Crítica: Space Force é boa comédia, mas precisa de mais combustível para decolar

Por Natalie Rosa | 02 de Junho de 2020 às 10h12
Divulgação: Netflix
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Quem estava sentindo falta de ver Steve Carell em uma comédia, agora tem a oportunidade de conferir a estreia da série Space Force, original da Netflix que chegou à plataforma na última sexta-feira (29). A produção foi criada pelo próprio Carell junto a Greg Daniels, que também trabalhou em The Office como roteirista.

Muitos podem começar a assistir e procurar relacionar o protagonista, o general Mark R. Naird, com Michael Scott, de The Office, mas os chefes são bem diferentes. Apesar disso, a atração utiliza elementos de comédia parecidos, como os colegas de trabalho com personalidades bem características. A maior esquisitice de Naird, ao contrário das de Michael, é inofensiva, como por exemplo gostar de cantar sozinho intensamente quando está estressado. Ou seja, não espere algo tão perturbador como The Office.

Atenção: esta crítica contém spoilers de Space Force!

Imagem: Divulgação/Netflix

Space Force gira em torno da vida e carreira do general Naird, um piloto condecorado que tem como grande sonho comandar a Força Aérea dos Estados Unidos. Ele acaba se tornando o líder de uma divisão, mas ela é inédita e se chama Space Force. Obviamente, o departamento trata de assuntos espaciais, algo que ele não entende nada e chega até a correr o risco de perder o cargo por investir milhões de dólares nos projetos.

Inicialmente, a série apresenta a família de Naird, composta pela sua esposa Maggie (Lisa Kudrow) e filha Erin (Diana Silvers), relatando a sua mudança de cidade para acompanhar os trabalhos do patriarca. Logo depois conhecemos os colegas de trabalho do general, que tem como braço direito o Dr. Adrian Mallory (John Malkovich), com quem forma uma boa dupla que segue bem até o final da trama como a voz mais sensata do departamento.

Mas todos os outros colegas que ganham destaque possuem suas peculiaridades, como o personagem Tony, de Ben Schwartz, que até que se assemelha um pouco a Jean-Ralphio, seu papel de Parks and Recreation. Outra boa dupla, que só é formada praticamente na metade da trama, é composta pela capitã Angela Ali (Tawny Newsome), que se torna a primeira mulher e negra a pisar na Lua, e pelo cientista Dr. Chan Kaifang (Jimmy O. Yang), com ambos atuando em momentos engraçados fora daquele cenário espacial.

Imagem: Divulgação/Netflix

A primeira missão da Space Force é levar novamente o Homem à Lua e criar uma base habitável por lá. Tudo isso acontece tentando mostrar a corrida espacial que nós já conhecemos, envolvendo uma disputa entre China, Rússia e Estados Unidos. Esses são os momentos mais divertidos da produção, quando todos estão em uma espécie de central de controle que se comunica com as naves e satélites.

E é nesse cenário que acontecem os diálogos bizarros e hilários de Naird e um macaco que está em um satélite, com conversas que só são possíveis graças à ajuda de um intérprete da linguagem de sinais, a única forma de o animal se comunicar. Já a relação entre a família chama atenção pela ótima personagem Erin, que apesar de trazer momentos divertidos à série, ainda não tem uma personalidade muito bem construída.

Em meio a tudo isso, um mistério: logo depois do primeiro episódio, Maggie só aparece na prisão por ter cometido “um crime muito grave”, que não é mostrado em nenhum momento, deixando uma dúvida em aberto, uma vez que a trama não apresenta nenhuma pista clara do que pode ter acontecido.

A relação da Space Force com o governo dos Estados Unidos também é colocado de forma divertida, como quando o presidente do país, que não tem identidade revelada na série, bloqueia uma visita íntima de Naird à esposa e ainda faz piada com isso. Ou ainda quando a primeira-dama envia sugestões de uniformes para o departamento que não são nada modernas, contando com capas e vários detalhes em vermelho e dourado.

Imagem: Divulgação/Netflix

Space Force é uma série de comédia que, de fato, é engraçada e que se apega ao absurdo para construir uma ficção entre o possível e o impossível que pode acontecer em uma divisão relacionada a assuntos espaciais. No entanto, a trama ainda tem muito chão pela frente para, quem sabe um dia, entrar para a lista de melhores produções de comédia norte-americanas. Falta à série um pouco mais de abuso para tratar das questões políticas dos Estados Unidos e também de Steve Carell, que parece apelar mais para a seriedade do personagem do que para a parte cômica.

pace Force já está disponível na Netflix em 10 episódios.

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