60 anos de NASA | Conheça a história e os projetos da agência espacial dos EUA

Por Andressa Neves | 27 de Julho de 2018 às 23h50
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NASA

Quando se fala em exploração espacial, geralmente o primeiro nome que vem à mente é o da NASA, mas nem sempre foi assim. A história da National Aeronautics and Space Administration teve início com disputas acirradas entre os Estados Unidos e a União Soviética pela conquista do espaço.

Com a pressão soviética, responsável pelo lançamento do primeiro satélite artificial do mundo, os Estados Unidos perceberam a urgência em investir em tecnologias para a Corrida Espacial. Sentindo-se ameaçados pelo poderio russo, os norte-americanos resolveram fundar uma agência nacional para administrar a atividade espacial não-militar do país.

Em meio à Guerra Fria, o então presidente dos Estados Unidos, Dwight David Eisenhower, assinou o decreto que deu origem à NASA em 29 de julho de 1958. O início de seus trabalhos, no entanto, se deu no dia 1º de outubro do mesmo ano. 

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Largando atrás, indo mais longe

Apesar de a URSS ter lançado o primeiro satélite artificial à órbita da Terra (o Sputnik), ter levado o primeiro animal (a cadela Laika) e a primeira pessoa ao espaço (o cosmonauta Yuri Gagarin), por meio da NASA os Estados Unidos conseguiram um feito que gera polêmica até hoje: o país foi o primeiro a levar a humanidade à Lua.

Deixando de lado as discussões sobre a veracidade dos acontecimentos, entre os dias 16 e 24 de julho de 1969 a missão Apollo 11 se tornou um marco na história da exploração espacial. Na ocasião, os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin alcançaram a façanha de deixar suas marcas em solo lunar, fincando a bandeira dos Estados Unidos no satélite natural da Terra. Mais de 500 milhões de pessoas acompanharam as imagens pela TV. 

As primeiras missões

Mas não foi tão simples levar o homem à Lua. Antes disso, a NASA iniciou suas missões com o Programa Mercury. Com início em 1959, durante o programa, que durou até 1963, foram feitos seis lançamentos. Os primeiros testes, não tripulados, permitiram que logo a NASA fizesse voos com macacos. Com o sucesso das missões, a Mercury fez o primeiro lançamento com astronautas, o que aconteceu no dia 20 de fevereiro de 1962.

Na época, a NASA também criou o Programa Gemini, que tinha 10 equipes e se manteve ativo entre 1961 e 1966. As 12 missões do programa tiveram como foco preparar a tecnologia necessária para levar o homem à Lua. Foi na época do Gemini que os Estados Unidos alcançaram a liderança contra a União Soviética na exploração espacial.

Astronautas do Programa Mercury (Foto: NASA)

"Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade"

Depois de muitos testes e estudos, a NASA deu início ao Programa Apollo, o mais famoso de sua história. O projeto foi inaugurado em 1961, quando o presidente John F. Kennedy anunciou que os Estados Unidos levariam o primeiro homem a pisar na Lua até o final da década. Durante oito anos, as missões foram mais tímidas para garantir que a façanha fosse finalizada com sucesso, até que em 1969 Neil Armstrong alcançou a proeza.

O Programa Apollo continuou em operação. Após o sucesso de 1969, mais cinco missões foram destinadas à Lua. A última missão, Apollo 17, levou os últimos seres humanos para o satélite natural da Terra: Eugene Cernan, Ronald Evans e Harrison Schmitt, no ano de 1972. Apenas um ano depois, os Estados Unidos colocou em órbita sua primeira estação espacial.

Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin, os astronautas da missão Apollo 11 (Foto: NASA)

Alcançando outros planetas

Ainda em seus primeiros anos de existência, a NASA iniciou trabalhos para alcançar outros planetas do Sistema Solar. O Programa Mariner, que sobreviveu entre os anos de 1962 e 1973, foi responsável por sobrevoar Marte, enviar o primeiro satélite artificial para o Planeta Vermelho e por alcançar o planeta Mercúrio.

