Crítica | Mistério e Morte no Hotel Cecil desmistifica teorias sobre Elisa Lam

Por Natalie Rosa | 11 de Fevereiro de 2021 às 19h00
Divulgação: Netflix

Em 2013, a morte de Elisa Lam chocou o mundo. É um daqueles mistérios em que ninguém consegue chegar a uma conclusão plausível, abrindo espaço para dezenas de teorias da conspiração. A jovem, de apenas 21 anos e de origem chinesa, saiu do Canadá, onde morava, para passar as férias nos Estados Unidos. O destino escolhido foi a costa oeste do país, mais precisamente o estado da Califórnia. Ao desembarcar em Los Angeles, ela escolheu a hospedagem mais em conta: o Cecil Hotel.

E foi exatamente lá que Elisa foi encontrada morta, dias depois do seu desaparecimento, em uma história com poucas evidências e repleta de incertezas. O fato de a estudante ter sido encontrada em uma das caixas d'água do hotel e não existirem provas concretas sobre como isso aconteceu fez com que a sua história se tornasse um grande mistério sobrenatural, ou ainda abrindo a possibilidade de envolver algum esquema maior do que podemos imaginar, seja com a própria administração do estabelecimento ou com a polícia.

Essa história é contada na série documental Cena do Crime – Mistério e Morte no Hotel Cecil, que estreou no dia 10 de janeiro na Netflix. A produção reúne todos os fatos que já aconteceram no local, que fica em uma das regiões mais perigosas do mundo, e tenta relacionar com o mistério que tirou a vida de Elisa Lam.

Imagem: Divulgação/Netflix

Atenção: esta crítica contém spoilers de Cena do Crime – Mistério e Morte no Hotel Cecil!

Desde que o caso veio à tona, seja com a divulgação do vídeo assustador de Elisa visivelmente perturbada no elevador do hotel, ou ainda com a revelação de que ela estava morta em um grande tanque d'água no telhado do local, não só a polícia tentava desvendar o caso, como o tribunal da Internet. A reputação do Cecil Hotel, que já foi cenário de diversas tragédias ao longo de sua história, deu abertura para que pessoas comuns tentassem descobrir o que aconteceu da sua forma, e é essa uma das abordagens do documentário, trazendo fortes críticas.

A série relata todas as mortes que aconteceram no hotel, mas fica claro que o seu objetivo é desvincular o caso de algo paranormal, tentando melhorar a reputação do local. De fato, a morte de Elisa Lam e as causas foram inconclusivas, mas a produção traz novas informações e monta todas as peças desse quebra-cabeça para trazer possibilidades que fazem sentido. Tudo isso é feito com entrevistas com pessoas que trabalhavam no hotel, incluindo a gerente da época e o funcionário que encontrou o corpo da jovem, policiais, pessoas que estavam hospedadas lá na mesma época e uma narradora lendo as publicações de Elisa nas redes sociais.

Imagem: Divulgação/Netflix

Mistério e Morte no Hotel Cecil não economiza nas críticas às pessoas que fazem parte do tribunal da Internet, inclusive dando voz a uma pessoa que sofreu as consequências dessas investigações individuais. Pablo Vergara, que assumia o papel de Morbid em uma banda de black metal, foi duramente acusado de ter assassinado Elisa Lam apenas por ele assumir um personagem macabro interessado em assassinatos e serial killers e já ter gravado um vídeo visitando o hotel. O homem se tornou mais uma vítima das tragédias do local, mas de forma diferente.

As acusações e ameaças foram tantas que ele ficou psicologicamente abalado. Mesmo sem nunca ter sido acusado formalmente pela polícia, perdeu todas as suas contas nas redes sociais, até mesmo o seu e-mail, e acabou tentando se matar. Sete anos se passaram desde a morte de Elisa e a gravação do documentário, e Pablo nunca mais foi a mesma pessoa, carregando esse trauma para a vida. A trama dedica uma boa parte de seus quatro episódios para fazer essas duras críticas.

Imagem: Divulgação/Netflix

Outra abordagem do documentário é trazer um pouco de humanidade à Elisa Lam, desmistificando todas as teorias da conspiração sobre a sua morte, chegando apenas a uma conclusão triste: a jovem sofria do tipo mais grave de bipolaridade. Muitas informações que chegam nas redes sociais são o que as pessoas querem saber, como a possibilidade de ela ter sido assombrada por alguma alma penada nos corredores do hotel. Mas a realidade consegue ser ainda mais triste.

Ligando todos os fatos e acrescentando novas informações, as peças encaixadas fazem sentido quando concluem que Elisa estava perturbada psicologicamente e acabou se matando de forma acidental. A série, inclusive, revela que, ao contrário do que muitos pensavam, a tampa da caixa d'água estava aberta, justificando a possibilidade de ela mesma ter entrado ali. Sobre o corpo estar sem roupas, um médico legista explica as condições do corpo e sensações que acontecem durante situações de afogamento e hipotermia.

Por fim, a série documental tem como principal objetivo acabar com as teorias da conspiração sobre o caso, trazer respostas concretas e ajudar a melhorar a reputação do hotel, mesmo que para isso tenha sido necessário expor ainda mais Elisa Lam, suas fragilidades e o seu trágico fim. A apresentações de todos os outros crimes que aconteceram por lá não chegam a ser explorados, deixando o ceticismo tomar conta de toda a história. Talvez, o caminho escolhido para contar o caso tenha sido um pouco decepcionante para quem esperava um típico documentário sobre crimes reais, afinal, segundo as próprias conclusões apresentadas, não houve qualquer crime, mas sim um acidente.

Cena do Crime – Mistério e Morte no Hotel Cecil já pode ser assistida na Netflix em quatro episódios.

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