Amostras coletadas pela missão Chang'e 5 ajudam a refinar cronologia da Lua

Amostras coletadas pela missão Chang'e 5 ajudam a refinar cronologia da Lua

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 15 de Fevereiro de 2022 às 18h12
Xinhua/Jin Liwang

As amostras lunares coletadas pela missão Chang’e 5, da China, ajudaram a criar um modelo atualizado da cronologia da Lua. A pesquisa foi liderada por Yue Zongyu e Di Kaichang, do Aerospace Information Research Institute na Chinese Academy of Sciences (CAS), e o modelo criado oferece uma escala de tempo mais precisa para o passado do nosso satélite natural. Além disso, ele também pode ser aplicado para a evolução dos corpos planetários no Sistema Solar interno.

Nos estudos de planetas e luas, é essencial determinar a idade de eventos geológicos importantes. No caso do nosso satélite natural, por exemplo, medidas radiométricas das amostras coletadas pelas missões Apollo e Luna mostraram que os materiais tinham mais de três bilhões de anos, mas menos de um bilhão, o que representa a idade verdadeira das unidades geológicas onde estavam.

Cápsula com as amostras obtidas pela missão Chang'e 5 (Imagem: Reprodução/Our Space/Wang Jiangbo)

Estas amostras ofereceram a base para a criação de um método de contagem de crateras, que permite deduzir a idade de regiões em que amostras não foram coletadas. Entretanto, a lacuna de 2 bilhões de anos nas amostras obtidas representa quase metade da história geológica lunar, ou seja, torna este um modelo cronológico questionável.

Assim, a China lançou em 2020 a missão Chang’e 5 em busca de amostras mais jovens, que poderiam ajudar a refiná-lo.

O que a Chang’e 5 descobriu

Em dezembro de 2020, a missão pousou em Oceanus Procellarum e coletou amostras de poeira e rochas. O material foi trazido à Terra, e análises radiométricas dele mostraram que tinha aproximadamente 2,03 bilhões de anos — idade bastante consistente com as expectativas dos pesquisadores.

A primeira imagem indica áreas de onde amostras já foram coletadas na Lua, e a segunda, as crateras mapeadas na área de pouso da Chang'e 5 (Imagem: Reprodução/AIR)

Depois, os pesquisadores conduziram análises estatísticas da cratera através de imagens da área de pouso da Chang’e 5, e conseguiram um valor de frequência da cratera da área de pouso em escala. Este valor, junto daquele da idade das amostras coletadas, formaram um novo ponto de controle para a função de cronologia lunar — em comparação com a anterior, a nova função fornece idades mais antigas com a diferença máxima de 200 milhões de anos.

Com os dados críticos da Chang’e 5, a precisão da nova função cronológica é mais precisa que o modelo clássico, e os autores do estudo recomendam seu uso para a datação geológica no futuro. Além da maior precisão, a nova função tem papel importante para estudos lunares e planetários, por permitir a dedução de novos modelos cronológicos para Marte, Mercúrio e outros corpos sólidos do Sistema Solar.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.

Fonte: Nature Astronomy; Via: CAS

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