Chang'e 3 | Sonda chinesa que pousou na Lua em 2013 ainda funciona — em partes

Por Daniele Cavalcante | 23 de Setembro de 2020 às 18h40
CASC/China Ministry of Defense

Embora a China divulgue com frequência informações sobre a Lua coletadas pela missão Chang’e 4, o país tem, na verdade, duas sondas operando por lá. É que a nave anterior, a Chang’e 3, ainda tem alguns instrumentos funcionais, capazes de realizar tarefas de observação no lado próximo da superfície lunar (ou seja, a face da Lua que sempre está visível para nós, aqui da Terra).

A Chang’e 3 foi lançada em 1 de dezembro de 2013 e seu módulo de pouso foi planejado para durar um ano, enquanto o rover Yutu tinha tempo útil de apenas três meses. Mesmo assim, o equipamento continuou funcionando por mais tempo. O rover, por exemplo, parou de se locomover em janeiro de 2014, mas continuou operando outros instrumentos até meados de 2016.

Agora, de acordo com uma atualização da Administração Espacial Nacional da China (CNSA, a agência espacial chinesa), a missão Chang'e 3 continua capturando imagens, graças ao módulo de pouso que continua operacional, mesmo após 2.400 dias em meio ao ambiente hostil da Lua. Uma das cargas científicas da nave que continua funcionando é o telescópio ultravioleta lunar, que tem monitorado estrelas variáveis ​​e conseguiu enviar à Terra uma imagem da Galáxia do Catavento.

O Lunar-based Ultraviolet Telescope é um dos equipamentos científicos a bordo da Chang'e 3, e continua operacional (Imagem: Reprodução/CNSA)

Com rádios amadores, a equipe chinesa consegue captar os sinais da sonda constantemente e, assim, garante que o módulo movido a luz solar continue funcionando, incluindo uma unidade muito importante para conservar o equipamento: a unidade de aquecimento de radioisótopo, que protege o módulo do frio severo das noites lunares.

Além disso, o rover Yutu continua contribuindo para a ciência mesmo quatro anos após deixar funcionar. É que novos resultados científicos ainda podem ser obtidos através dos dados coletados pela sonda, de modo que pesquisadores de diversos institutos podem escrever artigos científicos usando essas informações como base. Recentemente, eles encontraram evidências de três camadas relativamente jovens de basalto no local de pouso Chang'e 3, e publicaram um artigo sobre essa novidade na revista Geophysical Research Letters.

Enquanto isso, a Chang’e 4 segue operacional e trazendo grandes resultados sobre o lado afastado da Lua — aquele que nunca vemos aqui da Terra. Já no final de 2020, a Chang’e 5 será lançada para trazer amostras lunares pela primeira vez desde a década de 1970, quando o programa Apollo, da NASA, foi encerrado.

Fonte: Space.com

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