Chang'e-5: missão chinesa que trará amostras da Lua pode ser lançada em novembro

Por Daniele Cavalcante | 17 de Setembro de 2020 às 22h00

A China já está preparando o lançamento da missão Chang’e-5, cujo objetivo é trazer amostras lunares para serem estudadas aqui na Terra. Se tudo der certo, será a primeira vez que pedaços da Lua são trazidos para nosso planeta desde os anos 1970, com o fim do programa Apollo, da NASA.

De acordo com o cronograma da agência espacial chinesa, o lançamento deve ocorrer ainda este ano. A China não é exatamente famosa por divulgar seus planos de exploração espacial, mas há indícios de que a Chang’e-5 está sendo preparada para viajar no foguete Long March 5 no final de novembro. Entre os indícios, estão os navios de carga Yuanwang-21 e 22, que já foram buscar os componentes do foguete de lançamento na cidade portuária de Tianjin para transportá-los até Qinglan. Quando chegarem à ilha de Hainan, as peças serão levadas ao Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, localizado perto de Wenchang, na costa nordeste da ilha.

Esse mesmo procedimento ocorreu em maio, quando os navios Yuanwang-21 e 22 transportaram o Long March 5 para a missão Tianwen-1 Mars. Nesse caso, o lançamento aconteceu no final de julho, um intervalo de dois meses entre o transporte e o lançamento. Isso sugere que agora restam cerca de dois meses para o lançamento da Chang’e-5.

São ótimas notícias, considerando o sucesso da missão Chang’e-4, que pousou no lado afastado da Lua e tem entregue resultados positivos em suas investigações. A Chang'e-5 terá como local de pouso uma região perto de Mons Rümker, uma formação vulcânica localizada na parte noroeste do lado próximo da Lua, ou seja, na face lunar que está sempre voltada para a Terra.

A região Mons Rümker fotografada pela missão Apollo 15 (Imagem: Reprodução/NASA)

Caso o lançamento ocorra mesmo no final de novembro, a nave poderá chegar à órbita lunar em 27 de novembro, bem a tempo de aproveitar o nascer do Sol sobre a região de Mons Rümker, aproveitando assim todo o dia lunar para carregar as baterias dos equipamentos (um dia lunar é equivalente a 29,5 dias terrestres). É mais que o suficiente para a missão, que deve ser cumprida em aproximadamente 14 dias terrestres.

Para realizar a coleta de amostras, a Chang’e-5 precisará de quatro naves. Isso inclui o módulo de pouso, que vai pegar o material lunar colocá-los em um veículo. Esse segundo elemento subirá da superfície da Lua e se acoplará com o módulo de serviço, que estará orbitando o satélite natural. As amostras serão então transferidas para um módulo de retorno e, finalmente, farão seu caminho em direção à Terra.

Ao se aproximar do nosso planeta, o módulo de retorno se desconectará do módulo de serviço e realizará a manobra de reentrada na atmosfera terrestre, atingindo o solo em Siziwang Banner, um condado chinês na Mongólia Interior.

Não é uma missão simples. Na verdade, sua complexidade é comparável às futuras viagens tripuladas à superfície lunar, planejadas pela NASA para a partir de 2024 com o programa Artemis. A tecnologia da Chang’e-5 deverá ser utilizada para futuras missões de coletas de amostras em asteroides próximos à Terra, e até mesmo para trazer materiais marcianos no final da década.

Fonte: Space News

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