Venom: Tempo de Carnificina | Entenda a cena pós-crédito

Venom: Tempo de Carnificina | Entenda a cena pós-crédito

Por Durval Ramos | Editado por Jones Oliveira | 07 de Outubro de 2021 às 21h10
Divulgação/Sony Pictures

Atenção: o texto a seguir traz spoilers de Venom: Tempo de Carnificina. Leia por sua conta e risco!

Venom: Tempo de Carnificina pode não ser lá o filme que vai revolucionar o cinema e tampouco mexer com as estruturas das adaptações de quadrinhos, mas uma coisa é certa: a cena pós-crédito do filme é de fazer qualquer fã de super-herói saltar da poltrona. Basicamente, ela entrega tudo aquilo que o público esperava há anos. Mas o que ela representa e quais as implicações para o futuro do personagem?

De maneira bem direta, ela simplesmente coloca Venom e Homem-Aranha dentro do mesmo universo, abrindo as portas para um eventual encontro no futuro — além de responder a algumas perguntas que sempre ficaram em aberto desde o primeiro filme do simbionte, em 2018. Como a própria cena sugere, Eddie Brock e Peter Parker vão finalmente se encontrar no futuro.

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A dupla pode caminhar para ser um trio com a chegada do Homem-Aranha (Imagem: Divulgação/Sony Pictures)

Só que, para entendermos como isso vai acontecer em um eventual Venom 3, é preciso compreender ao certo tudo o que a cena pós-crédito de Tempo de Carnificina quer dizer.

Como o filme apresenta, Venom e Brock estão fora de Nova York. Após o incidente com Cletus Kasady, os dois agora são procurados pelo FBI e deixam os Estados Unidos. É por isso que a última cena do longa traz a dupla observando o pôr do sol em algum canto do Caribe. E o pós-crédito parte justamente dessa ideia.

Tudo começa com os protagonistas assistindo novela na TV em um quarto dentro de alguma pensão. Eles entram em um diálogo existencialista sobre segredos e Venom revela que todo o conhecimento de colmeia que a sua raça acumulou iria simplesmente explodir o cérebro de Eddie, que pede uma pequena demonstração disso.

Parker teve sua identidade revelada até mesmo em outras realidades (Imagem: Reprodução/Sony Pictures)

Todo esse preâmbulo não acrescenta nada ao que realmente importa: enquanto a gente espera pela tal amostra da sabedoria do simbionte, o quarto em que a dupla está se transforma em uma suíte de luxo. Como se não bastasse, a TV agora está passando um jornal com J. J. Jameson (J.K Simmons) falando sobre a identidade do Homem-Aranha, assim como foi mostrado no final de Homem-Aranha: Longe de Casa.

É ao ver o rosto de Peter Parker que o simbionte assume o controle do corpo e demonstra um estranho interesse pelo rapaz, lambendo a tela da TV. Assim, a cena acaba quando o verdadeiro hóspede do quarto aparece e pergunta o que diabos está acontecendo.

Entendendo a cena

Que o caminho dos dois heróis vai se cruzar já é bastante óbvio, mas falta entender ainda como isso vai acontecer e as implicações disso tudo para o futuro. E o grande ponto da cena está nessa explicação: como dá a entender, é a bagunça do multiverso que faz com que esses personagens passem a habitar o mesmo mundo. Em outras palavras, está todo mundo dentro do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês).

Não fica claro qual é a gatilho que unifica os universos, mas tudo leva a crer que é a magia usada pelo Doutor Estranho em Homem-Aranha: Sem Volta para Casa. Como vimos no trailer do longa, vai ser esse feitiço que vai romper as barreiras entre as realidades e trazer o Doutor Octopus (e talvez outros vilões e versões do herói), então faz todo o sentido imaginar que o Venom também veio na bagagem.

