Sabia que cada Lanterna Verde usa seus poderes de forma diferente?

Por Claudio Yuge | 16 de Maio de 2020 às 17h00
DC Comics

Os Lanternas Verdes são responsáveis pelas óperas espaciais no cantinho cósmico da DC Comics e carregam uma das marcas registradas da editora, que é legado. São mais de 7,2 mil gladiadores esmeralda escolhidos por sua determinação e capacidade de sobrepujar o medo. Cada setor da galáxia conta com o patrulhamento de dois defensores, e a Terra é o único que atualmente possui nove — explico o porquê disso logo abaixo. Todos têm basicamente o mesmo poder, o de usar o anel energético para converter força de vontade em construtos. Mas você sabia que cada um usa isso de forma diferente? Pois é, o Canaltech listou alguns para ilustrar como isso acontece.

Quando a franquia nasceu com o veterano Alan Scott nos anos 40, a fonte dos poderes era mágica. Já perto dos anos 60, a Era de Prata dos quadrinhos introduziu vários elementos de ficção científica, e isso mudou e as histórias dos Lanternas. Eles se tornaram uma espécie de “Star Wars da DC”, a partir da chegada do mais popular deles, Hal Jordan, em 1959.

Ao longo do tempo, foram apresentados vários outros heróis do grupo, como os humanos John Stewart e Guy Gardner, ou os alienígenas Sinestro, Kilowog, Tomar-Re e Salaak. A grande diferença entre eles eram personalidades, além das funções que cada um exercia na tropa — não havia assim tanta distinção de como eles usavam os anéis energéticos. Mas, com a espetacular passagem do roteirista Geoff Johns no título mensal em 2004, os Lanternas ganharam uma mitologia mais ampla, com direito a outros grupos rivais e parceiros — como as Tropas dos Lanternas Laranjas, Vermelhas, Amarelas, entre outras.

Reprodução/DC Comics

Johns determinou que a Terra possui tantos Lanternas porque a vida em todo o Multiverso DC começou no nosso planeta. Por isso, somos os únicos do universo a transitar com mais intensidade por todo o espectro emocional, da força de vontade à fúria ou esperança — e isso explica também a razão de alguns de nossos heróis já terem usado anéis de diferentes cores, até mesmo de duas diferentes tropas.

O escritor introduziu características individuais no uso dos anéis, algo como um “poder especial” de cada personagem mais importante. Tudo isso fez tanto sucesso que, após o final da passagem de Johns pelo título, em 2011, houve uma grande comoção no mercado, com uma edição cheia de homenagens feitas por outros artistas, inclusive da rival Marvel Comics. Nesse período a revista Lanterna Verde se tornou a mais vendida da DC Comics — e foi isso que levou a Warner Bros a decidir pelo herói no início da sua jornada nos cinemas.

Então, vamos mostrar os principais personagens e suas diferenças.

Alan Scott

Reprodução/DC Comics

O operário de ferrovias se tornou o primeiro Lanterna Verde ao encontrar uma pedra verde com propriedades mágicas. Alan transformou-a em um anel, capaz de conjurar o que sua imaginação mandasse. Contudo, suas habilidades tinham um curioso ponto fraco, que era o de não poder usar seus poderes contra superfícies de madeira. Ao longo do tempo isso foi sendo abandonado.

Alan é considerado o Lanterna “básico”, com seus construtos “conservadores” e sempre baseados na agilidade e praticidade, sem muita firula. Ele é um importante personagem e se tornou o líder da Sociedade da Justiça, o primeiro grupo de heróis da história, que hoje em dia serve como mentores para as novas gerações. Ele também teve uma versão gay na Terra-2 do reboot conhecido por Novos 52.

Hal Jordan

Reprodução/DC Comics

O piloto de testes teimoso, charmoso e impulsivo é uma espécie de “Han Solo dos Lanternas”. Ele foi criado nos anos 50 e sua força de vontade é absurda, o que o torna o Lanterna Verde mais importante de toda a história da Tropa. Ele é tão poderoso que foi capaz de recriar uma cidade inteira com seu anel energético, incluindo pessoas com inteligência artificial. Além disso, Hal usa como ninguém suas habilidades, graças à esperteza, raciocínio rápido e conhecimento sobre muitos planetas e sociedades alienígenas.

