Asteroide Bennu é frágil e vazio por dentro, revelam pesquisadores

Por Daniele Cavalcante | 09 de Novembro de 2020 às 16h20
NASA

Bennu, o asteroide do qual a NASA coletou amostras através da nave robótica OSIRIS-REx, é uma das rochas mais potencialmente perigosas no Sistema Solar, com uma chance razoável de colidir com a Terra no século 22. A boa notícia é que o asteroide parece bastante frágil, de acordo com um novo estudo. Além disso, Bennu é vazio por dentro.

Quanto mais os cientistas analisam os dados sobre Bennu, mais surpresos ficam com as características inusitadas do asteroide. Desde o início da missão, a equipe da OSIRIS-REx foi surpreendida com as imagens obtidas pela sonda. Por exemplo, esperava-se que ele fosse uma rocha de superfície lisa, fácil de realizar um pouso, mas não foi isso o que a nave robótica encontrou ao chegar lá.

Outra curiosidade é o fato de que Bennu arremessa pequenos pedaços de sua própria superfície em direção ao espaço. Uma boa quantidade dessas partículas fica presa na órbita devido à gravidade do próprio asteroide e acaba caindo de volta na superfície. Bem, isso acabou ajudando a equipe a determinar a massa e a força gravitacional do Bennu, o que trouxe descobertas ainda mais desconcertantes.

As descobertas foram publicadas na revista Science Advances em 8 de outubro e mostram que a força de rotação do Bennu seria a responsável por empurrar seu material para fora. Não é uma rotação modesta — o asteroide completa uma volta a cada quatro horas e está ficando cada vez mais rápido. Como sua força gravitacional é fraca, algumas migalhas se soltam facilmente. “Você pode imaginar que em um milhão de anos ou menos, a coisa toda estará se desfazendo”, disse Daniel Scheeres, que liderou a pesquisa.

Além disso, o asteroide é oco, e isso explica sua baixa influência gravitacional. “É como se houvesse um vazio em seu centro, dentro do qual caberia alguns campos de futebol”, disse o engenheiro aeroespacial. Outra característica que surpreendeu a NASA é quanto à consistência de sua superfície: quando a OSIRIS-REx tocou o solo, uma quantidade além do esperado desmanchou sob a ferramenta de coleta de amostra, revelando que a superfície é bastante macia. Foi tanto material de poeira e pedras movendo-se com a rajada de nitrogênio da nave que a ferramenta de coleta ficou aberta, permitindo que uma parte da amostra vazasse para o espaço.

Por mais que tenham sido descobertas inesperadas, elas fazem sentido se pensarmos na natureza do Bennu — trata-se de um asteroide formado por destroços de outras rochas espaciais, muito antigas, que se aglutinaram até formar um novo objeto. Por isso ele ainda é frágil, com muito espaço oco dentro, e há boas chances de que ele acabe se desmanchando. “Nossas descobertas excederam nossas expectativas”, disse Scheeres.

Todas essas características mostram como Bennu foi um alvo perfeito para a coleta de amostras. Partes de asteroides muito mais antigos fazem hoje parte do Bennu, e por isso este objeto pode fornecer muitas pistas sobre os primeiros dias do Sistema Solar, inclusive sobre a origem da vida. Ainda há muitos outros dados coletados pela OSIRIS-REx, que os cientistas ainda devem analisar. A amostra coletada deve chegar à Terra em 2023.

Fonte: University of Colorado

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