Bacia no lado afastado da Lua pode abrigar fragmentos ejetados do manto lunar

Bacia no lado afastado da Lua pode abrigar fragmentos ejetados do manto lunar

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 04 de Agosto de 2021 às 15h06
NASA

Dois novos estudos feitos pela NASA identificaram quais são as localizações na Lua com chances mais altas de conter fragmentos do manto, uma camada formada por minerais densos vindos do magma que cobriu a superfície lunar após sua formação. Com essas informações, é possível criar mapas para direcionar missões para a coleta de amostras, que poderão ajudar os cientistas a entender melhor a evolução da Lua, da Terra e de outros mundos do Sistema Solar.

O oceano de magma cobriu a Lua pouco depois de sua formação e, ao se resfriar, os minerais mais densos afundaram e formaram o manto, enquanto aqueles de menor densidade formaram a crosta. Grandes objetos rochosos, como planetas, luas e alguns asteroides, podem ter esses oceanos; por isso, a ocorrência do magma é considerada parte de um processo comum para esses planetas e satélites naturais do Sistema Solar. Entretanto, ainda não estava claro como ocorre a evolução dos oceanos de magma após se resfriarem e menos ainda como acontece a cristalização dos minerais.

Imagem da superfície lunar feita pela missão Chang'e 4 (Imagem: Reprodução/CNSA/CLEP)

Entender esses aspectos é importante para os cientistas definirem como seriam as rochas do manto e onde elas podem ser encontradas na superfície lunar — e é aqui que os novos estudos entram, já que a Lua é o corpo mais acessível e bem preservado para estudos desses processos fundamentais. “Essa é a avaliação mais recente da evolução do interior lunar, sintetizando vários desenvolvimentos recentes para criar um retrato da história do manto, como e onde ele pode ter sido exposto na superfície lunar”, disse Daniel Moriarty, do Goddard Space Flight Center, da NASA.

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Para desenvolver essa nova compreensão da evolução do manto lunar, a equipe revisou experimentos de laboratório, análises de amostras lunares e modelos geofísicos e geoquímicos. Essas novas “lentes” foram usadas para interpretar observações recentes dos orbitadores Lunar Prospector e Reconnaissance Orbiter, junto do instrumento Moon Mineralogy Mapper. Por fim, os dados de composição e abundância mineral, topografia e outros foram usados para gerar um mapa das possíveis localizações do manto.

Moriarty explica que o resultado mostra que a evolução do manto lunar é mais complexa do que se pensava. “Alguns minerais que são cristalizados e afundam primeiro são menos densos que aqueles que afundam mais tarde”, disse ele. Isso sinaliza uma instabilidade no material mais leve, próximo da parte inferior do manto, que tenta subir, enquanto os compostos mais pesados e próximos do topo tentam descer. “Esse processo é chamado de ‘reviravolta gravitacional’ e não prossegue de forma clara e ordenada; ele se torna confuso, com muitas misturas e fragmentos ‘atrasados’ deixados para trás”, conclui.

Destaque das diferentes concentrações de tório na bacia do Pólo Sul-Aitken; as áreas em vermelho indicam maior presença, e as em roxo e cinza, menor (Imagem: Reprodução/NASA/LRO/Lunar Prospector/D. Moriarty)

A bacia do Polo Sul-Aitken tem mais de 2.500 km de diâmetro e, como é a maior estrutura de impacto confirmada na Lua, está relacionada à maior profundidade de escavação de todas as bacias lunares. Portanto, a equipe acredita que este é o lugar com mais chances de conter pedaços do manto. Em paralelo, uma anomalia radioativa na região intrigou cientistas durante anos e, agora, a equipe conclui que a composição da anomalia corresponde à “lama” que se formou na parte superior do manto, no fim da cristalização do oceano de magma.

Moriarty ressalta que a área noroeste do polo sul lunar, na Bacia de Aitken, é o melhor lugar para a busca de fragmentos do manto. “Curiosamente, alguns desses materiais podem estar presentes também em torno dos locais de pouso propostos pelo programa Artemis e pelo rover VIPER, no polo sul lunar”, propôs ele. Entender os detalhes por trás desses processos relacionados ao magma é uma forma de conseguir respostas para perguntas importantes, como os efeitos do aquecimento na distribuição de água e gases atmosféricos dos planetas, as implicações para a ocorrência de vida, entre outras.

Os artigos com os resultados dos estudos foram publicados nas revistas Nature Communications e Journal of Geophysical Research.

Fonte: NASA

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