Velozes e Furiosos: há 20 anos sendo muito mais que uma franquia automobilística

Velozes e Furiosos: há 20 anos sendo muito mais que uma franquia automobilística

Por Beatriz Vaccari | Editado por Jones Oliveira | 17 de Junho de 2021 às 21h00
Universal

Após um ano de adiamentos devido a contratempos causados pela pandemia da COVID-19, F9 chega aos cinemas brasileiros em 22 de julho, enquanto a estreia nos Estados Unidos está marcada para a próxima semana. No entanto, é próximo a uma data especial que o filme chegará nas telonas: nesta quinta-feira, 17 de junho, a franquia Velozes e Furiosos celebra 20 anos de seu lançamento.

Embora o primeiro capítulo não tenha agradado tanto a crítica especializada (acumulando hoje um índice de 53% de aprovação no Rotten Tomatoes, baseado em 151 publicações), foi no público que Velozes e Furiosos encontrou seu ponto de fixação. A ideia surgiu logo no início do novo milênio, em um bate-papo entre Paul Walker e o diretor Rob Cohen, em que o cineasta questionou o ator sobre "o que ele gostaria de fazer a seguir". Na época, a dupla tinha acabado de finalizar as filmagens do thriller psicológico Sociedade Secreta.

Walker não imaginava, mas, naquele momento, estaria dando início a uma das maiores franquias de ação que o cinema conheceria. Quando o ator sugeriu um mash-up dos filmes Donnie Brasco, Dias de Trovão com um quê de Caçadores de Emoção, o enredo desenrolou-se de forma praticamente natural: de repente, Brian O'Conner surgiu sendo um policial infiltrado num grupo de motoristas e entusiastas por carros e corridas, similar ao que Keanu Reeves fez ao investigar um grupo de surfistas suspeitos de assaltarem bancos. A contratação de Vin Diesel não demorou a acontecer, visto que os produtores queriam dar a Walker "um colega de elenco a altura".

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Vin Diesel e Paul Walker no set do primeiro filme, em 2001 (Imagem: Divulgação / Universal Pictures)

O que poucos fãs sabem é que a série quase não foi intitulada Velozes e Furiosos. De acordo com uma entrevista nos conteúdos especiais no DVD do primeiro filme, o projeto inicialmente foi chamado de Racer X e depois contou com um nome provisório: Redline. A troca para o título oficial veio após Cohen ler um artigo da VIBE Magazine sobre corridas de rua clandestinas em Nova York.

Sucesso financeiro de muitos zeros

O primeiro F&F conseguiu superar seu alto orçamento de US$ 38 milhões apenas no fim de semana de estreia, acumulando mais de US$ 40 milhões só na América do Norte. O caixa global do longa-metragem após a exibição nos cinemas superou a marca de US$ 200 milhões e tornou-se um verdadeiro sucesso financeiro que, mais tarde, daria origem a outros oito filmes, fora os videogames, séries animadas e muitos produtos oficiais, além de consolidar ainda mais a carreira de Paul Walker, Michelle Rodriguez, Gal Gadot, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, entre outros nomes que vieram a participar da franquia.

Atualmente, Velozes e Furiosos é considerada a maior franquia da Universal Pictures. Até 2017, a série de filmes já havia acumulado uma bilheteria de US$ 5 bilhões no mundo todo.

O legado nos filmes de ação

Com carros de última geração, corridas clandestinas de madrugada e muitas cenas de movimentação absurdas em câmera lenta, Velozes e Furiosos foi pensado para resumir toda a sua história em apenas um capítulo, diferente de muitas séries cinematográficas atuais que prepararam o terreno de seu sucesso antes da primeira exibição nas telonas. Esse legado, movido à vontade do público e audiência, deu origem a um universo inteiro conectado em mais de duas décadas.

Vivendo a milhão por hora (Imagem: Divulgação / Universal Pictures)

O interessante é que Velozes e Furiosos, apesar de ter sido inspirado em outras obras, não é um reboot, adaptação ou revival de algo que já existia anteriormente. O primeiro filme foi pensado do zero e acabou desenrolando outras obras derivadas que perseguiram esse sucesso, o que explica, por exemplo, o lucro de toda a franquia estar caminhando para alcançar o PIB de uma pequena nação, com mais de US$ 5 bilhões.

"Levo a minha vida a 1 km de cada vez, nada mais importa. Durante aqueles dez segundos ou menos, eu sou livre" - Dominic Toretto em Velozes e Furiosos (2001)

Muito além de carros

Embora totalmente atrativo para entusiastas automobilísticos, Velozes e Furiosos vai muito além dos filmes de ação com carros modernos e muitas embreagens manuseadas. É claro que a franquia possui seu diferencial ao entregar cenas exorbitantes com explosões, perseguições em alta velocidade, arriscadas manobras em automóveis e empolgantes movimentações em tela. Com os rumores confirmados para cenas no espaço sideral em F9, não é equivocado dizer que respeitar os limites da expectativa do público não é algo que interessa para os produtores — sobretudo o diretor Justin Lin, que comandou os quatro filmes a partir de Desafio em Tokyo, incluindo Operação Rio, e Velozes e Furiosos 4 e 6.

