Objeto Oumuamua pode ter vindo de sistema solar com dois sóis, aponta estudo

Por Jessica Pinheiro | 22 de Março de 2018 às 18h05

No final do último ano, um potencial asteroide interestelar que passou pelo Sistema Solar deu o que o falar, ainda mais porque foi descoberto que o objeto, primeiramente tido como alienígena, era revestido misteriosamente por um material orgânico.

Em meio ao estudo conduzido em 2017, acreditava-se que o Oumuamua teria vindo de um corpo congelado no espaço – não necessariamente um cometa, mas sim, um objeto com água congelada em seu interior. Todavia, um novo estudo indica que o objeto pode ter vindo de um lugar ainda mais estranho: um sistema com dois sóis.

É impossível não pensar aqui em Star Wars e na icônica cena conhecida como “pôr-do-Sol binário”, em que o herói Luke Skywalker observa os dois sóis (ou estrelas) de seu planeta natal, Tatooine, se pondo no horizonte. Ou até mesmo na canção de Cássia Eller, O Segundo Sol. As referências existentes na cultura pop de que um segundo astro solar é possível são muitas.

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Uma das cenas mais clássicas do cinema, mostrada em Star Wars: Uma Nova Esperança, lançado em 1977. (Imagem: Lucasfilm)

O que dizem as novas descobertas

De acordo com os pesquisadores que estão conduzindo as novas pesquisas, o Oumuamua veio ao Sistema Solar por meio de um sistema binário. Os modelos usados no novo estudo, publicado na revista Monthly Notices, da Royal Astronomical Society, mostram que esses sistemas possuem a tendência de cuspir asteroides e cometas em trajetórias interestelares em um determinado ritmo.

No nosso Sistema Solar, por outro lado, isso é bem diferente. Segundo Alan Jackson, um dos autores do estudo, “é realmente estranho que o primeiro objeto que veríamos fora do nosso sistema seja um asteroide, porque um cometa seria muito mais fácil de detectar e o Sistema Solar ejeta muito mais cometas do que asteroides”.

Especula-se que o asteroide tenha sido expulso de seu sistema doméstico quando os planetas desse mesmo quintal espacial estavam se formando pela primeira vez, o que provavelmente ocorreu bilhões de anos atrás. Além disso, o novo estudo também sugere que a composição do Oumuamua indica que ele veio de um sistema binário com uma “estrela relativamente quente e de muita massa”, uma vez que esse tipo de estrela teria mais material rochoso perto deles.

O asteroide foi descoberto por cientistas no Observatório Haleakala, localizado no Havaí, enquanto ele voava no sistema onde vivemos. Especula-se que, antes disso, o objeto esteve vagando sozinho pelo universo. Essa observação marcou a primeira vez que os cientistas detectaram um asteroide interestelar, muito embora acredite-se que esse tipo de rocha espacial passeie pelo Sistema Solar uma vez a cada ano.

Um passo de cada vez

Uma parte dos estudos feitos pelos cientistas foi voltada a tentar descobrir para qual direção o Oumuamua poderia seguir após se afastar daqui para sempre, e alguns pesquisadores até mesmo tentaram examinar o asteroide em busca de sinais de vida, mas nada foi encontrado. Uma das teorias recorrentes, por sinal, é que o objeto teria sido enviado por alienígenas para observar os terráqueos.

De toda forma, a descoberta de sua existência trouxe muito aprendizado para os especialistas, apesar de que ainda existe muito a ser desvendado. Jackson, inclusive, acrescentou em seu artigo que o asteroide pode indicar como os planetas se formam em outros sistemas espaciais. Ele cita que os cometas são utilizados para um propósito semelhante, indicando que os estudos feitos em cima destes objetos ajudam os cientistas a entenderem melhor a formação dos planetas do nosso Sistema Solar.

Para se ter uma noção do tamanho rea do Oumuamua, basta imaginar o tamanho do Empire State Building, já que a medida, se fosse convertida em altura, daria o equivalente a quase 400 metros.

Fonte: Mashable

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