Chefe de voos da NASA explica por que agência não quer usar o Falcon Heavy

Por Wagner Wakka | 27 de Março de 2018 às 09h00

No início deste ano, Elon Musk enviou para o espaço o Falcon Heavy, foguete mais potente da atualidade, para mostrar ao mundo a capacidade da SpaceX. Deu tão certo que a NASA começou a ser questionada do porquê não utilizar então uma parceria com a empresa privada para os projetos da agência.

A NASA é uma agência governamental e, como tal, subordinada ao Estado norte-americano. Em dezembro, o presidente Donald Trump aprovou o Space Policy Directive-1, política que redireciona a NASA para o projeto de levar o homem novamente à Lua, com a intenção futura de chegar a Marte. Tal projeto será feito em duas etapas: em 2019, a NASA deve fazer o lançamento da cápsula Orion, em uma missão não tripulada para preparar o envio de seres humanos em 2022. Para a missão tripulada, a NASA está desenvolvendo o seu próprio foguete chamado Space Launch System (SLS). Ele será mais potente que o Falcon Heavy e já custou aos Estados Unidos 19 bilhões de dólares na última década, sendo que cada voo tem estimativa de pelo menos 1 bilhão de dólares.

Contudo, o foguete de Musk é mais barato, com o custo de 90 milhões de dólares por voo. Segundo estimativa da NextGen Space, ao utilizar a tecnologia da SpaceX, a NASA poderia completar o projeto de voltar à Lua com 10 bilhões de dólares nos próximos 7 anos, em contrapartida a outros 19 bilhões do SLS. A economia poderia redirecionar o orçamento para outros projetos como módulos, robôs e estações ainda mais desenvolvidos.

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Estimativas calculam que a NASA poderia bancar entre 17 a 27 lançamentos por ano do Falcon Heavy com o investimento anual do SLS, projeto estimado para ser testado somente em 2020.

Capacidades dos modelos do SLS (Imagem: NASA)

Então, por que a NASA não utiliza os foguetes da SpaceX? Esta dúvida paira sobre grande parte das pessoas que conhecem os projetos da Musk e da NASA. E, agora, tal questionamento foi feito diretamente pelo ex-gerente do programa de ônibus espaciais e atual conselheiro da NASA, Wayne Hale.

Quem respondeu durante reunião do console foi Bill Gerstenmaier, chefe de voos espaciais tripulados da agência. Ele afirma que a carga do Falcon Heavy é “muito menor” do que a capacidade do SLS. Gerstenmaier apresentou um gráfico em que mostra que TLI (sigla para injeção translunar) dos foguetes da NASA são de 26 toneladas para cima, enquanto as estimativas da Falcon Heavy são de no máximo 22 toneladas.

A TLI significa, de modo prático, a quantidade de peso que o foguete tem capacidade de carregar para a órbita da Lua. O gráfico mostra a versão Block 2 Cargo do SLS, com capacidade acima de 45 toneladas de TLI. Contudo, este projeto é estimado para ficar pronto somente daqui ao menos uma década. “Acho que ainda serão peças monolíticas de grande volume que exigirão uma capacidade de SLS para colocá-las no espaço", argumenta o chefe de voos.

Atualmente, a NASA já utiliza os foguetes Falcon 9, também da empresa de Musk, para enviar suprimentos para a Estação Espacial Internacional.

Fonte: Ars Technica

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