Astrônomos têm um palpite quanto à origem do objeto interestelar Oumuamua

Astrônomos têm um palpite quanto à origem do objeto interestelar Oumuamua

Por Patrícia Gnipper | 26 de Setembro de 2018 às 09h00
ESA/Hubble; NASA; ESO; M. Kornmesser

Em outubro do ano passado, descobriu-se que um objeto com formato bastante peculiar estava passeando pelo Sistema Solar. Meses depois, levantaram a ideia de que o objeto chamado Oumuamua poderia ter vindo de um sistema com dois sóis, e também ficou a discussão se ele seria um asteroide ou um cometa. Agora, astrônomos localizaram quatro estrelas candidatas como sendo a provável origem do Oumuamua.

O objeto tem formato pontiagudo, coloração vermelha em tom escuro e se move inexplicavelmente rápido. Como ele não orbita o nosso Sol, ficou óbvio que se tratava de um visitante interestelar, com sua trajetória atravessando a órbita de Mercúrio e chegando relativamente próximo do Sol, quando, então, se distanciou para além do Sistema Solar.

A trajetória em branco é o caminho que o Oumuamua fez em nosso Sistema Solar (Imagem: nagualdesign, Tomruen/Wikipedia)

Para escolher as quatro estrelas de onde o Oumuamua pode ter vindo, os astrônomos usaram o mais recente e preciso mapa estelar já criado, com o caminho de cada estrela correspondendo de maneira próxima ao caminho calculado do provável cometa. O estudo foi divulgado pela agência espacial europeia (ESA).

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O tal mapa mostra 1,7 bilhão de estrelas com base em dados da sonda Gaia, da ESA, e foi divulgado em abril deste ano. Este é o segundo maior conjunto de dados obtidos pela Gaia e publicado pela agência desde o lançamento da sonda, em dezembro de 2013. Ali, vemos não somente a posição das estrelas, como também seus movimentos (direção e velocidade).

Então, a equipe conseguiu retroceder com precisão as posições de cerca de 7 milhões de estrelas para milhões de anos no passado e, comparando a trajetória conhecida do Oumuamua com esses milhões de caminhos estelares, os astrônomos encontraram, enfim, as quatro candidatas: HD 292249 e HIP 3757 (com seus nomes oficiais) e duas com nomes temporários ("home-3" e "home-4").

As quatro estrelas em questão se alinham dentro de poucos anos-luz com a trajetória do cometa, sendo que um desses sistemas pode ter ejetado o Oumuamua em direção ao Sistema Solar, provavelmente no início da formação de seu próprio sistema planetário. E a melhor candidata para ser a "mãe" do estranho objeto é a estrela HIP 3757, pois os caminhos da estrela e do cometa errante chegam a dois anos-luz um do outro, há cerca de 1 milhão de anos.

A busca continua

Ainda que tudo pareça se encaixar muito bem, não há consenso sobre essa suposição. Alguns pesquisadores por trás do próprio estudo não estão tão confiantes de que enfim descobriram a terra natal do Oumuamua, inclusive.

A equipe também levanta a possibilidade de o objeto ter viajado muito mais, e muito antes, para chegar ao nosso Sistema Solar, com uma janela de dezenas de milhões de anos de diferença do que foi previsto. "Portanto, é improvável que encontremos o sistema doméstico [do Oumuamua] em nosso estudo", escreveram alguns autores da pesquisa.

Ainda, as quatro estrelas apontadas não são conhecidas por abrigar quaisquer exoplanetas em suas órbitas, que dirá mundos grandes o suficiente para "chutar" o objeto de lá para cá graças às suas forças gravitacionais. Por fim, a velocidade da trajetória do Oumuamua pode ser melhor explicada se considerar um sistema binário (com duas estrelas) — como já foi proposto anteriormente —, mas nenhuma das quatro candidatas é desse tipo.

Sendo assim, a equipe aguarda o terceiro mapa estelar da sonda Gaia ser lançado pela ESA antes de continuar seus estudos para determinar a origem do Oumuamua. Esses dados futuros deverão descrever de maneira precisa os movimentos de 10 vezes mais estrelas próximas do que já foi feito. "A busca pela casa do Oumuamua continua", finalizam os pesquisadores.

Fonte: Business Insider

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