Crítica Um Menino Chamado Natal | A origem de uma lenda

Crítica Um Menino Chamado Natal | A origem de uma lenda

Por Beatriz Vaccari | Editado por Jones Oliveira | 30 de Novembro de 2021 às 18h30
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Enquanto alguns encontram conforto em romances de Natal, há aqueles que preferem aproveitar o feriado para aventuras mágicas com muitas criaturas místicas. Um Menino Chamado Natal chegou à Netflix para compor esses mesmos títulos mais direcionados ao público infantil, mas que também podem ser assistidos por toda a família. Adaptação do livro homônimo de Matt Haig, a história segue, em poucas palavras, a origem da lenda que é hoje um verdadeiro ícone para as crianças de todo o mundo: o Papai Noel.

No entanto, o filme não se preocupa em adiantar isso uma única vez, apresentando a história como uma outra qualquer e desenvolvendo-a naturalmente sem pressa. Gil Kenan (de A Casa Monstro e que também recentemente coescreveu Ghostbusters: Mais Além) faz um excelente trabalho aqui em criar empatia dos personagens com o público antes de sequer apresentá-los com a importância que têm hoje na vida das pessoas. Dessa forma, cria-se um sentimento genuíno por aqueles na tela, ao invés de uma simples obrigação de gostar deles por serem quem são.

Elfos, fadas, renas e muita magia compõem Um Menino Chamado Natal (Imagem: Divulgação / Netflix)

A forma como tudo se desenvolve em Um Menino Chamado Natal é exatamente assim: simples, sem pressa e com muito carinho. A obra original de Matt Haig ama seus personagens e tudo o que os cercam e isso é nítido na forma como a história é contada: por mais que o calouro Henry Lawfull, que aqui interpreta o menino Nikolas, brilhe em cada uma de suas cenas, há espaço para todos os demais se destacarem.

Embora pensada para ser um filme infantil, Gil Kenan não parece se importar em colocar um pouco de escuridão até mesmo nos mais mágicos contos de fadas, mesmo que em nenhum momento acabe escorregando na romantização. Nikolas é um garoto cuja infância foi difícil tanto por motivos financeiros quanto emocionais, deparando-se com a crueldade gratuita mais de uma vez em sua jornada particular. No entanto, sua essência pura (e até um pouco ingênua) jamais o impediram de se desviar do rumo em que as batidas de seu coração o levavam.

Personagens que atraem a empatia do público (Imagem: Divulgação / Netflix)

O nascimento de uma lenda

Assim como em Ghostbusters: Mais Além, Kenan ama seus personagens. O cuidado e dedicação com que o trabalho é feito acaba sendo refletido em todo o produto final. É difícil retratar uma história que foi tirada de uma hipótese ("e se o surgimento do Papai Noel fosse de muito sofrimento e bem longe da forma que imaginamos ser?") e fazê-la duma forma convincente, mas aqui o cineasta de A Casa Monstro o faz de um jeito perspicaz ao mesmo tempo em que também assina o roteiro ao lado de Ol Parker, nome por trás dos filmes Agora e Para Sempre e Mamma Mia!

Acreditar na mágica é o verdadeiro segredo por trás de todo o projeto aqui. Lawfull transborda como Nikolas, por mais que este seja seu primeiro papel num filme e contracene com figuras que inclusive já foram indicadas ao Oscar: Sally Hawkins, que aqui toma uma posição antagonista como uma Elfo controladora e Kristen Wiig que está irreconhecível como a Tia Má Carlotta.

Sally Hawkins está irreconhecível como a Rainha Elfa em um Menino Chamado Natal (Imagem: Divulgação / Netflix)

Kenan consegue reunir todos os elementos introduzidos nesse cenário mágico e repleto de lendas (elfos, renas, fadas e muitos feitiços) e fazer com que uma simples história ganhe força, significado e contexto por si só. Vai muito além do ato de Maggie Smith contá-la como uma cantiga de ninar para seus três sobrinhos, Um Menino Chamado Natal é sobre o amor, carinho e sobretudo respeito que um cineasta tem pela obra que originou seu trabalho — e como estendê-la como um legado.

De se destacar entre os filmes de Natal

Por mais que a Netflix invista fortemente na produção de comédias românticas debaixo do visco, há um título ou outro de Natal que acaba sendo direcionado para toda a família. Um Menino Chamado Natal é uma boa surpresa do streaming e definitivamente merece brilhar ao lado de títulos que já ganharam o coração dos assinantes, como Uma Invenção de Natal ou Crônicas de Natal.

Henry Lawfull faz de seu primeiro papel um debut de alto nível como Nikolas em Um Menino Chamado Natal (Imagem: Divulgação / Netflix)

A obra de Gil Kenan consegue muito bem contar uma história festiva sem ao menos mencionar o Papai Noel, trazendo consigo uma hipótese cheia de contexto e argumentos que tornam o surgimento desse feriado algo que de fato pode ter ocorrido. Um Menino Chamado Natal entretém toda a família e entrega a tradicional mensagem de obras do tipo, mas em nenhum momento propõe a dúvida ou escorrega no surrealismo dos eventos que retrata. Apesar do já esperado escapismo e cenário mágico, a alternativa para algo com conforto e alguns respingos de realidade está reunida aqui, tornando-o assim um dos melhores títulos de Natal desse ano no streaming.

Um Menino Chamado Natal está disponível na Netflix.

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