Hal consegue manter uma aura protetora inconsciente ao seu redor, capaz de minimizar danos e até mesmo ignorar ataques quando ele está desatento. Ele também possui uma precisão cirúrgica, capaz de disparar um projétil a anos-luz de distância em um ponto focal. Como é debochado, ele cria desde suas famosas luvas de boxe até jatos e metralhadoras. Seu ponto fraco são seus atos inconsequentes, o que o torna um péssimo líder.

Não à toa ele foi expulso da Tropa dos Lanternas diversas vezes e até virou o vilão Parallax, depois de detonar os seus colegas e usar dez anéis, antes de absorver a própria energia da Bateria Central no planeta Oa, lar dos gladiadores esmeralda e o centro do universo.

John Stewart

Reprodução/DC Comics

Um dos primeiros heróis afroamericanos dos quadrinhos, Stewart chegou nos anos 70 para servir como apoio de Hal Jordan, que passou a ficar muito tempo distante da Terra. Como ele é arquiteto e militar, consegue criar construtos muito detalhados, com design e mecanismos complexos. Ele não possui a precisão de Hal, mas consegue criar um rifle sniper tão potente que é capaz de destruir um planeta — o que ele fez duas vezes, dois de seus grandes pecados na trajetória como Lanterna Verde.

Ainda assim, sua grande capacidade de liderança tornou-o lendário em todas as galáxias e ele até mesmo é o mais popular entre as gerações mais recentes, especialmente porque apareceu em muitas animações como o representante dos Lanternas Verdes na Liga da Justiça.

Guy Gardner

Reprodução/DC Comics

Quando surgiu no final dos anos 60, Gardner era um personagem bem insosso, na verdade, era um assistente social e vivia pegando no pé de Jordan. Nos anos 80, quando foi escolhido para ser mais um apoio para Hal na Terra, foi reformulado como o típico “machão” redneck estadunidense. Na nova continuidade, Gardner faz parte de uma família de policiais, o que o torna o representante, digamos, mais próximo do que os Guardiões do Universo projetam como uma autoridade de justiça.

É aquele cara que faz piadinhas machistas, mas é tão burro e caipira que chega a ser engraçado. Ele inspira confiança e é leal, nunca foge de uma briga ou deixa alguém para trás. Por isso, Gardner também é muito querido entre os colegas da Tropa — diferente de Jordan. Sua especialidade é usar a força de vontade para criar construtos massivos e quase indestrutíveis. Quando está energizado, consegue até mesmo projetar uma proteção em forma de cometa, o que o torna virtualmente invulnerável e um projétil humano de alto poder de destruição. Por um tempo, chegou a fazer parte dos Lanternas Vermelhas.

Kyle Rayner

Reprodução/DC Comics

Quando Hal enlouqueceu e virou Parallax nos anos 90, a Tropa foi praticamente dizimada. Sobrou somente um anel energético, que foi dado pelo Guardião Ganthet a Kyle. Ele é o mais ponderado de todos os Lanternas e consegue enxergar sua tarefa em diversas perspectivas, especialmente pelo fato de usar seu poder com muita empatia — seu talento artístico vem de sua sensibilidade natural. Como era um desenhista de quadrinhos, seus construtos são belos e muitas vezes cartunescos — igualmente eficazes.

Ele é quem ajudou a recriar a Tropa, reconstruindo Oa e a Bateria Central. Como é muito paciente e amável, sempre foi um bom instrutor e chegou a incorporar o avatar da força de vontade, tornando-se o mais poderoso dos Lanternas, conhecido como Ion. Como Kyle consegue atravessar todos os sentimentos do espectro emocional, também pode usar os poderes de todas Tropas quando se torna o Lanterna Branco.

