Chang'e 5 | China pousa na Lua com sucesso e se prepara para coleta de amostras

Por Daniele Cavalcante | 01 de Dezembro de 2020 às 14h17
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Embora tenha frustrado boa parte da comunidade científica ao redor do globo ao desistir da transmissão ao vivo, a China executou com sucesso o pouso da missão Chang'e-5 na superfície lunar na manhã desta terça-feira (1°). O módulo de pouso iniciou uma descida controlada às 11h58 (horário de Brasília) e chegou ao solo no local planejado, perto de Mons Rümker, no Oceanus Procellarum, 15 minutos depois.

Equipe técnica da missão comemora o lançamento da missão no centro de controle (Imagem: Reprodução/Jin Liwang/Xinhua)

Esperava-se uma transmissão ao vivo pela Televisão Central da China (CCTV), com imagens da câmera a bordo do módulo de pouso conforme ele se aproximasse da superfície lunar. Entretanto, a transmissão não aconteceu. As primeiras imagens do pouso foram exibidas pela emissora após alguns momentos de incertezas — a missão teria sido adiada? Algo dera errado? Felizmente, os chineses apenas preferiram manter tudo nos bastidores, e só mais tarde o canal de notícias CGTN confirmou o sucesso do pouso. 

Com esta missão, a humanidade fará sua primeira tentativa de trazer amostras da Lua desde o final da década de 1970, quando os programas lunares dos EUA e da União Soviética foram encerrados. Espera-se que a Chang’e-5 traga ao menos 2 kg de material para que, em laboratório, seja realizada a datação radiométrica para saber a idade das amostras. O local selecionado teoricamente contém rochas mais jovens, e é isto o que os chineses devem comprovar.

Com poucas crateras de impacto, a região selecionada para o pouso fica no lado visível da Lua, ou seja, a face que permanece constantemente voltada para a Terra. Essa relativa falta de crateras sugere que ela contém rochas basálticas criadas por vulcanismo que talvez sejam bilhões de anos mais jovens do que as amostras coletadas pelas missões Apolo e Luna. “Com os novos dados de idade, podemos calibrar o método de contagem de crateras, tornando mais preciso para eventos jovens”, disse o Dr. Lin Yangting, da Academia Chinesa de Ciências.

O módulo de pouso também carregou consigo alguns equipamentos de ciência, câmeras e, claro, o pequeno veículo de ascensão que subirá de volta à órbita lunar para levar as amostras. Para realizar a coleta, o módulo de pouso usará um braço robótico para perfurar o solo e capturar pedras, armazenando-as em um recipiente. Assim que essa etapa for concluída, o braço vai transferir o recipiente para o módulo de subida, que está em cima do módulo de pouso.

Então, o pequeno módulo de ascensão vai decolar rumo à órbita lunar. Ali, o módulo de serviço estará aguardando para aquele que talvez seja o momento mais delicado da missão — um encontro automatizado com o veículo de ascensão. Se tudo der certo, eles serão acoplados e o módulo iniciará o retorno para a Terra, trazendo as amostras consigo.

(Imagem: Reprodução/CNSA)

Quando chegar perto do planeta, a amostra será transferida para uma quarta espaçonave montada neste complexo modular. Trata-se de uma cápsula de reentrada, projetada para sobreviver aos efeitos devastadores da atmosfera terrestre sobre os objetos espaciais que passam por ela. Não está claro exatamente quando o pouco ocorrerá, mas pode ser por volta de 16 ou 17 de dezembro, provavelmente na Mongólia Interior.

Fonte: CGTNSpace.comThe Verge, Space News, Ars Technica

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