Crítica | Cobra Kai adapta o melhor do caratê dos anos 1980 para a atualidade

Crítica | Cobra Kai adapta o melhor do caratê dos anos 1980 para a atualidade

Por Natalie Rosa | 27 de Agosto de 2020 às 08h25
Divulgação

Os saudosistas da década de 1980 vão ganhar um ótimo presente da Netflix nesta sexta-feira (28) com a estreia das duas temporadas da série Cobra Kai. A trama é derivada de Karate Kid, clássico da época, trazendo de volta os atores principais: William Zabka como Johnny Lawrence e Ralph Macchio como Daniel Larusso, dessa vez já na meia-idade e com mais histórias para contar.

Cerca de 30 anos depois dos acontecimentos da trilogia, os personagens se encontram novamente em uma série que traz muita (muita mesmo) luta, rivalidade e momentos nostálgicos. A série foi produzida originalmente pelo YouTube, mas ao ser cancelada foi resgatada para a Netflix e confirmada para uma terceira temporada.

Atenção: esta matéria contém spoilers das duas primeiras temporadas de Cobra Kai

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Imagem: Divulgação/Netflix

A história começa com Johnny Lawrence aparecendo como um fracassado. Com empregos medianos e qualidade de vida precária, ele demonstra ter muitos problemas de humor e dificuldade de socializar. Tudo muda quando ele conhece o novo vizinho, Miguel Diaz (Xolo Maridueña), um garoto de origem equatoriana que não hesita em puxar assunto com ele.

Fazendo aquele personagem de adolescente insistente, logo uma sutil amizade começa a acontecer entre os dois, fazendo com que Johnny relembre da sua vida no caratê e compartilhe disso com o garoto. É quando, em meio às cenas dos filmes dos anos 1980 e trilha sonora da época, o espectador vai sendo relembrado de tudo o que aconteceu nos filmes até os eventos da série. A personalidade de Johnny é explicada ao lembrarmos que ele foi uma vítima de John Kreese (Martin Krove), o seu sensei psicopata (que eventualmente retornou para a série), e hoje tenta não ser relacionado a esse passado que não mostra piedade.

Já nos primeiros momentos da temporada somos bombardeados de saudosismo e, mesmo para quem nunca foi fã da saga de filmes em si, é impossível não sentir que estamos na sala de casa, na infância ou pré-adolescência, assistindo aos filmes da Sessão da Tarde. Cobra Kai é como um longo filme da década de 1980, separada em várias partes e adaptada aos momentos atuais, incluindo elementos como redes sociais, smartphone e YouTube, por exemplo, até mesmo questões sobre comportamento. Na série, inclusive, as garotas também lutam aos jovens rapazes e não ficam limitadas apenas à função de líder de torcida.

Imagem: Divulgação/Netflix

Apesar do humor difícil de Johnny, a sua falta de tato nas palavras e a falta de estar atualizado com os tempos de hoje garantem os momentos mais engraçados da série. O personagem consegue se mostrar completamente perdido no tempo, recebendo uma aula dos adolescentes que cruzam o seu caminho, que brevemente apontam suas falas que não condizem mais com os tempos atuais, o ensinando também a se adaptar à tecnologia atual.

Com a reabertura do Cobra Kai, dojo que foi fundado por John Kreese, começa a rivalidade entre Johnny e Daniel Larusso, que treinava junto ao saudoso sensei Miyagi (Pat Morita). Inclusive, dessa vez, o protagonismo fica todo com Johnny, que agora tem a sua história mais aprofundada. Nos filmes, os personagens eram rivais não só por treinarem em dojos diferentes, mas também por viverem dramas adolescentes relacionados à personagem Ali, que ainda não deu as caras na série. Tudo isso, claro, está de volta, mas envolvendo Miguel e os filhos da dupla rival: Samantha Larusso (Mary Mouser) e Robby Keene (Tanner Buchanan).

Lutando em lados diferentes, o elenco adolescente se destaca em meio aos adultos por levarem a rivalidade e o caratê para as ruas e para a escola, trazendo momentos extremamente divertidos e bastante curiosos de assistir, provavelmente chamando mais a atenção de simpatizantes do esporte. A questão familiar também é bastante abordada na série, já que Johnny é o protagonista, mostrando como ele não foi um pai presente a Robby. Até mesmo cenas dele criança, muito antes do caratê, são criadas para contar um pouco da sua trajetória.

Imagem: Divulgação/Netflix

Cobra Kai traz muita luta, todas mais bem ensaiadas e coreografadas do que na saga Karate Kid, que muitas vezes se misturam com as cenas dos filmes e que é algo que preenche uma boa parte da trama. Tudo isso para, mais uma vez, homenagear a arte marcial com tanta dedicação como foi há 30 anos. Myiagi é constantemente honrado por Larusso, que constrói o seu próprio dojo, com os mesmos ensinamentos do sensei, a fim de impedir que Cobra Kai, que tem um lema no qual ele não concorda, tome conta dessa região da Califórnia e “queime” o nome do caratê.

É quando a série começa a ganhar mais seriedade, deixando um pouco de lado a parte esportiva e entrando em questões sobre violência gratuita e rivalidade. John Kreese, na segunda temporada, reaparece ao descobrir a volta de Cobra Kai e pede por uma segunda chance a Johnny, mesmo com todos os gatilhos que a sua autoridade representa a ele e aquele pequeno mundo do caratê local. Na tentativa de ser uma pessoa melhor, Johnny resolve dar uma segunda chance, que durou pouco e deixou consequências graves.

A rivalidade, que antes era divertida, se transformou em uma situação insustentável entre esses adolescentes, incluindo lutas ainda mais gratuitas e que começam a preocupar os adultos. Em diversas tentativas frustradas de reconciliação, uma vez que a falta de comunicação entre os dojos é grande e muitos dos integrantes de cada um deles acabam não concordando com uma possível paz, chegamos ao final da segunda temporada com cenas que acabam com todos os risos conquistados ao longo de todos os outros 19 episódios.

Imagem: Divulgação/Netflix

Em uma luta que ficou fora de controle no último episódio, Daniel se feriu gravemente e corre risco de morte, enquanto a vida de todos os personagens envolvidos na história começa a desabar. Para não dizer que o último episódio é só tristeza, Cobra Kai também mostra os minutos mais bem feitos de toda a temporada, com lutas de vários personagens ao mesmo tempo em um longo e empolgante plano sequência, que entre atores e dublês mostra que a arte marcial é, de fato, algo incrível de ser assistido e uma técnica de defesa pessoal que merece nunca ser esquecida.

As duas temporadas de Cobra Kai estreiam na Netflix nesta sexta-feira (28) e a continuação está prevista apenas para 2021.

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