Por que Matrix 2 e 3 foram tão ruins? Diretor de fotografia dos filmes explica

Por Laísa Trojaike | 16 de Julho de 2020 às 10h53

O primeiro Matrix foi um sucesso absoluto e, além de intrigar a cabeça dos espectadores e gerar milhares de análises de todos os tipos, tornou-se um verdadeiro clássico da história do cinema. As sequências, no entanto, não são consideradas tão boas assim e a notícia de um quarto filme deixou os fãs divididos entre a empolgação e o receio, o que foi amenizado com as declarações de que o roteiro é realmente excelente (mas vamos ter que ver para crer). Agora, em um episódio do podcast de Roger Deakins, o Team Deakins, o diretor de fotografia da trilogia Matrix, Bill Pope, falou sobre as grandes diferenças entre filmar o primeiro filme Matrix e os dois seguintes, Matrix Reloaded e Matrix Revolutions.

Pope não fez rodeios ao dizer que “Tudo o que foi bom na primeira experiência não foi bom nos dois últimos". Segundo ele, a sensação tem a ver com a liberdade do primeiro filme, enquanto os outros estiveram sob as exigência e expectativas levantadas pelo início da franquia. “Você não estava mais livre. As pessoas estavam olhando para você”, explicou. “Houve muita pressão. Honestamente, eu simplesmente não gostei deles”.

Imagem: Warner Bros.

Pope ainda disse que os eventos que estavam acontecendo por trás das câmeras afetaram diretamente o filme. “Eu senti que deveríamos estar indo em outra direção. Havia muito atrito e muitos problemas pessoais, o que acabou transbordando para a tela, para ser honesto com você. Não foi o meu melhor momento, nem o de mais ninguém. As Wachowski haviam lido este maldito livro de Stanley Kubrick que dizia, 'Os atores não fazem performances naturais até que você os desgaste'. Então vamos ao take 90! Eu quero desenterrar Stanley Kubrick e matá-lo."

Como Matrix Reloaded e Matrix Revolutions foram gravados juntos, já havia muito trabalho sem que a direção precisasse complicar ainda mais com a inspiração em Stanley Kubrick. Pope comentou sobre o quão exaustivo foi o processo: "Há algo em fazer uma filmagem tão longa, 276 dias de gravação, isso causa uma dormência na mente e na alma e deixa o filme monótono.”

Atualmente, The Matrix, que estava com as gravações suspensas, teve os trabalhos retomados em Berlim, com a direção de Lana Wachowski, o primeiro Matrix sem a colaboração da irmã Lilly Wachowski. Ainda assim, a data de estreia segue sendo 1º de abril de 2022, o que arruinou a aguardada e profética dupla estreia de Keanu Reeves como Neo e como John Wick nos cinemas, já que ambos os filmes tinham estreias previstas para o mesmo dia.

Bill Pope foi substituído por John Toll em The Matrix, mas poderemos ver o seu trabalho em The Boys in the Band, de Joe Mantello, e Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, da Marvel.

Fonte: GameSpot

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