Lançar filmes no cinema e streaming ao mesmo tempo prejudica a bilheteria?

Lançar filmes no cinema e streaming ao mesmo tempo prejudica a bilheteria?

Por Felipe Demartini | Editado por Jones Oliveira | 30 de Agosto de 2021 às 11h45
Marvel

Para muita gente, a pandemia do novo coronavírus já está chegando ao fim e agora é o momento de discutir o que ficou de mudanças. No mundo do entretenimento, a principal discussão segue focada nas janelas de lançamento entre cinema e serviços de streaming, com executivos do setor demonstrando opiniões conflitantes enquanto estudos apontam que, do ponto de vista da pirataria, uma redução ou até mesmo o lançamento simultâneo não altera os números.

Durante a CinemaCon, evento voltado para os donos de salas, que aconteceu na última semana dos EUA, uma surpreendente voz favorável veio de Charles Rivkin, CEO da Motion Picture Association (MPA), a principal entidade da indústria do cinema. De acordo com ele, o público do streaming e do cinema não é o mesmo, o que significa que os dois formatos não estão competindo entre si, mas são vistos como um “espectro compartilhado” pelos espectadores.

Ele citou uma pesquisa da Ernst & Young, encomendada pela rede de cinemas NATO, que, em 2020, mostrou que os assinantes de serviços de streaming costumam frequentar o cinema — e vice-versa —, ainda que a balança tenha se desequilibrado para o consumo doméstico durante a pandemia. Além disso, na visão dele, um lançamento na tela grande serve como “selo de qualidade” para um longa, com os números registrados após a reabertura mostrando que muita gente não está disposta a esperar, nem mesmo semanas, para assistir aos grandes filmes em casa.

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Vozes discordantes, entretanto, também surgiram no mesmo evento. John Fithian, CEO da NATO, a mesma citada por Rivkin em sua apresentação sobre o estado da indústria de cinema, afirmou que as exclusividades no lançamento são vitais. Em apresentação própria, ele disse que os períodos podem, sim, se tornar mais curtos ao fim da pandemia, mas devem continuar existindo para que o mercado continue a ter sucesso.

A fala foi corroborada por Adam Aron, CEO da AMC, uma das maiores redes de cinema dos Estados Unidos. Ele apontou as janelas de lançamento como um fator de redução da pirataria, com os lançamentos simultâneos sendo, na visão dele, um fator que deprecia as estreias e leva menos gente aos cinemas, uma vez que os filmes também passam a estar disponíveis de maneira irregular e em boa qualidade.

Nem tanto

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Aneis marca estreia de novo formato para o Disney+, que deixa de lado taxa extra e lançamento simultâneo para focar em chegada 45 dias depois da estreia nos cinemas (Imagem: Divulgação/Disney)

Um estudo realizado em janeiro e publicado na Coreia do Sul demonstra que a relação entre streaming, pirataria e uma eventual redução no públicos dos cinemas pode não ser tão direta assim. O levantamento feito pela Universidade Carnegie Mellon mostrou que o lançamento nas plataformas online, quatro meses após a chegada aos cinemas, causou uma redução de meros 1% nas bilheterias do país — antes, com um intervalo de dois ou três meses, essa queda era de 0,8%.

O estudo não se debruçou sobre lançamentos simultâneos, mas pode servir como um farol para que a indústria trabalhe em janelas menores. A Disney, por exemplo, vai testar o lançamento de Shang-Chi e a Lenda dos Dez Aneis com um intervalo de 45 dias entre a chegada aos cinemas, que acontece nesta semana, e seu serviço de streaming, o Disney+, abandonando o formato anterior do Premier Access, com chegada ao mesmo tempo e atrelada a um pagamento extra de R$ 69,90.

Uma janela semelhante também foi acordada, nos EUA, entre a rede AMC e a distribuidora Universal, de Candyman e Velozes e Furiosos 9. Após anunciar que não exibiria mais os longas da empresa em protesto contra o lançamento simultâneo, as partes chegaram a um acordo que envolve uma janela de 17 dias, no mínimo, entre a estreia nos cinemas e a chegada aos serviços de streaming.

Muitas falas, como a da Disney, acompanham a ideia de experimento e uma noção clara de que ainda é cedo para entender a relação entre streaming, cinema, janelas menores e a pirataria. Todos, porém, concordam que a indústria foi mudada de forma permanente pela pandemia e, agora, é uma questão de conversa, e às vezes queda de braço, para que novos padrões de lançamento sejam encontrados.

Fonte: Deadline, TorrentFreak

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