Na mesma época, funcionava também o Programa Pioneer, que teve, no total, 20 missões. Durante a missão Pionner 10 e Pioneer 11, a NASA conseguiu sobrevoar Júpiter e Saturno, coletando informações sobre os gigantes do Sistema Solar.

Outros feitos marcantes na história da NASA foram o Projeto Viking e o Programa Hélios. No primeiro, em 1975, as sondas Viking 1 e Viking 2 desembarcaram em Marte, coletando fotografias e novas informações sobre o planeta. No segundo, no mesmo ano a Hélios-A deixou a Terra em direção ao Sol.

Sonda Mariner 5, lançada em 1967 para explorar Venus (Foto: NASA)

Voyager: para além do Sistema Solar

Já em 1977, a agência espacial iniciou o Programa Voyager, que continua em atuação até hoje. Naquele ano, foram lançadas duas sondas com o objetivo de explorar Júpiter, Saturno e seus satélites naturais. Apesar disso, as sondas se mostraram muito mais resistentes do que se imaginava, tornando-se capazes de alcançar Netuno e Urano e de deixar o Sistema Solar em 2013.

A expectativa é de que os objetos continuem viajando pelo espaço até a década de 2020. Devido ao êxito das missões, o Programa Voyager ficou conhecido em todo o mundo como representante da possibilidade de se encontrar vida extraterrestre.

As sondas carregam discos de ouro com fotografias, músicas, saudações em diferentes idiomas, além de dados científicos para, caso algum ser de outro planeta tenha contato com uma das espaçonaves, possa acessar informações sobre a Terra.

Disco com informações sobre a Terra do Programa Voyager (Foto: NASA)

O telescópio Hubble e a Estação Espacial Internacional (ISS)

Um dos grandes marcos da NASA foi a construção do telescópio espacial Hubble, um dos telescópios mais importantes de todos os tempos. Projetado e construído durante as décadas de 1970 e 1980, o telescópio é capaz de detectar tanto luz visível quanto luz infravermelha. Seu lançamento foi feito em 1990 e até hoje o Hubble fornece imagens impressionantes do universo.

Imagem de Marte registrada pelo telescópio Hubble (Foto: NASA)

Também na década de 1990, mais precisamente em 1998, a NASA e as agências espaciais da Rússia, Europa, Canadá e Japão uniram forças para a construção da Estação Espacial Internacional (ISS). Mantida por acordos intergovernamentais, a estação é responsável por pesquisas, observações e missões espaciais com as mais diversas finalidades.

Estação Espacial Internacional (ISS) (Foto: NASA)

Programa Discovery e Programa New Frontiers

Fundado em 1994, o Programa Discovery vem atuando para a ampla exploração do universo por meio da colaboração da comunidade científica. Para trabalhar de forma mais eficaz, o programa tem como foco o desenvolvimento de diversas missões pequenas, necessitando, assim, de menos tempo (no máximo 36 meses) e recursos para o seu cumprimento. Pela sua variedade, o programa é composto por diferentes missões que visam explorar os planetas e suas luas, além de cometas, asteroides, etc.

Entre as sondas e missões lançadas no Programa Discovery, recentemente estão a NEAR, para a observação de asteroides; Mars Pathfinder, responsável por colocar o primeiro rover em solo marciano; Dawn, como foco em orbitar corpos celestes; Stardust, Genesis e Kepler, que monitora estrelas como o Sol.

Desde 2003, a NASA também vem investindo no Programa New Frontiers com o objetivo de explorar diversos corpos do Sistema Solar. O programa já trabalhou com missões como a New Horizons, para estudar Plutão e suas luas, e a missão Juno, para a exploração do sistema do planeta Júpiter. Nos últimos meses, a NASA tem discutido quais serão suas próximas missões.

Como você pode ver, a agência norte-americana tem trabalhado em diferentes programas desde a sua fundação. Nas últimas décadas, a NASA foi responsável por inúmeras missões tripuladas e não tripuladas, pelo lançamento de diversos satélites, pela construção de tecnologias de pontas, pela chegada do homem à Lua e pelo vasto conhecimento da humanidade sobre o universo.

E agora, quais serão os próximos passos para a exploração espacial?

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