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Mulher-Hulk | Como o Demolidor do MCU é diferente da Netflix?

Por| Editado por Jones Oliveira | 06 de Outubro de 2022 às 15h30

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Marvel Studios
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O momento finalmente chegou: o Demolidor está no MCU. Depois de uma longa espera desde o anúncio de que o personagem voltaria, o oitavo episódio de Mulher-Hulk: Defensora de Heróis colocou o Homem Sem Medo dentro da história do jeito que a gente queria — mas com algumas mudanças em relação ao vimos na série Demolidor da Netflix.

O seriado trouxe de volta Charlie Cox no papel do advogado cego Matt Murdock, mas fica claro logo de início que esse não é o mesmo herói que vimos na antiga série da Netflix. Para além do visual, o MCU fez pequenas alterações na personalidade e até mesmo nas habilidades do Demônio de Hell’s Kitchen que deixam claro que esse é um personagem diferente daquele que lutou ao lado dos Defensores e que dá bem o tom do que devemos ver em Daredevil: Born Again no futuro.

Não é nada radical, mas são pequenas mudanças até mesmo sutis entre o Demolidor do MCU e da Netflix que fazem toda a diferença tanto na hora de combater o crime como na hora de se relacionar com outros personagens. E, embora ainda seja cedo para dizer se isso funciona ou não, não há como negar que são ajustes que remetem a alguns dos melhores momentos do personagem nos quadrinhos.

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Novas habilidades

A participação do Demolidor em Mulher-Hulk é até bem discreta. O herói aparece de verdade apenas em dois grandes momentos de ação — além de sua hilária saída de cena —, mas o suficiente para mostrar como o MCU praticamente reinventou o personagem em termos de habilidades e poderes.

Na série da Netflix, o que chamou a atenção de todo mundo foi o quanto tudo ali era crível. Embora Murdock ainda fosse tratado como um ninja e fizesse suas acrobacias aqui e ali, era algo ainda com o pé no chão. A proposta daquele seriado era ser mais realista e, por isso, o Demolidor não fazia nenhuma macaquice mais exagerada. Por mais incrível que fossem as lutas ou mesmo os saltos que o personagem dava, ainda parecia ser possível alguém fazer aquilo de verdade.

Contudo, o Demolidor que aparece em Mulher-Hulk é claramente um herói de gibi. Já em seu primeiro confronto com Jennifer Walters (Tatiana Maslany), ele dá cambalhota, salto mortal e até se joga de um prédio e se pendura de um modo que um humano comum não poderia fazer. Não por acaso, são cenas em que os efeitos especiais são bem mais nítidos.

Como dito, é uma mudança até bem sutil em relação ao “Netflixverso”. Seja porque a Marvel tem mais orçamento para usar o CGI nessas cenas ou porque a ideia é mostrar o Demolidor como alguém super humano, a verdade é que temos algo muito mais próximo nos quadrinhos.

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Quem leu qualquer HQ do Demônio de Hell’s Kitchen com certeza já viu Murdock fazendo diversas acrobacias circenses enquanto pula de um prédio para o outro. São mergulhos em queda-livre, um uso absurdo de seus bastões e muitos saltos e piruetas durante os combates. E isso foi muito bem levado para o MCU, ainda que a gente tenha visto isso muito pouco.

É um resgate muito legal da própria origem circense dos super-heróis e que faz parte da essência do personagem. Afinal, os sentidos ampliados do Demolidor também permitem que ele tenha uma precisão enorme na hora de cometer essas loucuras e é muito bom ver isso em cena.

Além disso, o episódio também mostrou como o novo Demolidor também faz muito bom uso dessas habilidades expandidas na hora de dar porrada em bandido. A hora que ele entra em cena e já joga o bastão na cara de um criminoso é puro suco de gibi.

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Até porque não há aquela preocupação de justificar de onde ele arranjou cada acessório. Enquanto o seriado da Netflix cuidava para fazer com que cada arma e vestimenta tivesse uma explicação lógica para existir, o MCU abraçou os quadrinhos e tornou aceitável ele ter um bastão com cabo de aço retrátil como se isso fosse a coisa mais natural possível.