Simon Baz

Reprodução/DC Comics

Criado das cinzas do fatídico 11 de Setembro, Baz trouxe representatividade com sua crença muçulmana. Antes de ser escolhido, ele praticava pequenos furtos e o fato de lidar com a constante discriminação o torna bastante cético sobre o que acontece ao seu redor — ele sempre portava um revólver, pois não confiava muito no anel energético, que precisa ser recarregado a cada 24 horas com o famoso juramento dos Lanternas Verdes.

Embora não tenha muita criatividade e até use construtos de forma mais agressiva, ele tem um dom que nenhum outro Lanterna já teve: em sua estreia, ele foi capaz de reanimar seu irmão de uma breve morte, com uma capacidade impressionante de cura e regeneração, a partir de sua fé.

Jessica Cruz

Reprodução/DC Comics

Ela usa uma versão do anel que veio da Terra-3, onde modelos distorcidos da Liga da Justiça compõem o Sindicato do Crime. Depois que o “Lanterna Verde” deles morre, seu artefato, que se alimenta de medo, encontra uma latina traumatizada por um evento em que ela testemunhou a morte de seus melhores amigos. O anel ficou anexado a ela devido à suscetibilidade por ansiedade e depressão. Depois que passou a utilizá-lo, desenvolveu agorafobia, que é o medo de lugares ou situações que possam causar pânico.

Batman e Hal Jordan conseguiram fazer com que ela aos poucos enfrentasse seus medos e conseguisse criar seus construtos, que por si só, já são uma demonstração de superação. Como seu anel energético está atrelado a uma versão do Primeiro Lanterna, Volthoom, ele dá a Jessica a habilidade de viajar no tempo. Além disso, ela é muito habilidosa com armas e é especialista em sobrevivência em locais extremos — consegue criar projeções úteis para o caso de ficar perdida em um ambiente hostil.

Outros Lanternas de destaque

Além dos mais importantes acima temos, três outros Lanternas na Terra, dois deles mais novos. Veja abaixo uma breve descrição e outros integrantes de destaque:

  • Jade: Jennifer Lynn-Hayden é filha de Alan Scott e Rose Canton. Ela inicialmente não precisava usar um anel energético, mas sua cronologia ficou um pouco zoada nos últimos anos e não se sabe exatamente sobre seu status;
  • Jo Mullein: Protagonista da revista Far Sector, que traz histórias afrofuturistas, Jo representa os Lanternas terráqueos no futuro;
Jo Mullein (Reprodução/DC Comics)
  • Tai Pham: Sua avó vietnamita é revelada como a maior Lanterna Verde de todos os tempos e essa história secreta vai sendo apresentada enquanto mostra o legado sendo passado para uma nova geração;
  • Sodam Yat: Ele é um daxamita, uma raça que tem poderes parecido com os do kryptonianos. Imagine, então, uma espécie de “Superman Lanterna Verde”;
  • Mogo: Apresentado em uma sensacional história de Alan Moore, é um planeta, que ajuda a criar novos anéis energéticos e já fez o papel de sede da Tropa dos Lanternas quando Oa foi destruído;
  • Rot Lop Fan: Como sua raça alienígena é cega e não tem referências sobre cores, ele sua o anel energético a partir de vibrações sonoras;
Rot Lop Fan (Reprodução/DC Comics)
  • Leezle Pn: É praticamente um germe e, bem, estamos presenciando o estrago que um vírus pode causar. Imagine um coronavírus inteligente com poderes de Lanterna Verde…
  • Hannu: O povo guerreiro de seu planeta, Ovacron Six, acredita que usar armas em batalhas é desrespeitoso. Por isso, ele raramente usa o anel energético e, na maioria das vezes, vence suas brigas na base da porrada mesmo.

Bem, há vários outros clássicos, como Sinestro, Kilowog, Tomar-Re, Ch’p e G’nort, mas daí ficaríamos o dia todo falando deles. E vocês, quais são seus Lanternas favoritos? Diz para a gente nos comentários!

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