O simbionte se interessou por Parker a ponto de querer lamber a TV (Imagem: Divulgação/Sony Pictures)

A união dos universos fica bem clara na transformação do quarto. O problema é que todo aquele diálogo sobre segredos dos simbiontes está ali apenas para confundir, uma vez que ela não acrescente nada ao momento que está sendo construído e pode fazer muita gente acreditar que aquilo é alguma habilidade do Venom.

Outra coisa que não fica inteiramente clara é o interesse do simbionte em Peter Parker. Nos quadrinhos, a relação entre eles é bem mais óbvia: o Homem-Aranha trouxe o simbionte para a Terra quando assumiu o uniforme negro e, depois, o rejeitou quando descobriu que era um ser vivo. Assim, faz sentido essa fixação do alienígena pelo herói.

No filme, porém, não há qualquer justificativa. Venom se interessa por Parker a ponto de lamber a tela, mas sem uma explicação exata do que isso representa. Pode ser que ele achou o herói delicioso para devorar (um cérebro mais apetitoso?) ou seu sentido-simbionte tilintou por alguma razão. É bem provável que nem mesmo os roteiristas saibam o que isso signifique, criando apenas um gancho para o próximo filme. Mas uma coisa é certa: pode ter certeza de que vamos ter o uniforme negro em algum momento.

O que isso representa para o futuro?

A grande dúvida que fica dessa salada multiversal é se ela será definitiva ou apenas pontual. Em outras palavras, se Venom vai integrar o MCU, se o Homem-Aranha deixará de viver no mundo dos Vingadores ou se o encontro entre o Amigão da Vizinhança e o simbionte vai ser apenas casual e cada um vai para o seu lado depois de Venom 3.

Guarda compartilhada do herói entre Sony e Marvel é uma verdadeira bagunça e futuro é imprevisível (Imagem: Divulgação/Sony Pictures)

A resposta para isso está menos nos filmes e mais nos acordos entre Marvel Studios e Sony Pictures. Isso porque os direitos do Homem-Aranha ainda pertencem à Sony e é mais ou menos como se a empresa emprestasse o personagem para ele participar do MCU.

Quando os dois estúdios fecharam um acordo para que o Escalador de Paredes aparecesse em Capitão-América: Guerra Civil, em 2016, foi revelado que a ideia era a Sony permitir o uso do Homem-Aranha para que a Marvel ajudasse a construir um universo compartilhado próprio — que foi apelidado de Aranhaverso. É nesse contexto que surgiu Venom e o vindouro Morbius, por exemplo.

É claro que há muitos termos que a gente desconhece do acordo, mas o fato é que a Sony tem muito interesse em manter o controle do Homem-Aranha, já que estamos falando de um dos heróis mais populares de todos os tempos. Há alguns anos, por exemplo, surgiram rumores sobre um possível desentendimento entre as duas empresas sobre a permanência de Parker no MCU que reforçam essa questão.

A gente só quer ver essa cena. É pedir muito? (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Assim, faz todo o sentido a Sony querer retomar o controle criativo das histórias do herói e integrá-lo ao seu universo, trabalhando os próximos lançamentos com mais liberdade e sem depender do aval de Kevin Feige para os futuros do personagem. A dúvida que fica é como isso vai ressoar com o restante do MCU. Caso o estúdio assuma as rédeas do Cabeça de Teia a partir de Venom 3, pode ser que Homem-Aranha: Sem Volta para Casa seja mesmo o último filme de Tom Holland no MCU, fazendo com que ele passe a interagir muito mais com sua própria galeria de vilões.

Outra possibilidade é a de Venom passar a existir dentro do MCU, ainda que isolado de todas as histórias da Marvel. Isso permitiria que Peter Parker aparecesse junto dos Vingadores e atuasse nos filmes da Sony sem grandes enroscos. O problema para isso acontecer, contudo, está no que foi acordado entre os estúdios, principalmente em termos de controle criativo e dinheiro — e a resposta para isso só deve ser entregue no futuro.

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