Um novo tom para o personagem

Talvez nem todo mundo perceba a diferença de imediato, mas já fica evidente o quanto o Demolidor do MCU é diferente do da Netflix em termos de personalidade — e os dois estão muito bem fundamentados nos quadrinhos.

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Na série original do personagem, Murdock era o típico cristão das HQs: alguém com um enorme senso de responsabilidade e carregando uma culpa do tamanho de uma cruz. Isso fazia dele alguém muito mais introspectivo e focado em sua cruzada pessoal contra o Rei do Crime (Vincent D’Onofrio) e em salvar Hell’s Kitchen.

Isso fazia dele alguém quase amargurado, sempre tendo que lidar com questões grandiosas e pronto para se sacrificar pela causa — o que sempre significou se afastar de seus amigos. É o tipo de história clássica do Demolidor, principalmente nas fases de Frank Miller, Brian Michael Bendis e Ed Brubaker.

Porém, o pouco que vimos de Matt Murdock em Mulher-Hulk: Defensora de Heróis é alguém bem mais espirituoso e até divertido. Ele faz piada enquanto luta, brinca com Jen antes de entrar no combate e até encontra espaço para flertar e dar uns pegas na heroína verde.

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Aliás, essa é outra característica bastante marcante do personagem nos gibis que, até então, era inédito em suas adaptações. Nas HQs, o Demolidor é um notório pegador e já namorou ou teve casos com uma lista enorme de garotas, poderosas ou não. E ver isso aparecer no MCU é um lembrete dessa característica tão divertida dele — até porque, na grande maioria dos casos, ele sempre se dá mal por causa de um rabo de saia.

Isso é algo que vem tanto da origem do herói, lá na década de 1960, quando ele era escrito por Stan Lee, como também de fases mais recentes. Quando o roteirista Mark Waid assumiu sua revista, por exemplo, há toda uma história com Murdock todo engraçadão invadindo um casamento para pegar um bandido e, no fim, ainda dá um chamego na noiva.

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O novo visual

No caso do novo uniforme do Demolidor, não há muito mistério. A gente já tinha visto no trailer que ele usaria o clássico traje vermelho e amarelo e um dos episódio chegou a antecipar o porquê da mudança: no fim das contas, Murdock contratou um estilista novo para cuidar de seu uniforme e ele decidiu misturar catchup com mostarda, como é bem pontuado por Jen.

A razão para isso é óbvia. Trata-se de uma referência aos quadrinhos originais do personagem, em que ele realmente usava essa combinação de cores até trocar o uniforme pelo vermelho clássico que todo mundo conhece. E, dentro da trama, isso ficou como uma piada para marcar que esse é um Homem Sem Medo diferente daquele que vimos na Netflix.

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Quer dizer que Daredevil: Born Again vai seguir com esse traje mais chamativo ao invés daquele mais sóbrio? Difícil dizer, já que não sabemos nada sobre a futura série estrelada por Charlie Cox.

Só que vale pontuar que o esquema atual de cores parece combinar bem mais com esse clima mais leve que Mulher-Hulk: Defensora de Heróis exige. Assim, pode ser que um roteiro mais sério no seriado próprio do Demolidor pode fazer a Marvel voltar para o visual tradicional.

Acenos à Netflix

Só que a estreia do Demolidor não foi feita apenas de diferenças à série original. Houve também alguns acenos à produção da Netflix e que certamente deixaram muitos fãs bastante animados.

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A primeira delas foi o uso da trilha sonora do seriado. Quando Murdock é pego por Jen e ela o questiona sobre ser super-herói, ele revela ser o Demolidor — e, no mesmo instante, ouvimos os acordes da trilha composta por John Paesano. É algo bem rápido e que é logo interrompido pela cara de “não faço ideia do que você está falando” da Mulher-Hulk.

Logo na sequência, há outra cena que remete de forma direta ao Netflixverso. Quando o Homem Sem Medo invade a base do Homem-Sapo, os capangas do vilão se reúnem em um corredor escuro e há todo um preparativo para uma cena de batalha — o que não acontece. E quem assistiu à série original sabe como esses momentos de luta em ambientes apertados e terrivelmente iluminados viraram uma marca registrada do herói.

Mulher-Hulk: Defensora de Heróis está disponível no Disney+.