Pandemia deve gerar queda de 57% na indústria de entretenimento na Europa

Por Felipe Demartini | 17 de Junho de 2020 às 19h00
Fer Gregory

A indústria do entretenimento é um dos setores mais atingidos economicamente pela pandemia do novo coronavírus, que levou ao fechamento de teatros e cinemas, à suspensão de gravações, ensaios, sessões de fotos e produções, entre diversos outros reflexos. Agora, esse impacto aparece quantificado em números da Oxford Economics, que prevê uma retração de 57% no segmento apenas no Reino Unido, além da perda de 42% das vagas de trabalho disponíveis na empresa do ramo.

A expectativa do braço de pesquisas da universidade britânica é que 2020 feche com perdas de US$ 45,3 bilhões no território, com 102 mil pessoas ficando sem emprego. A maioria dos dispensados sairá das redes de cinema , mas produtoras de eventos e shows também serão duramente afetadas, no que os estudiosos de Oxford chamaram de uma “catástrofe cultural” que deve levar alguns anos para ser revertida.

Os números ficam ainda mais tristes quando se percebe que, até 2019, o setor de entretenimento crescia a um ritmo cinco vezes maior que a média da economia do Reino Unido. Em seu ápice, dois milhões de pessoas tinham empregos relacionados a ele, com US$ 140,5 bilhões sendo registrados em impostos todos os anos por conta disso — a ideia do estudo, então, é que a retração no segmento também deve ser sentida duramente na arrecadação e, com isso, afetar indiretamente outros setores.

Como as medidas de contenção do novo coronavírus fazem pensar, foram os cinemas que sofreram mais. O segmento, especificamente, deve ter retração de 61%, perdas de US$ 3,8 bilhões e 70% de seus postos de trabalho fechados. Na sequência, está o segmento musical; por mais que gravações de estúdio, lives e outras produções do tipo tenham ajudado a segurar as pontas, a expectativa ainda é de uma queda de 50% devido à suspensão de seu funcionamento mais lucrativo, os shows ao vivo. Aqui, as perdas também serão de quase US$ 4 bilhões, com corte de 60% das vagas.

Crise pode ser mais longa se governos não ajudarem

Os responsáveis pelo estudo avaliam que os reflexos da retração financeira devem ser de longo prazo, caso o governo não atue junto aos mais atingidos e crie fundos de auxílio ou ajude as empresas a renegociarem suas dívidas, alugueis e demais despesas de funcionamento. A ideia é que os setores mais impactados pela pandemia, também, serão os últimos a reabrirem, já que muitas das atividades não são possíveis enquanto medidas de distanciamento social estiverem em vigor.

O estudo feito pela Oxford Economics foi encomendado por entidades que representam o setor de entretenimento, que também assinaram um manifesto pedindo medidas do governo para resolver os problemas econômicos do segmento. Entre os pedidos estão pacotes financeiros para recuperação, renegociações de dívidas e auxílio aos profissionais que se encontram impedidos de trabalhas e que, em breve, também estarão sem emprego.

Por outro lado, a pesquisa traz expectativas otimistas de que, pelo menos, os cinemas serão capazes de reabrir já neste mês de julho, ainda que seguindo medidas de distanciamento que devem gerar uma diminuição no número de assentos e, claro, na arrecadação. Há, entretanto, o outro lado dessa questão, com a ideia de que os frequentadores ainda levarão algum tempo para recuperarem a confiança, algo que pode estender ainda mais os efeitos da crise.

Fonte: Variety

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