Earthshine: novembro traz uma Lua crescente mais iluminada que o normal; entenda

Por Daniele Cavalcante | 11 de Novembro de 2020 às 21h00
Miguel Claro

Você já viu a Lua minguante ou crescente com a parte visível brilhando intensamente, mas também com um inesperado e fraco brilho na parte que deveria estar totalmente escondida sob a sombra? Esse efeito pode ser melhor registrado através de fotografias profissionais, mas, às vezes, o brilho inusitado no lado da sombra também se torna visível aos olhos humanos. Isso vai acontecer agora em novembro — e tudo graças à nebulosidade aqui na Terra.

No fenômeno Earthshine, vemos a parte da Lua que fica na sombra mais iluminada que o normal, por conta do reflexo da luz solar a partir da Terra (Imagem: Reprodução/ISS Crew Earth Observations Facility/Earth Science and Remote Sensing Unit/Johnson Space Center)

O fenômeno é apelidado em inglês de Earthshine (que seria algo como "Brilho Terrestre", em tradução livre), e a NASA o descreve como um "brilho assustadoramente bonito". Será sutil, mas uma oportunidade não muito comum de se apreciar um curioso “efeito sinuca” do nosso Sistema Solar.

Chamamos de “efeito sinuca” pois é algo mais ou menos semelhante à mesa de bilhar. Quando a luz do Sol é refletida na Terra, ela atinge a Lua e ricocheteia de volta para nós, que podemos então contemplar essa luminosidade diferenciada no satélite natural. O fenômeno pode acontecer em qualquer fase lunar, mas, obviamente é muito mais nítido quando estamos na fase crescente ou minguante, quando a parte da Lua que fica iluminada pelo Sol é bastante pequena.

Mudanças drásticas o suficiente para que possamos enxergar com clareza acontecem principalmente por aumento da nebulosidade terrestre. Quanto mais nublado o nosso planeta, mais luz será refletida em direção à Lua. Bem, na verdade, a Terra sempre está refletindo luz sobre a Lua, e Leonardo Da Vinci percebeu isso. O efeito ficou conhecido como "Brilho de Da Vinci", embora hoje se chame "luz cinérea". Da Vinci afirmou que o brilho é o reflexo do Sol que é rebatido pelos oceanos da Terra. Depois de 500 anos, os cientistas descobriram que são as nuvens do nosso planeta as responsáveis por refletir a maior parte desse reflexo. E quando temos um aumento da nebulosidade, acontece um Earthshine mais visível.

As melhores datas para observar o brilho da Terra na noite lunar serão na fase crescente entre 17 a 20 de novembro, após o pôr do Sol — mas, pouco antes do amanhecer desta quinta-feira (12), o fenômeno também dá um "show" no período final da Lua minguante, antes da fase da Lua nova, que começa no dia 15.

No dia 17, a Lua crescente terá apenas 10% de luminosidade. Já no dia 20, essa taxa sobe para 35%, mas ainda será possível se admirar com o efeito do Earthshine (Captura de tela: app Lua/Patricia Gnipper)

Fonte: NASA

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