Cientistas estão um pouco mais próximos de prever erupções solares

Por Daniele Cavalcante | 16 de Outubro de 2020 às 12h33
NASA'S SOLAR DYNAMICS OBSERVATORY/JOY NG

Uma das tarefas mais desafiadoras da ciência atual é conhecer o ciclo solar e prever quando — e com qual intensidade — as tempestades magnéticas vão acontecer e vir em direção à Terra. Os cientistas já conhecem um bocado sobre esses mecanismos, mas ainda não são capazes de prever quando uma erupção solar poderá nos afetar. Um novo estudo, entretanto, sugere uma nova técnica para resolver o problema.

Erupções solares são explosões repentinas na superfície do Sol causadas por mudanças no seu campo magnético, e podem causar muitos danos para nós. Não ameaçam a vida humana, mas liberam altos níveis de radiação e partículas em alta velocidade capazes de danificar satélites com intensas rajadas de raios X e raios gama. É um dos eventos mais energéticos do sistema solar, equivalente a mais de dez milhões de erupções vulcânicas.

Os cientistas aprenderam bastante sobre esses fenômenos nas últimas décadas, mas não é um trabalho fácil, pois as atividades solares oscilam em ciclos de 11 anos — ou seja, leva tempo entender como tudo isso funciona na superfície da nossa estrela, e só recentemente começamos a enviar sondas poderosas para observá-la mais de perto. Além disso, essas atividades solares são bastante complexas, envolvendo fenômenos como convecção, turbulências e manchas solares, todos relacionados de algum modo.

As erupções solares produzem ondas rumo às profundezas que se dobram até voltar à superfície (Imagem: Reprodução/UC Berkeley/Juan Camilo Buitrago-Casas)

Quando uma erupção ocorre, uma grande quantidade de energia é liberada não apenas acima da superfície do Sol, como também uma quantidade equivalente para baixo da superfície, formando ondas sísmicas que viajam para ambos os lados. No caso das ondas que sacodem abaixo da superfície, as partes mais quentes e densas do interior do Sol oferecem uma resistência a essas turbulências e, como resultado, as ondas voltam para a superfície — mais ou menos como ondas do mar que voltam quando encontram uma formação rochosa muito grande.

Quando essas ondas chegam de volta para a superfície solar, acabam causando abalos sísmicos no local onde a erupção aconteceu. Essa agitação pode aparecer até 20 minutos após a erupção, o que é pouquíssimo tempo para que possamos detectar o que está acontecendo e o que está por vir em seguida. Mas a nova pesquisa descobriu que a maior parte da energia que impulsiona essas ondulações vêm bem abaixo da superfície. Isso significa que as forças magnéticas que alimentam os terremotos e as explosões estão localizadas dentro do Sol, e não em sua superfície, muito menos na atmosfera.

Embora esses eventos geralmente estejam relacionados de alguma forma, ainda a relação exata entre liberação dessa energia magnética e as explosões ainda não estão muito esclarecidas, mas os cientistas já podem procurar os terremotos como um aviso de uma erupção a caminho. Isso poderá ajudar os cientistas a criarem sistemas de monitoramento do clima solar capazes de nos preparar para uma rajada potencialmente perigosa a caminho.

Fonte: Phys.org

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