No entanto, a produção não deixa de ter seu lado sentimental, principalmente verbalizado por Dominic Toretto em diversos momentos: Velozes e Furiosos é, acima de tudo, sobre encontrar família naquelas pessoas que não dividimos necessariamente a mesma linhagem sanguínea. "Eu não tenho amigos, eu tenho uma família", diz o personagem de Vin Diesel no sétimo filme, justamente o capítulo em que Brian O'Conner despediu-se da franquia.

Família (Imagem: Divulgação / Universal Pictures)

A mensagem central, embora em meio a tantas cenas em alta velocidade, é exatamente sobre cuidar dos seus, e que não há nada mais importante do que isso na vida. Esse pensamento, inclusive, reflete muito no elenco que em 2001 era de desconhecidos em apenas um filme de ação que por algum acaso funcionou e deu origem a um império automobilístico na indústria cinematográfica. Se não houvesse uma amizade genuína por trás das câmeras, cenas que mostram todos os personagens reunidos (normalmente comendo e bebendo cerveja), não trariam o equilíbrio que tantos momentos explosivos nos nove filmes precisam.

É essa autenticidade e conexão que transcende às telas que fisgou o público desde o início e tornou Velozes e Furiosos no grande sucesso que é hoje. Embora traga uma trama que pode muito bem ser uma alternativa às opções usuais de escapismo, a série ainda mescla bom humor e cenas de ação a uma química entre o elenco que dificilmente pode ser encontrada em outros títulos blockbusters. Isso é nítido desde Operação Rio, em que o público, apesar de saber que Vin Diesel e Paul Walker são os protagonistas, acaba se apegando ao leque de personagens em tela de maneira natural — até mesmo aqueles que não fazem parte oficialmente da "família", como o Hobbs de Dwayne Johnson.

"Eu nunca achei que confiaria num criminoso" Hobbs para Dominic em Operação Rio (Imagem: Divulgação / Universal Pictures) 

Talvez seja por isso que o primeiro filme tenha sido um grande sucesso de bilheteria, mas não agradou tanto a crítica. O feito acabou se repetindo até o quarto longa, mas agora, com a notícia de que F9 fará sua estreia no Festival de Cannes, pode ser que os especialistas estejam enfim comprando esse apelo emocional entregue ao longo de toda a série — que se estenderá até o capítulo 11, possivelmente em 2023.

Para sempre Paul Walker

Membro integrante dessa família desde o primeiro filme, a morte de Paul Walker afetou a legião de fãs de Velozes e Furiosos e todo o elenco que dividiu as telas com o ator durante quase duas décadas. No cinema, Brian O'Conner permanece vivo e dando continuidade à história de seu personagem, e todo esse carinho à frente e atrás das câmeras alegra a família do artista até os dias atuais.

"Vin e toda a família fizeram um ótimo trabalho ao deixar o personagem dirigir rumo ao pôr do sol. Eu acho que Paul iria realmente se divertir fazendo isso, ficou tão legal. É um baita passeio. Paul era muito puro, um cara dos carros de verdade", declarou o irmão Cody Walker numa entrevista recente ao TMZ para falar sobre F9.

"Sei que Vin Diesel sempre leva uma abordagem muito séria para manter o legado de Paul em mente. Ele sempre fez um trabalho muito bom em homenagear esse personagem. Eles trabalharam juntos e foram irmãos por anos."

Para sempre Brian O'Conner (Imagem: Divulgação / Universal Pictures)

Paul Walker morreu repentinamente em um acidente de carro enquanto o sétimo filme era gravado, o que fez com que seu irmão Cody o interpretasse na cena final, em que também foi utilizada um pouco de tecnologia CGI. Velozes e Furiosos 7 teve a trilha sonora See You Again, performada pelo cantor Charlie Puth e o rapper Wiz Khalifa, indicada ao Grammy e quebrando recordes de visualizações no YouTube, além de ganhar uma pequena homenagem de Vin Diesel nas premiações que aconteceram após a morte do amigo, em 2013.

Mia Toretto estará de volta em F9 e possivelmente os fãs terão uma atualização sobre a vida de Brian O'Conner. Com a série encerrando-se em mais dois filmes, é esperado que os próximos títulos continuem homenageando Paul Walker e sua participação numa franquia que hoje carrega um legado tão importante.

Todos os Velozes e Furiosos estão disponíveis no catálogo do Telecine.

Com informações: Cinema Blend, Rotten Tomatoes

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