Crítica | Billie Eilish: The World's a Little Blurry e o nascimento de um ídolo

Crítica | Billie Eilish: The World's a Little Blurry e o nascimento de um ídolo

Por Natalie Rosa | Editado por Jones Oliveira | 03 de Março de 2021 às 10h27
Divulgação: Apple TV+

Documentários sobre artistas sempre são interessantes porque nos fazem conhecer um cantor, músico, compositor, instrumentista, entre várias outras funções, como pessoa, mostrando não só suas conquistas, como também suas fragilidades. Não é diferente do que acontece em Billie Eilish: The World's a Little Burry, que acaba de estrear em alguns cinemas e no Apple TV+. Mas o que faz esse filme de duas horas e vinte minutos de duração ser diferente é o fato de mostrar as camadas mais profundas de Billie Eilish, atualmente com 19 anos, e como a sua trajetória modesta e carregada de talento a transformou na figura pública que é hoje.

O documentário sobre a história de Billie Eilish foi gravado durante um pouco mais de um ano, do final de 2018 até o início de 2020, trazendo diversos presentes para os fãs, que entre os mais fanáticos estão os adolescentes de sua idade ou mais jovens. Assistimos a várias partes do processo de composição de suas músicas, que foram feitas por ela mesma em seu quarto, em uma casa modesta de classe média em Los Angeles — onde ela mora até hoje, mesmo milionária—, ao lado do irmão Finneas, tão talentoso quanto.

A vida de Billie sempre foi rodeada de música, graças aos pais, que também a acostumaram com a presença de câmeras, e tudo o que ela e o irmão fizeram foi por vontade própria, sendo apenas uma das questões abordadas no filme em relação à construção de uma celebridade do mundo da música. A produção traz até uma discussão sobre fazer uma música "acessível", ou seja, um hit que pode conquistar fãs de todos os gêneros, ou continuar com a sua essência inicial.

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Imagem: Divulgação/Apple TV+

A carreira de Billie começou quando ela ainda tinha 13 anos, conquistando inicialmente um público-alvo mais alternativo. Não demorou, no entanto, para que sua música fosse notada pela massa e por grandes produtores, que logo perceberam a sua maturidade musical para a idade. Enquanto vários artistas jovens da música pop criaram suas canções com um gênero adaptado para adolescentes, as composições de Billie sempre foram maduras tanto sonoramente quando nas letras, ainda que muitos possam acreditar que sejam apenas os sofrimentos da adolescência tratados de forma mais poética. A artista conquistou o grande público após o lançamento da música Ocean Eyes, em 2015, se tornando, poucos anos depois, a artista mais jovem a ganhar um Grammy.

The World's Little Blury, então, destrincha a carreira de Billie através dessas músicas consideradas extremamente depressivas, com base na personalidade da cantora e os problemas com a depressão. A mãe da jovem, em determinado momento, rebate as críticas sobre as suas músicas pesadas afirmando que os jovens de hoje em dia são, de fato, depressivos e que eles têm muitas coisas a enfrentar com o mundo atual e que mesmo tempo em que eles têm tudo na mão, nada disso é garantia de sobrevivência. Billie, em imagens caseiras, nos apresenta às suas anotações feitas na hora de compor, mostrando que a sua criatividade realmente vem do obscuro, com ela mesma dizendo que toda a sua carreira salvou a sua vida.

Imagem: Divulgação/Apple TV+

Apesar de parecer extremamente madura para a sua idade e que a sua criação tenha sido exemplar, Billie deixa escapar vários momentos em que se apresenta como uma adolescente comum, seja com algumas birras com os pais ou a forma em que lida com as paixões da idade. O filme consegue equilibrar muito bem os acontecimentos da vida profissional e pessoal a partir do ponto de vista de uma pessoa muito jovem, com os momentos sempre se intercalando entre quando ela vai tirar a sua carteira de motorista, por exemplo, e quando luta contra a Síndrome de Tourette, até quando vai se apresentar no festival Coachella, conhece seu ídolo Justin Bieber e dirige o próprio clipe.

O filme não economiza em exibir detalhes íntimos e pessoais que transformam o documentário em uma produção verdadeira, sem deixar de mostrar as vulnerabilidades de quem é o assunto para manter as boas aparências e para vender a cada vez mais. Tudo isso sem também deixar os momentos divertidos e de descontração de lado, claro, por mais profundo que seja o filme. Por fim, tudo isso faz com que o documentário de R.J. Cutler mire na autenticidade e acerte em cheio.

Billie Eilish: The World's a Little Blurry pode ser assistido nos cinemas e no Apple TV+.

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