Foi assim que o GONG conseguiu pistas sobre manchas solares presentes no lado do Sol que aponta para longe da Terra.

Foi há cerca de uma semana que a equipe notou vibrações solares acústicas que sugeriam a presenta de algo do lado de lá do Sol — provavelmente seria uma mancha solar. Analisando os dados das alterações, concluíram que um aglomerado de manchas solares poderia ser visível da Terra por volta do 26 de novembro (que será nesta quinta-feira). Eles acertaram, confirmando assim que a técnica é realmente útil para prever manchas solares e, consequentemente, possíveis tempestades geomagnéticas.

Nem toda mancha solar virá junto de uma erupção solar, mas, quanto maiores e mais numerosas, mais chances há de algo mais intenso acabar acontecendo na superfície da nossa estrela. A preocupação é com as explosões mais intensas, então as manchas que estão ocorrendo nesta semana não devem ser nenhum problema. A capacidade de detectá-las, entretanto, é uma ótima notícia.

Agora, a equipe do GONG e outros times dedicados ao tema podem usar a mesma técnica para aperfeiçoar essa capacidade até se tornarem capazes de prever o aparecimento das manchas solares antes mesmo que se formem. Isso será importante, pois dará às autoridades mais tempo para proteger as tecnologias com antecedência, antes que uma grande tempestade chegue até nós.

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